Resenha: The Beauty of Darkness - Mary E. Pearson

abril 20, 2017 / Redação SOODA /

As Crônicas de Amor e Ódio finalmente chegam ao fim, trazendo um encerramento primoroso a uma obra de fantasia que quebra paradigmas ao colocar uma protagonista mulher frente a uma grande batalha pela sobrevivência dos Remanescentes




Um dos princípios do empoderamento feminino estabelecido pela ONU é "tratar todas as mulheres e homens de forma justa no trabalho, respeitando e apoiando os direitos humanos e a não-discriminação." Porém, sabe-se que a submissão feminina, especialmente em obras de fantasia ocorre com bastante frequência, e The Beauty of Darkness é uma dessa obras que tentam virar o jogo, mostrando o protagonismo feminino no embate de uma sociedade como a nossa, extremamente patriarcal.

A história é o encerramento da trilogia das Crônicas de Amor e Ódio (Crônica dos Remanescentes em Inglês), onde Lia, uma princesa de 17 anos fugiu de seu casamento, e foi viver longe do centro urbano do reino de Morrighan, também conhecido como o reino "dos escolhidos", isso porque no passado, uma jovem, que tinha o mesmo nome do Reino, e que possuía o "dom", levou um grupo de Remanescentes a uma área privilegiada.



Depois de sua fuga, Lia passa a trabalhar em uma taverna, e dois jovens foram até lá.

Um deles foi o príncipe de Dalbreck,o cara que ela seria obrigada a casar. O reino desse principe é uma dissidência de Morrighan ocorrida tempos depois da chegada dos "escolhidos" a terra prometida, quando um jovem que tinha o mesmo nome do reino fugiu a uma área mais ao sul do território dos Remanescentes e lá estabeleceu o seu reino, que hoje é bastante voltado ao militarismo. Além disso, ao contrário de Morrighan, o povo de Dalbreck é bem cético em relação aos escritos de tradições.

O outro jovem era um assassino do Reino de Venda, que fica localizado bem ao extremo leste do território dos Remanescentes. Esse local vivem os bárbaros com um Komisar (tipo um rei) tirano, onde não há prisões, pois todos os "fora da lei" são mortos. Além disso, essa área é bem inóspita e de difícil sobrevivência, por isso o pouco que havia das suas tradições culturais vinha sendo perdida.

Depois de 250 páginas do primeiro livro sem a gente saber quem é o príncipe e quem é o assassino, começa-se uma viagem em meio ao mundo dos remanescentes com destino a Venda, onde ficamos imersos a algumas tradições e medos desses povos, e de uma profecia, no qual Lia está envolvida.

Ao chegar a Venda, Lia descobre que muitas das coisas que ouviu falar do reino pode ser bem diferente do que esperava, e que eles estavam se formando para uma grande guerra para acabar com os outros reinos dos remanescentes. Agora ela precisa retornar para Morrighan e avisar para todo mundo o que está acontecendo e assim enfrentar uma guerra contra os vendanos. E é assim que começa o terceiro livro das Crônicas de Amor e Ódio.



Resenha de The Kiss of Deception

Resenha de The Heart of Betrayal

The Beauty of Darkness começa dias depois dos últimos acontecimentos de The Heart of Betrayal, onde Lia, Rafe, e seus comparsas estvam retornando a Dalbreck. Esse inicio, vamos sabendo um pouco do que aconteceu em Venda e pistas dão a entender que aquele que trará a grande guerra ainda está vivo. O Dom de Lia começa apitar no nível hard, mas muitas pessoas não dão ouvidos a ele, então a primeira luta dela é provar que seu valor perante àqueles homens que não acreditam nela, nem mesmo o cara que a ama, que mesmo depois de tudo, ainda tem umas atitudes machistas e retrogradas.

“Vocês definem uma espada pelos termos que lhe são familiares em todas as formas como veem, sentam e tocam. Contudo, e se houvesse um mundo que falasse de outras maneiras? E se houvesse outra forma de ver, ouvir e sentir? Nunca sentiram alguma coisa bem lá no fundo de vocês? Não tiveram um vislumbre disso brincando atrás dos seus olhos? (...) Talvez alguns de nós saibamos das coisas mais profundamente do que os outros.” Pág. 48


Depois da chegada em Dalbreck (um pouco mais trabalhosa do que se espera) Lia agora precisa enfrentar um novo dilema. O amor, ou o seu reino. E nesse ponto Rafe foi um "macho" meio escroto, porque ele começou a fazer exatamente aquilo que ela renegará quando ela fugiu de seu pai. Agora ela tinha uma segunda batalha, a de lutar contra isso para assim chegar ao seu destino final a tempo. (E o tempo urge). Em uma perspectiva é compreensível o que ele tenta fazer, mas não aceitável. E mais uma vez Lia prova sua força perante ao protecionismo instaurado sobre ela.

Confesso que essa parte é um pouco mais lenta e poderia ser resumida em menos páginas, até porque estamos diante de detalhes que de certa forma não faz muita diferença ao enredo geral da história.



Depois disso, chega o momento de retornar a Morrighan, e lutar contra os traidores. Esse é o momento mais pulsante desse livro, o reencontro com aqueles que ela havia deixado para tras, o momento de pensar e atuar de verdade sobre essa guerra. E Lia não deixou a desejar, mostrou além de protagonismo, astúcia, inteligência e audácia para chegar ao seu objetivo final. Lia é uma protagonista como poucas. Ela é humana, erra, mas quando acerta é quase certo esquecer os seus erros devido a importância de suas atitudes frente as pequenas guerras que ela vem enfrentando. Porém, ela não deixa de esquecer o amor que possui por Rafe, mesmo estando longe.

Conforme vamos nos aproximando da Guerra, vai aumentando o medo para que tudo dê certo. E Lia, assim como na capa do livro é a líder dos Remanescentes e somente ela é o elo para que as mortes não sejam em vão, e aqueles que ficaram vivos tenham um futuro promissor e finalmente amistoso.

O final é avassalador, potente, e apesar de alguns momentos parecer fácil, a jornada que trouxe até aqui não foi, porém nem todos serão felizes, mas os que morrerem com certeza não foram em vão, foi para um momento, onde a paz possa finalmente estar presente nos três reinos. E assim começará uma nova tradição no mundo dos Remanescentes.


The Beauty of Darkness (The Beauty of Darkness)
Crônicas de Amor e Ódio #03 (The Remnant Chronicles #03) Autora: Mary E. Pearson
Editora: Darkside Books
Ano: 2017
Skoob: 4,6 Estrelas / Goodreads: 4,25 Estrelas
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04 Estrelas
trilogia Crônicas de Amor e Ódio chega ao fim de maneira arrasadora. A história de Lia inspirou muitos leitores a embarcarem em uma jornada extraordinária repleta de ação, romance, mistérios e autoconhecimento, em um universo deslumbrante criado pela premiada escritora Mary E. Pearson, onde o poder feminino é a força motriz capaz de mudar e fazer toda a diferença no novo mundo em construção. Lia sobreviveu a Venda, mas não foi a única. Um grande mal pretende destruir o reino de Morrighan, e somente ela pode impedi-lo. Com a guerra no horizonte, Lia não tem escolha a não ser assumir seu papel de Primeira Filha, como uma verdadeira guerreira — e líder. Enquanto luta para chegar a Morrighan a tempo de salvar seu povo, ela precisa cuidar do seu coração e seus sentimentos conflituosos em relação a Rafe e as suspeitas contra Kaden, que a tem perseguido. Nesta conclusão de tirar o fôlego, os traidores devem ser aniquilados, sacrifícios precisam ser feitos e conflitos que pareciam insolúveis terão que ser superados enquanto o futuro de todos os reinos está por um fio e nas mãos dessa determinada e inigualável mulher.
Autora: Mary E. Pearson é norte americana, moradora da Califórina, é conhecida no exterior principalmente por causa da sua primeira série de livros "The Jenna Fox Chronicles" (sem tradução para o português) e agora está colecionando novos fãs com a série The Kiss of Deception que chegou aqui no Brasil em 2016 pela Darkside Books.

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