Resenha: Mosquitolândia - David Arnold

agosto 25, 2015 / Francisco Soares Chagas Neto /



Mosquitolândia (Mosquitoland)
Autor: David Arnold
Editora: Intríseca
Ano: 2015
4 Estrelas

Após o inesperado divórcio dos pais, Mim Malone é arrastada de sua casa em Ohio para o árido Mississippi, onde passa a morar com o pai e a madrasta e a ser medicada contra a própria vontade. Porém, antes mesmo de a poeira da mudança baixar, ela descobre que a mãe está doente.Mim foge de sua nova vida e embarca em um ônibus com destino a seu verdadeiro lugar, o lar de sua mãe, e acaba encontrando alguns companheiros de viagem muito interessantes pelo caminho. Quando a jornada de mais de mil quilômetros toma rumos inesperados, ela precisa confrontar os próprios demônios e redefinir seus conceitos de amor, lealdade e sanidade.Com uma narrativa caleidoscópica e inesquecível, Mosquitolândia é uma odisseia contemporânea, uma história sobre as dificuldades do dia a dia e o que fazemos para enfrentá-las.

Autor: David Arnold teve vários empregos, entre eles como produtor, musico, e professor de pré-escola. Mosquitolândia é o seu primeiro livro, que por sinal já tem concorrido a varias premiações nos Estados Unidos e ganhado elogio dos principais jornais e da critica especializada americana.

Resenha: Você já fez alguma viagem pelas estradas do nosso país? Sim? O que achou? Não? Pois aqui vai um conselho, eu acho que todo ser humano deveria fazer uma viagem, pela estrada, seja de ônibus, seja de carro, ou até de jegue, mas que faça, pois é uma experiência única e que sempre nos dará grandes aprendizados. E assim, fez a nossa protagonista desse maravilhoso livro, Mosquitolândia. Mary Iris Malone, ou simplesmente Mim, não estava nada bem, seus pais tinham se divorciado, seu pai casou com uma nova mulher, ela tinha se mudado para o outro lado do país, e ainda usava medicamentos para tratar sua depressão. Nesse barbilhão de coisas acontecendo ela ainda descobre que sua mãe está doente.

Nesse processo, ela decide então ir atrás de sua mãe, por 1524 km de Jackson, Mississipi até Cleveland, Ohio e dessa decisão, junta algumas coisas na mochila, consegue pegar um dinheiro de sua Madastra, compra uma passagem, mas o que ela não sabia, que essa não seria simplesmente uma passagem de ônibus, seria uma passagem para um mundo novo de experiências e aprendizados que com certeza ela levará para o resto da vida.

Várias pessoas cruzaram a sua vida durante essa viagem intensa, um motorista ranzinza, um homem com poncho, mostrando que as aparências enganam, Arlene, uma senhorinha muito fofa, que todos queriam ter uma vó como essa, um casal gay dono de um posto de gasolina de beira de estrada, no mínimo peculiar. As vezes em momentos de crises também aderimos a grandes amizades, como as que ela criou por Watt e Beck, personagens que a ajudaram a finalizar o seu intenso roteiro até o seu destino final.

A gente pode dividir a aventura dela em duas partes. A que ela faz de ônibus até Independence, onde ela passa por situações complicadas, que por si só já daria um livro, onde ela tem de lidar com sentimentos de perdas e revolta, mas que sua persistência a faz continuar, aliás Mim é uma garota extremamente persistente, uma das qualidades que mais gostei nela.

Após uma decisão, digamos que até altruísta Mim deixa a sua viagem de ônibus para realizar um desejo de uma amiga, e então continua a sua viagem até Cleveland no Tio Phill, uma camionete velha que ela adquiriu e junto com Beck e Watt onde ela terá mais aventuras pelas estradas do U.S. Nesse momento, fica mais evidente o reconhecimento e valor das amizades, que surgem especialmente nas horas mais loucas da vida.

Nesse processo todo, Mim nos mostra que as coisas nem sempre são como a gente quer, mas como a gente decide enfrenta-las, que a luta pela sobrevivência pode não ser tão fácil, mas se torna mais agradável quando não fazemos sozinhos, que muitas vezes aquele que pouco fala, muito ensina, que nem tudo que parece de fato é, além de muitas outras reflexões, os quais podem ser levados para o resto da vida.

Falando um pouco da estrutura e estética do livro, a escrita do autor é muito boa, ele mescla as reflexões de Mim, num dário que ela escreve para uma personagem, com os acontecimentos o que traz uma dinâmica interessante, digamos que não diferente, pois temos vistos vários autores utilizando-se desses elementos para escrever os seus livros, mas peculiar. Além disso a capa (a mesma da versão em inglês) é muito boa, sério, eu compraria o livro só pela capa, porque gostei mesmo. Um coisa que eu senti falta na versão brasileira, foi do mapa que consta na versão em inglês que dá um parâmetro das cidades, pelas quais Mim passa.



Por fim, Mary Iris Malone, tinha todo o direito de não estar bem, tinha todo o direito de movimentar a sua vida, talvez tenha usado um método maluco, mas com certeza valeu a pena, afinal do que seria da vida dela sem esse pouco de loucura? Alias do que seria a nossa vida sem um pouco de loucura? No final das contas é delas que a gente tira os nossos grandes aprendizados, e talvez por isso eu sinta uma simpatia tão grande pela personagem, porque ela me fez lembrar o quanto, posso ser louco e mesmo assim continuar aprendendo, talvez vocês se sintam assim e se não sentirem, usem a sua maquiagem de guerra e corram atrás de suas loucuras.

Skoob: 4 Estrelas
Good Reads: 4 Estrelas

Ficou curioso sobre os lugares em que a Mim Malone passou durante a viagem? Confirma nosso post especial falando um pouco sobre essas cidades, clique aqui.

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