Viva ao Teatro Brasileiro: Como Nasce um Cabra da Peste

agosto 24, 2015 / Redação SOODA /



Nós sabemos que as artes no Brasil têm sérias dificuldades de se manter, principalmente aquelas que fogem das grandes redes de comunicação e entretenimento a exemplo do Teatro. Nesse mesmo contexto, ainda se percebe que existe uma concentração dos equipamentos culturais (teatro, cinema, museus) na região Sudeste do Brasil. Por último vale ressaltar que a população mais pobre dificilmente a esses serviços, levando-se em consideração que as necessidades básicas não são supridas, imagine o acesso ao lazer.

Na contramão desse processo, chegando a 17º edição, o Festival do Teatro Brasileiro, nos mostra que é possível dar o acesso a população em geral ao Teatro, mostrando-se como uma ótima opção de entretenimento e que pela primeira vez ocorre na cidade de Belém do Pará. Esse evento, dirigido por Sergio Bacelar, nos mostra que é possível colaborar para o engrandecimento da cultura brasileira, através do intercâmbio cultural, mostrando opções de lazer que fogem as grandes redes de comunicação e entretenimento.



A programação do Festival de Teatro, envolveu apresentações teatrais (16 ao todo), além do relacionamento entre os grupos de teatro, oficinas e sensibilização para alunos da rede pública de ensino. O Blog Sobre os Olhos da Alma, assistiu à apresentação da peça teatral “Como Nasce um Cabra da Peste” e conta um pouco pra vocês:

Como Nasce um Cabra da Peste:
Está centrada nos preparativos e procedimentos populares para o nascimento de uma criança no sertão nordestino. O texto e Altimar Pimentel, baseado na obra etnográfica de Mário Souto Maior, faz um apanhado das crendices, superstições costumes e medicinas mágicas empregadas em tais situações no interior do Brasil rural.



Nos primeiros minutos da apresentação é possível entender o motivo da peça está a 15 anos em cartaz e já ter sido premiado pela FUNARTE, conseguimos ficar imerso no sertão nordestino, por meio da música, figuração, e os atores, que dão a dramaticidade da qual a peça necessita.

A peça conta a história de uma família nordestina que está prestes a ter o seu segundo filho, mostrando o seu cotidiano, as suas dificuldades, tendo por base que muitas dessas famílias não têm uma renda que possa mantê-los por um mês completo, necessitando que haja economia e até mesmo algumas situações que apesar de engraçadas, mas é o retrato daqueles que vivem nessas condições. A peça tem muitas situações engraçadas, com um pai destrambelhado, que faz tudo pela mulher para que ela tenha um filho saudável, uma mãe que usa de manhas para conseguir o que quer, um filho inocente e avoado, e uma parteira mãe de santo que não dá murro em ponta de faca, dessa forma, as confusões estão instaladas, principalmente nas muitas crendices que são colocadas que nos fazem dar boas gargalhadas.



É interessante perceber que apesar de ocorrer no sertão nordestino, as crendices apresentadas durante a peça, na verdade é um retrato de nossos interiores pelo Brasil. Após finalizar a peça conversava com meu namorado que falou que na família de sua mãe, algumas parteiras agiam dessa forma, tudo para que as crianças pudessem nascer o mais saudável possível, aliás conversei com a minha mãe algumas vezes e ela afirmou que isso sempre acontecia aqui mesmo na cidade de Belém a uns 50 anos atrás.

A apresentação é belíssima e vale assisti-la, e o que é melhor, durante o Festival de Teatro Brasileiro ela ocorre de graça.

As apresentações já finalizaram no Estado do Pará, porém elas ainda vão acontecer, nos estados do Ceará, Alagoas e Espirito Santo, acesse o site aqui e saibam mais sobre o evento e essa apresentação de teatro.

Ficha Técnica
Elenco: Edilson Alves, Dada Venceslau, Madalena Accioly
Direção: Eliezer Filho
Texto: Altimar Pimentel
Sonoplastia: Thiago Henriques
Iluminação: Eloy Pessoa
Contra-regra: Roberto Assunção
Produção Executiva: Nelson Alexandre e Edilson Alves
Realização: Agitada Gang-Trupe de Atores e Palhaços da Paraíba

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