Resenha: A Garota no Trem - Paula Hawkins

setembro 08, 2015 / Redação SOODA /

A Garota no Trem é uma obra cheia de reviravoltas e vem para questionar você sobre uma pessoa passar de uma simples espectadora a uma peça chave de um misterioso quebra-cabeça


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A Garota no Trem (The Girl in the Train)
Autora: Paula Hawkins
Editora: Record (Grupo Editorial Record)
Ano: 2015
3 Estrelas
Skoob: 4,2 Estrelas / Goodreads: 3,85 Estrelas
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Todas as manhãs Rachel pega o trem das 8h04 de Ashbury para Londres. O arrastar trepidante pelos trilhos faz parte de sua rotina. O percurso, que ela conhece de cor, é um hipnotizante passeio de galpões, caixas d’água, pontes e aconchegantes casas. Em determinado trecho, o trem para no sinal vermelho. E é de lá que Rachel observa diariamente a casa de número 15. Obcecada com seus belos habitantes – a quem chama de Jess e Janson –, Rachel é capaz de descrever o que imagina ser a vida perfeita do jovem casal. Até testemunhar uma cena chocante, segundos antes de o trem dar um solavanco e seguir viagem. Poucos dias depois, ela descobre que Jess – na verdade Megan – está desaparecida.
Sem conseguir se manter alheia à situação, ela vai à polícia e conta o que viu. E acaba não só participando diretamente do desenrolar dos acontecimentos, mas também da vida de todos os envolvidos. Uma narrativa extremamente inteligente e repleta de reviravoltas, A garota no trem é um thriller digno de Hitchcock a ser compulsivamente devorado.

Autora: Paula Hawkins foi jornalista durante 15 anos, e também escreveu 4 livros antes da "A Garota no Trem", porém esse é o seu primeiro livro de Thriller psicológico. Ela vive em Londres, e suas viagens de Trem pela cidade foi uma de suas inspirações para escrever o livro. Segundo ela, um dos autores que a mais influenciaram foi "Hitchcock" e sua obra tem sido muito comparada a "Garota Exemplar (Gone Girl)". A Garota no Trem permaneceu mais de 20 semanas nas listas dos mais vendidos no The New York Times, e a Dreamworks já está fazendo a sua adaptação para o cinema.

Resenha: Confessa pra gente, vocês também, ao andarem de ônibus, trem, ou qualquer deslocamento rotineiro, já se pegaram observando por vários dias, uma casa, ou escola, ou alguém, e como é a vida daquelas pessoas, não? Se ainda não experimentem fazer isso, eu sei é no mínimo estranho, mas não custa tentar viver a experiência.

Por falar nisso, essa é a história da nossa Garota no Trem, Rachel que fazia uma viagem de trem de Ashburry a Euston, na Inglaterra, todos os dias, aonde ela ficava observando um casal, em uma residência próxima a Estação Witney, o qual ela resolveu chamá-los de Jason e Jess, criando assim uma empatia muito grande em relação a eles, até que um dia “Jess” que na verdade se chamava Megan desapareceu, e Rachel então, passa a fazer parte dessa trama.

Bom pra começar, Rachel não tinha uma vida, digamos que tranquila, afinal ela era divorciada, ainda perturbava muito o seu ex-marido, principalmente depois das bebedeiras constantes que ela tinha, o que aterrorizava a atual esposa dele, a Anna (Guardem essa informação!!). Além disso, Rachel tinha perdido o emprego fazia alguns meses, então as viagens que ela fazia até Londres, era para fingir para a sua amiga de quarto, que ela ainda trabalhava.

Enfim, sua vida era muito conturbada, e a autora faz questão de ressaltar isso, com suas inúmeras recaídas, e besteiras que foi fazendo, antes e durante o livro, que me fez ter muita raiva de Rachel em vários momentos, do tipo, dá pra acordar e ver o que estas fazendo na tua vida, mano!!!

Ok, continuando, a questão que na verdade, aquele casal tinha uma relação com a Rachel, mais próxima que ela imaginava, afinal ela morou ali perto durante muitos anos, antes deles mudarem, seu ex-marido, mora com a sua atual esposa, ainda na mesma casa, e Rachel estava na noite do desaparecimento de Megan, apesar de não lembrar de nada (advinha, porque?).

Vista do Trem em direção a Euston
Fonte: Google.com

Então, a sua vida passa a ter uma motivação que é encontrar Megan, só que ela acaba se envolvendo em vários problemas, entre seu ex-marido, a atual esposa, que já estava com medo dela, o marido de Megan, e suas bebedeiras, que fazem ela meter os pés pelas mãos em muitos casos (não é pra ter raiva de uma pessoa dessas?).

A partir desse momento a história fica realmente excitante, porque ficamos na expectativa de saber o responsável pelo desaparecimento de Megan, e se ela está viva ou morta. A autora nos coloca vários suspeitos, como é comum nesses suspenses, até que aos poucos ela vai revelando a história, sendo, que mais ou menos quando chega nos 60% por cento do livro os mais atentos, já mataram a charada, e o suspense fica por conta, do que vai acontecer com Rachel.

A história é narrada em primeira pessoa, só que ela é narrada por três personagens, Rachel, Anna e Megan, o que te faz imergir em vários contextos, pensamentos, aflições, o que faz que nós entendamos a motivação de alguns deles ao realizar determinadas ações, afinal, em muitos casos elencamos uma pessoa como vilão, mas sem ver a perspectiva que a levou a praticar tal ato. Além disso, ajuda a criar um suspense, porque ao mesclar a narrativa de um personagem ao outro, a autora te revela um fato, e segura os desdobramentos dele, até a narrativa voltar para o personagem.

Uma questão que me chamou atenção foi a capa nacional e de alguns países que mostram uma garota, na faixa de 18 a 25 anos, o que induz que nossa personagem, tem mais ou menos essa idade. Tirem isso da cabeça, a nossa personagem tem idade na faixa dos 40 anos, além de ser relativamente obesa, essa é a típica situação, que a capa te engana, em relação ao conteúdo.

Por fim, o Livro a Garota no Trem, com um final bem legal, te leva a reflexão de vários temas, como a questão das aparências; como determinadas ações impactam determinadas histórias; e como essa rede que é o nosso Planeta Terra é sempre bem interligado, e que até uma pessoa que anda de trem e observa os fatos ao seu redor, pode influenciar na diretamente na sua vida.

“A Garota no Trem é um suspense, que faz você andar por todas as estações, com os pelos arrepiados até o final” - (Francisco Chagas, 2015)

No site oficial da Paula Hawkins é possível ver algumas discussões que podem ser feitas a partir do livro. Acesse Aqui. Dá pra rolar muitas discussões.

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