Memórias de Um Ex-Obeso - Capitulo 1: A Mudança Começa Aqui

outubro 02, 2015 / Redação SOODA /

"O dia era 29 de setembro de 2012, despertei de um sonho esquisito, e com dores no abdômen. Aparentemente parecia tudo certo comigo, mas parecia que algo tinha mudado, sei lá, não era mais a mesma coisa, não conseguia me levantar, os médicos diziam que era o efeito da anestesia, podia ser, não sentia dor alguma, só um desconforto enorme. Estava fraco, não sei explicar muito bem essa fraqueza, não conseguia levantar, eu queria levantar, eu tentei levantar, ah não! não dava, não conseguia, mas precisava ir ao banheiro.

- Enfermeira, preciso ir ao banheiro, urgente, quero mijar. Eu dizia quase chorando, eu não conseguia mijar, fazia força mas nada acontecia, o que aconteceu comigo, o que foi que eu fiz?

- Calma, meu menino, você vai conseguir, calma é normal depois de um procedimento desse você está desse jeito, mas preciso que você fique calmo. Ela tentava me acalmar, com uma voz bem tênue. Mas eu não quero me acalmar, quero fazer as coisas, quero me levantar, quero sentar, quero ir ao banheiro, mas não posso, não agora.

Elas então colocaram um saco na minha cama, segundo os médicos não podia me levantar nas primeiras 24 horas, acho que já me arrependi do que fiz. Droga, se soubesse que era tão difícil não faria. Mas já que me dispus a fazer isso, então vou enfrentar até o final, sabia das consequências, mas enfim, a gente pode conhecer detalhadamente, todos os passos de uma realidade, mas não tem a mínima noção delas até vivermos, e naquela hora, era o que estava acontecendo, estava vivendo um pós-operatório.

No final das contas, depois de meia hora que acordei e percebi em que situação estava, não era tão ruim, talvez a minha mente que costuma funcionar tão rápido que as vezes da raiva, sério mesmo, tenho muita raiva disso, porque se me disserem que o céu é azul, começo a ver que o céu é azul, mas em alguns pontos ele tende pro branco, os pássaros que por ali passam fazem um desenho com uma maestria intensa da natureza, criada por Deus, mas que o homem começa a destruir, e tornar a nossa vida, mais difícil. Ta vendo só! Esses devaneios são insuportáveis, ainda mais, quando você está numa cama, e não pode nem ao menos mijar, porque ta difícil, heim.

Comecei então a observar o quarto, vamos e convenhamos, foi uma boa escolha, era um quarto relativamente grande, com uma tv de 14 polegadas no centro. Do lado esquerdo, possuía um sofá, onde a coitada da minha mãe quase fica entrevada, porque sofá não é confortável para dormir, nunca vai ser. Do lado direito, tinha uma janela, mas não dava pra ver nada, que droga, nem uma paisagem para confortar, mas pelo menos podia ver uma parede do lado de fora, e o banheiro, todo preparado para pessoas que passavam por situações semelhantes a minha, não era ruim o quarto, de verdade, mas ainda assim era um quarto de hospital, e eu precisava mijar.

Me esforcei muito, mas sabe quando a urina está indo até próximo de sair, mas não saía, era assim que sentia, era uma sensação tão ruim, de verdade, parece que você está correndo para uma linha de chegada, e alguém segura seus pés e não deixa você chegar, é meio frustrante, queria chorar, queria muito, mas não podia, minha mãe estava ali ao meu lado me vendo sofrer, reclamar, e olha que de reclamar eu entendo, e isso não dava não. As enfermeiras disseram que talvez fosse necessário, urinar por um tubo, ah não, isso não, eu vou conseguir, eu vou conseguir, eu vou conseguir, mas meu abdômen não tinha força suficiente para fazer a contração que envia a urina pra fora, não vou conseguir.

Aja eu reclamar, e reclamar, que caramba, eu não consigo, pedi pras enfermeiras colocarem logo esse tubo, aliviar esse sofrimento, querer urinar e não poder, é tão ruim, não sei se é a pior coisa, mas que é horrível é, então elas foram atrás da porcaria do tubo para colocar em mim, ai pensei, deixa eu tentar mais uma vez, to conseguindo, to conseguindo, não acredito, Consegui! Depois de um esforço sobre humano, consegui, estava tão feliz e aliviado ao mesmo tempo, parece que era um peso que saiu de mim.

Depois desse fato, percebi que na verdade fazer uma cirurgia de redução não é tão fácil, como as pessoas imaginam, e que isso era só o início de uma jornada, que pode durar, talvez a vida inteira, mas foi o que eu escolhi, porque sei que apesar das dificuldades que a vida nos impõe, nada é mais difícil do que enfrentar a vida, sabendo que seu prazo de validade é determinado pelos péssimos alimentos que você coloca na boca, sem pensar que as pessoas dependem de ti, e vão sentir falta de ti, se você continuar desse jeito. Foi isso que me fez decidir mudar, quer dizer não só isso, mas foi o crucial para determinar a minha escolha do querer ser feliz completo."

 POR FRANCISCO SOARES CHAGAS NETO

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