Resenha: A Febre - Megan Abbott

outubro 27, 2015 / Redação SOODA /

A Febre (The Fever)
Megan Abbott
Editora: Intrinseca
Ano: 2015
03 Estrelas

Na Escola Secundária de Dryden, Deenie e Lise são amigas inseparáveis. Filha do professor de química e irmã de um popular jogador de hóquei da escola, Deenie irradia a vulnerabilidade de uma típica adolescente de 16 anos. Quando Lise sofre uma inexplicável e violenta convulsão no meio de uma aula, ninguém sabe como reagir.
Os boatos começam a se espalhar na mesma velocidade que outras meninas passam a ter desmaios, convulsões e tiques nervosos, deixando os médicos intrigados e os pais apavorados. Os ataques seriam efeito colateral de uma vacina contra HPV? Teriam a ver com o lago contaminado? Ou seria o início de algo muito pior?
Envoltos em teorias e especulações, o pânico rapidamente se alastra pela escola e pela cidade, ameaçando a frágil sensação de segurança daquelas pessoas, que não conseguem compreender a causa da doença terrível e misteriosa.

Megan Abbott: É uma escritora norte americana, especializada em thrillers com um toque feminino. Ganhadora de vários prêmios, a sua última obra "A Febre" já foi considerado pelo The New York Times o livro do verão.

Imagine você no meio de um surto, que começou com a sua amiga, tendo convulsões, ataques, vômitos e desmaios, mas que se alastrou por toda as meninas de sua escola? Então, esse é o dilema de Deenie em “A Febre” história construída por Megan Abbot, onde com certeza o maior medo, encontra-se no desconhecido.



A história, que possui parte do seu enredo baseado em fatos reais, é sobre um caso de uma adolescente que sofreu uma crise de convulsão e desmaio, no qual ela teve de ser hospitalizada. Até esse momento, tudo bem, a questão é que vários adolescentes começaram a ter os mesmos sintomas, gerando pânico em toda a escola e na cidadezinha onde ocorreu os casos.Com medo, começaram a surgir vários boatos e teorias de conspirações relacionados ao fato, porém quanto mais o pânico se alastrava, mais uma jovem aparecia com sintomas relacionados ao da primeira.

Vocês podem perceber que a história é bem intrigante? Não? E de fato é, o enredo construído tinha tudo para tornar a história muito boa e se você pensar nessa perspectiva, acaba sendo uma história inovadora, como poucas que existem no mercado, porém a forma como a autora desenvolveu não funcionou 100% para mim.

É interessante a mistura que ela fez, entre o acontecimento principal que era o surto, que nos deixa totalmente intrigados e com vontade de saber mais, com as histórias paralelas dos adolescentes, como Deenie, Gabby, Lise, seu irmão Eli, Syke, entre outros e como esses jovens lidavam com a situação, porém o que seria o mais interessante na história, para mim, se tornou o maior problema. Ao colocar os diálogos adolescentes, a história acabou ficando com um ritmo mais lento, e eu que estava afoito, ficava meio decepcionado esperando os acontecimentos relacionados ao surto, enquanto lia o sofrimento do adolescente fulano, ou ciclano, isso me incomodou um pouco, mas para quem gosta desses dilemas é um prato em tanto.



Na história é interessante perceber o dilema entre o desconhecido e as várias teorias conspiratórias que envolviam a doença, pois parece que o ser humano precisa achar uma solução para o problema o mais rápido possível, sem ter o cuidado de espalhar cada vez mais o medo entre as pessoas, fico imaginando se o Ebola tivesse chegado de fato no lado ocidental do Globo, como seria o desespero da população, ao saber que a doença está tão próxima de ti. Uma das cenas que achei chocante (calma, não é spoiller), diz respeito a uma reunião que houve no Ginásio da escola, onde ocorreram os surtos, onde os pais estavam em desespero e as autoridades locais tentavam acalmar, mas que não havia efeito nenhum, porque o pânico já tinha se instaurado.

A história mescla, entre os fatos narrados em terceira pessoa na perspectiva de três personagens, Deenie, a melhor amiga de Lise, e uma das adolescentes que mais sofrem em relação aos acontecimentos, apesar de não ter sofrido com o surto. Soma-se a isso a história contada na perspectiva de Eli, o irmão galinha de Deenie, que aparentemente você não ver sentido, a história sendo contada na perspectiva dele, porém próximo ao final, existe alguns acontecimentos, que te faz compreender o motivo da autora ter escolhido a perspectiva dele. E ainda tem a história contada, na perspectiva do Pai de Deenie, o Tom, o professor da mesma escola que ela estuda, dando uma perspectiva para nos leitores de uma visão mais adulta da situação (talvez a visão da própria autora), além de claro, da visão de um professor que está vendo aquilo acontecer com tantas jovens.



Ao finalizar a leitura percebi, que apesar dos pontos que eu não gostei, a história conseguiu me trazer momentos de reflexão, relacionados principalmente as formas como as pessoas lidam com as crises, além de um clichê que é muito batido, mas que sempre vale a pena relembrar, que é: “Nem, tudo é o que parece ser”. Por fim “A Febre” é “um aumento na temperatura de nossa curiosidade, que pode explodir um termômetro antes de acabar o livro”. Vamos esperar pela série que irá sair em breve.

Obs: O enredo relacionado ao surto e teorias da conspiração que são baseados em fatos reais, o resto é ficção criada por Megan Abbott, saiba mais.

Conheça um pouco sobre a doença, que tem afetado alguns personagens da história.

Skoob: 3,2 Estrelas
Goodreads: 3,18 Estrelas

 Esse Livro também estará no Thriller In The Book: Literartura do Terror Sobre os Olhos da Alma

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