Resenha: Psicose - Robert Bloch

outubro 29, 2015 / Everton Assis /

Psicose retorna para te questionar até que ponto vai a mente humana



Psicose (PSYCHO)
Robert Bloch
Editora: Best-Seller
Ano: 1964
04 Estrelas

Livro que deu origem ao mais famoso filme de suspense de todos os tempos. Psicose conta a história de Marion Crane, que foge após roubar o dinheiro que foi confiado a ela depositar num banco. Ela então vai parar no Bates Motel, cujo proprietário é Norman Bates, um homem atormentado por sua mãe controladora. Belo suspense, de tirar o fôlego!

Robert Bloch: Foi um conceituado escritor norte-americano, mais conhecido pelo seu romance de horror Psicose (1959). Foi roteirista e um autor prolífico no gênero da ficção científica. Bloch foi por diversas vezes galardoado, tendo recebido um Prêmio Hugo, um Bram Stoker Award e um World Fantasy Award. Chegou a ser presidente de 1970 a 1971 da Mistery Writers of America e foi membro da Science Fiction and Fantasy Writers of America.

Em 1960 Alfred Hitchcock faz um dos maiores filmes de horror e suspense da história do cinema, que o consagrou como um grande cineasta. Até os dias de hoje é difícil conhecer alguém que não tenha vista a clássica cena do banheiro, em que uma mulher é atacada e esfaqueada na banheira. Um filme de apenas 800 mil dólares, que se tornou um dos maiores fenômenos do cinema. O que é interessante é que a obra cinematográfica ficou tão marcante, que poucas pessoas sabem, que na verdade ela foi baseada no livro de Robert Bloch, no qual vamos falar nesse post.

“Não havia recurso – cavara a sua própria cova, agora tinha de deitar-se nela. Mas porque pensava assim? Não era cova: era leito.” (p.3)

Para quem não conhece, Psicose se trata da história de Mary Krane que ao roubar uma quantia de 40 mil dólares (eles tratam esse valor, como se fosse uns 500 mil, vai ver na década de 50 era... Rá) de seu chefe ela foge ao encontro de seu namorado, mas vai para em um motel próximo a cidade de Fairvale, onde o dono do estabelecimento Normam Bates (no livro ele é um gordo de 40 anos, nesse caso prefiro o do filme, heheheh) a recebe, e depois convida-a para jantar, porém Mary acaba descobrindo o relacionamento conturbado, entre Normam e sua mãe que culmina em seu sumiço.

Nesse contexto, várias pessoas passam a procurar Mary Krane, a sua irmã, o seu namorado e o inspetor contratado por seu ex-chefe. Em meio a todo esse enredo, descobrimos coisas bem interessantes que nos leva a um final, onde a gente passa muitas horas pensando, em como a distância entre loucura e a normalidade é tão tênue, que chega a muita das vezes serem cruéis.

Boa parte do livro acaba se desenrolando na mente de Normam Bates e sua visão entre as variadas situações, o que acaba sendo interessante, pois podemos conhecer a fundo como é o relacionamento entre ele e sua mãe, que demonstra ser bem conturbado, cheio de altos e baixos e com uma dependência extraordinária, do tipo, um não vive sem o outro, talvez por isso Normam Bates, nunca tenha tido uma namorada, ou outro relacionamento. Aliás, a principal diferença entre o filme e o livro se encontra nesse momento, pois no filme apesar do esforço extraordinário de Hitchcock, mas a gente não consegue decifrar o que Normam Bates, pensa a respeito do que está acontecendo.

Apesar de haver muitas críticas a Robert Bloch e sua escrita, desenvolvimento do enredo. Eu acabei gostando, porque achei que ele consegue mesclar bem o desenvolvimento na história, entre a primeira e terceira pessoa, com muito cuidado, para que os leitores não se confundam, qual a perspectiva daquele capitulo. Por falar nisso, os capítulos não são longos, nem tão descritivos, são relativamente objetivos. Confesso que alguns momentos eu devaneei sobre a história, que no final tive que ler umas duas vezes, para poder voltar ao foco.

Com certeza as cenas de suspense são as melhores, porque você está la, curtindo a história numa boa, parece um diálogo comum, um papinho qualquer, quando de repente, Vráááááá ! Algo acontece, é tipo um tapa na cara inesperado, desses, ei acorda, tu estas num Thriller psicológico, Rá! E está mesmo, a mente humana é algo complicado, e Robert Bloch mostra bem isso. Semelhante ao filme, depois do Climáx, o final é muito rápido, e tenta te explicar a história em poucas linhas, o que faz tu levar um tempinho para entender o que de fato é tudo isso, do ponto de vista da psicologia.

Como eu já tinha visto o filme e obviamente já sabia o final, então minha perspectiva em relação ao que ia acontecer era um pouco menor, já lia alguns diálogos, e situações sabendo a verdade, afinal o filme é um baita spoiler né, apesar de ter umas diferenças bem significativas, em relação ao enredo da história. Mas a leitura mesmo assim, se tornou surpreendente para mim, e com certeza o universo de Normam Bates precisa ser explorado, seja no livro, filme ou série, porque seus parâmetros e experiências nos colocam em um processo que ajuda a compreender a mentalidade humana, ela possuindo uma patologia, ou não.

Ah, sim a editora Darkside lançou uma edição comemorativa do livro, maravilhosaaa, não foi a que eu li, mas vale a pena compra-la, se você não tiver, porque tem uma diagramação muito boa e fácil leitura, além da tradução que também está ótima, inclusive possui coisas que não vemos nas outras edições, até porque não tinha essa preocupação que existe hoje em dia, a edição antiga, no final das contas é mais nostálgica do que acessível para leitura.



No mais, “Psicose é uma leitura que te arranca das entranhas os maiores medos e te levar a refletir, que a insanidade humana está tão próxima, que a escolha entre o bem e o mal,é tão tênue que basta alguns passos errados, até daquele que te ama” (Francisco Chagas Neto).

E se puderem, leiam o livro e assistam o filme e a série (Disponíveis no Netflix) para uma experiência completa de Normam Bates.

Após a misteriosa morte de seu marido, Norma Bates decidiu começar uma nova vida longe do Arizona, na pequena cidade de White Pine Bay, em Oregon, e leva o filho Norman, de 17 anos, com ela. Ela comprou um velho motel abandonado e a mansão ao lado. Mãe e filho sempre compartilharam uma relação complexa, quase incestuosa. Trágicos acontecimentos vai empurrá-los ainda mais. Todos eles agora compartilham um segredo obscuro.


“Engraçado (...) como acreditamos conhecer completamente uma pessoa, só porque a vemos algumas vêzes ou porque nos sentimos ligados a ela por um elo emotivo” (p. 62)

Skoob: 4,6 Estrelas
Goodreads: 4,6 Estrelas

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