Resenha: Para Você não se Perder no Bairro - Patrick Modiano (Ganhador do Prêmio Nobel 2014)

novembro 19, 2015 / Redação SOODA /


Para Você não se Perder no Bairro (Pour que tu ne te perdes pas dans le quartier)
Patrick Modiano (Ganhador do Prêmio Nobel 2014)
Editora: Rocco
Ano: 2015
04 Estrelas

Mais recente romance do ganhador do Prêmio Nobel de Literatura 2014, Patrick Modiano, Para você não se perder no bairro é a saga íntima de um homem em busca da sua identidade. Curto, elegante e hipnótico, como a maioria das obras do autor, o romance conta a história de Jean Daragane, um escritor veterano cuja rotina solitária é alterada após receber a ligação de um desconhecido que alega querer devolver a ele uma caderneta de endereços e telefones. A partir do inusitado encontro num café de Paris, Modiano conduz o leitor por uma investigação detetivesca que desenterra fantasmas do passado, levando a história a um de seus temas preferidos: o período da ocupação da França pelos nazistas durante a Segunda Guerra. Em 2014, a Rocco relançou três clássicos do escritor laureado com o prêmio máximo da literatura em novo projeto gráfico – Ronda da noite, Dora Bruder e Uma rua de Roma.

Patrick Modiano até o ano de 2014 era um autor totalmente desconhecido no Brasil, devido a pouquíssimas traduções feitas para o português de sua obra. Até que em 2014 o jogo começa a virar depois que ele foi anunciado como o ganhador do Prêmio Nobel da Literatura, tornando-o mais conhecido no mercado brasileiro e dentre os seus mais de 30 titulos, cerca de 10 já estão nas prateleiras brasileiras, sendo a sua maioria já publicado pela Editora Rocco, nos apresentando as suas bélissimas obras, a qual teremos a oportunidade de conhecer uma de suas mais recentes, nessa resenha.



"(...) essas recordações se lhe escapavam aos poucos, como bolhas de sabão ou lampejos de um sonho que se diluem ao despertar." (p.11)

Quando a gente pega um livro pra ler, busca sempre uma sensação, uma nova experiência, um incômodo e ao ler pela primeira vez Modiano, senti um grande incomodo, que me deixou imerso em uma reflexão enorme acerca da relação entre a memória e o esquecimento (foi o primeiro livro cult de 2015, hahahahah Pera aí, esqueçam o que falei, eu não disse isso, eu não disse isso... Tah, deixa pra lá, continuemos a resenha).

O livro conta a história do escritor Jean Daragane que tem mais de 60 anos, que perde a sua agenda de contatos, e é achado por Gilles Ottolini, um misterioso rapaz que após entregar a agenda a Jean, começa a questiona-lo sobre um senhor chamado Guy Torstel, pois está escrevendo um artigo policial. Jean não consegue se recordar desse nome, então após uns dias a secretária de Jean, a Sra. Chantal o entrega um suposto dossiê, o qual envolve várias pessoas, sendo então um gatilho para as memórias de Jean.

O que parecia ser a trama principal, na verdade é apenas um start para as memórias de Daragane. O que da a real profundidade do livro são suas reflexões, devaneios, que nos imerge em vários momentos de sua vida, não seguindo uma ordem cronológica, afinal alguém me diz quem é a pessoa que tem pensamentos sistemáticos e que não sai devaneando por ai, sem rumo. Aliás, as vezes me sinto sem rumo em meios aos pensamentos de Daragane, mas esse é o processo, você seguir em suas memórias, sem rumo, chegando a um final desacreditando que o livro acabou, porque a história é linda, dramática (não melodramática) bem ao estilo francês de escrever.



"(...) acabamos sempre por esquecer os detalhes incômodos e muito dolorosos de nossas vidas." (p.92)

O que é mais interessante no livro são os gatilhos que o levam a lembrar de muitos acontecimentos, e se formos pensar nesse processo, é muito interessante como funciona a relação entre memória e esquecimento, afinal, alguns pensamentos estão fixos em nossas mentes e são de fácil lembrança, outros estão mais profundos em nossas almas, em nossos seres e é necessário um reforço, seja por meio de palavras, expressões, edificações, locais, cheiros para fazer a gente lembrar determinadas situações, alias como na história as vezes é necessário a gente construir uma linha de pensamento, por meio de vários gatilhos, para então chegar ao nosso objetivo final.

Claro, possuindo como cenário a Paris, seja de 1950, alguns anos após a segunda guerra, seja nos dias de hoje, com certeza possui belezas que é de deixar qualquer história linda, só por acontecer em Paris, veja abaixo, alguns dos cenários maravilhosos desse livro.

Bairro de Saint - Leu - La - Forêt

Place Blanche

Enfim a história de Modiano "é uma passagem curta pelo centro das reflexões entre memória e esquecimento, com profundidade, devaneios, mas um carisma que torna a história um pedaço de nossas vidas, nossas profundidades e devaneios"

"E as lembranças que lhe restam de tudo isso também são cercadas pelo esquecimento, com exceção de imagens mais precisas, quando o filme trava e acaba se fixando em uma delas" (p. 139)



Leia, uma das resenhas que nos ajudou a compreender muito esse livro: Clique Aqui.

SKOOB: 3,6 Estrelas
GOODREADS: 3,3 Estrelas

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