Resenha: A SOLTEIRONA - Saulo Sisnando

dezembro 28, 2015 / Francisco Soares Chagas Neto /


A SOLTEIRONA
A saga cômica de Maria Eduarda em busca de seu grande amor.
Saulo Sisnando
Editora: Giostri
Ano: 2015
03 Estrelas

Maria Eduarda é uma mulher de quase 30 anos que, na noite de réveillon, decide encontrar o grande amor de sua vida em seis meses. Ao lado de seus amigos envereda nessa louca jornada, passeando por várias boates e marcando encontros por redes sociais. Certa noite ela acaba conhecendo Pedro, que acredita ser seu príncipe encantado, pois é rico e bonito. Mas Pedro tem um segredo porque sempre desaparece, trazendo sofrimento para Duda. Divertida e atual, uma história que fala a linguagem da mulher moderna.

OBS: Esse livro foi fornecido pelo autor Saulo Sisnando, para que a gente pudesse apreciar a obra e delinear nossos comentários, porém vale ressaltar que a doação do autor não influenciou nas críticas referente ao livro, a Fofura com certeza (Aproveitem, hahahaha).

Autor: Saulo Sisnando é escritor, dramaturgo, ator e diretor teatral. É formado em Direito e tem mestrado em Artes. Possui vários contos premiados e publicados pela UFPa e, em 2007, estreou o primeiro espetáculo como dramaturgo. Aproveitando o sucesso da peça, produziu outros espetáculos. Em 2012, roteirizou, dirigiu e atuou na websérie A solteirona: como sobreviver ao maior pé na bunda do século, premiada com a bolsa de experimentação artística do Instituto de Artes do Pará.

“Ela estava nesse mundo apenas ocupando espaço, se aproveitando dos restos oferecidos e nadando para não se afogar neles” (P. 108)

Resenha: Como diz a nossa conterrânea paraense Gaby Amarantos “Hoje, eu to solteira, hoje eu to solteira”. E assim estava Maria Eduarda, chegando a mais um ano, e ficando desesperada, por SIM ela estava solteira, quando ela decide dá uma guinada na vida, e tenta encontrar um homem para juntar seus trapos, e sair do pistão. Essa “Premissa” pode ser minha, sua, do seu amigo, ou dos milhões de solteiros que existe nesse mundo. É assim que me sinto lendo “A Solteirona” de Saulo Sisnando, como se a realidade tivesse se tornado ficção, que se torna realidade de novo (Oi?).




A história conta detalhes da vida de Maria Eduarda, uma advogada frustrada, com emprego longe daquilo que ela imaginou para vida dela, que simplesmente sente como se houvesse um vazio dentro de si e que ela precisa mudar, precisa seguir em frente, e que um homem seria a solução para os seus problemas, mas como conseguir um? É nesse momento que ela se mete em um monte de confusões, junto com os seus amigos Carolina, uma mulher, que ainda não sabe muito o que quer da vida, e Douglas, um médico com uma carreira ótima e gay.

Os três realmente beiram a loucura em diversas situações (e a futilidade também) o que torna a história bem divertida, com confusões meio sem noção, mas provocada pelo temperamento impulsivo, especialmente de Maria Eduarda, o que faz lembrar que em muitas fases de nossa vida nós seguimos nesse rumo, um grupo de amigos que faz um monte de loucura, e no outro dia só resta rir da cara um do outro. São experiências que apesar de cômicas, podem nos transformar, nos amadurecer e talvez esse seja um dos problemas de Maria Eduarda, apesar de adulta, mas ainda não possui um amadurecimento emocional, o que não é ruim para o enredo e sim na vida dela (hehehehe).

Carolina, amiga de Maria Eduarda, não sabe muito o que quer da vida dela, não sabe mesmo (é sério, hehehe), pula de galho em galho, acorda tarde e não me recordo de nenhuma cena que impediu ela de ir em algum lugar, pois estava trabalhando. Douglas já é ao contrário tem uma vida quase estabelecida, e tem problemas pois quer um príncipe encantado em sua vida, de preferência bom de cama (heheheheh). Enfim, além desses dois amigos, Eduarda tem uma mãe que não bate muito bem da bola, com uns conselhos, meio “tem certeza que você é minha mãe”?

A história se passa na cidade de Belém e eu como paraense consigo me identificar com essas situações, claro que não passei por todas elas, mas tem uma ou outra que parecem que foi tirado de um diário meu escondido as sete chaves, e o autor pegou e leu e disse, vou colocar. Acho que muitas pessoas vão sentir isso ao se debruçar na leitura.




A escrita do Saulo Sisnando é bem simples e fluída, te levando ao final da história em algumas horinhas, não sem antes algumas risadas, daquelas bem gostosas. Existem muitas referências de gírias e expressões, tanto do grupo de GLBT´s como de uma socialite da capital paraense (no fundo acho que Maria Eduarda tem esse perfil), o que é engraçado, e faz a gente se identificar ainda mais com a história. Os capítulos são bem curtos, e nomeado com expressões, ou situações que são o marco daquele capítulo. E outra coisa, o livro possui algumas cenas relativamente caliente, e com algumas palavras de baixo calão, que ao meu ver são importantes para a história, pois faz parte do cotidiano da Maria Eduarda.

“(...) ela era má, metida, venenosa. Fodam-se os politicamente corretos! Mas jamais conseguiria flertar com um homem como aquele, que a chamava de belezura, possuía o nome de Roberdson e era um microempresário do jogo do bicho.” (p. 51)

Uma questão que achei que fugiu um pouco do ponto, foram alguns preconceitos, que achei não acrescentava na história, ao contrário aumentava a antipatia que comecei a ter pela personagem, porque comecei a achar ela relativamente fútil, o que em si não é ruim, mas devido alguns excessos, me travou um pouco, especialmente, nos capítulos finais, até que finalmente o autor chega com um final, maravilhoso, que nos leva as reflexões bem interessantes sobre a busca desenfreada por um relacionamento.




Dessa Forma “A Solteirona é uma ficção baseada na minha, na sua, na nossa história e de como superar a barreira do medo de ficar sozinho e ter uma vida maravilhosa com a sua melhor companhia, seu coração”.

“Pois bem! A vida era sua; o filme, seu. Fodam-se os finais babacas! Já era hora de provar a Hollywood, que eles são um bando de debiloides desconhecedores da vontade feminina. ” (p. 176)

Confira a Websérie A Solteirona clicando aqui
Skoob: 4.3 Estrelas

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