Discussão: Kéfera, Christian, Vitória Moraes e outros Youtubers lançando livros e o preconceito literário.

janeiro 31, 2016 / Redação SOODA /



Essa semana, um vídeo de uma garota de 15 anos viralizou (daqui a pouco vira verbo) na internet, onde ela mostrava seu material escolar e entre eles um caderno, com uma ilustração (proposital o uso do termo) de Romero Britto, na qual a garota afirmava que era do pintor espanhol Pablo Picasso. Soma-se ainda ao fato que ela se achava a "Diferentona" por comprar esse material. (Oi?) Enfim, para completar a editora Intrínseca, confirmou o lançamento do livro de Vitória Moraes, adolescente que protagonizou esse deslize, que por sinal tem um canal no youtube com mais de 2 milhões de inscritos. Ai fica-se a pergunta? porque? por que lançar Kefera Buchmann? por que lançar Christian Moraes e outros youtubers no mundo dos livros? com biografia de personalidades que mal completaram 20 anos (no caso de Vitória Moraes 15 anos).



Primeiramente vale ressaltar que as editoras não irão parar de lançar esses personagens, porque vende, provavelmente mais do que qualquer livro de ficção daqueles que amamos, ou biografias de políticos e personagens importantes da nossa história. Kefera, que possui um canal no Youtube com mais de 7 milhões de seguidores (esse número deve chegar a 10 até o final do ano), lançou ano passado "Muito mais que 5 Minutos" que figurou nas listas de mais vendidos até o final do ano. Christian não fica atras, tem dois livros lançados, que figuraram nessa mesma lista. Temos que ter em vista que da mesma forma que nós somos influenciados pelo mercado, o mercado é influenciado por nós, ele não está oferecendo nada de forma forçada, apesar de ter muitos artifícios para nos convencer a comprar, ele somente viu a oportunidade nessas personalidades para vender mais.

São milhões de inscritos, ou até não inscritos que comprarão o livro, seja por ser fã, curiosidade, ou qualquer outro motivo, vão comprar. Por que? porque esses jovens influenciam atual juventude, eles são um fenômeno que a atualidade propõe a todos nós. Se antigamente comprávamos todos os posters e revistas de Sandy e Junior, Wanessa, Britney, esses jovens agora seguem esses personagens, porque eles sentem a empatia necessária para segui-los, e quando o canal faz sucesso, os jovens participam.

Essa semana vi uma palestra no Periscope com a blogueira e autora brasileira Bruna Vieira, que apesar de jovem, já tem uns bons anos nesse mercado, e ela afirma, que os jovens que a seguem normalmente tem muito empatia com ela, de tal forma que ela não sente que tem fãs e sim uma grande rede de amigos, porque as pessoas que hoje estão nesse meio, vivem nas redes sociais, as vezes até mais que no mundo físico. Isso não é bom ou ruim, mas deve-se tomar cuidado com algumas nuances desse fenômeno e para isso entra a figura dos profissionais, como professores, além dos pais para monitorar esse sistema em relação a como utilizar esses meios para evitar algumas distorções, como o caso da Vitória Moraes, que até então não imaginava o impacto de seus vídeos até cometer uma gafe dessa, ou então a Kéfera que fez uma brincadeira com seus "haters", sem dimensionar que isso provocaria uma enxurrada de criticas ao seu comportamento, porque vale ressaltar, ao expor as suas vidas, os youtubers estão passíveis de julgamentos, e devem ter isso em mente.

E nos livros que eles produzem isso funciona da mesma forma, não devemos proibi-los de publicar livros, ou de vende-los só porque não é o gênero que nos afeiçoamos, ou porque eles não tem uma vida digna de biografia. Pode até ser verdade, mas de certa forma, essas histórias poderão ter impactos significativos entre os jovens leitores (Que não vai ser o meu caso), nem que seja ele bom ou ruim. Deve-se ter em mente que qualquer experiência literária será importante em nossas vidas, mesmo que seja a de não adquirir esse tipo de obra, nunca mais, ou perceber que aqueles discursos são falhos, ruins, e que não devem ser seguidos.

Na minha concepção, preconceito literário só irá gerar mais preconceito literário, você tem todo o direito de não gostar da obra, desde que você não chegue detonando aos quatro ventos que esse livro não deveria ser lido, e odiá-lo mais, do que difundir aquele livro que você ama (já vi muito disso), afinal do mesmo jeito que você teve o livre-arbítrio de escolher o que vai ler, todos também podem ter. Quem sabe depois dessa obra a pessoa vá atras de outras leituras mais interessantes, ou não!! Isso é uma escolha individual. E finalizando esse post, deixo vocês uma frase de Voltaire adaptada "Posso não concordar com que você lê, mas defenderei até a morte o seu direito de escolher a sua leitura".

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