Resenha: Miniaturista - Jessie Burton

fevereiro 09, 2016 / Francisco Soares Chagas Neto /


Miniaturista (The Miniaturist)
Jessie Burton
Editora: Intrínseca
Ano: 2015
5 Estrelas

No outono muito frio de 1686, Nella Oortman, de 18 anos, chega em Amsterdã para começar uma nova vida como esposa do ilustre comerciante Johannes Brandt. Mas sua nova casa, apesar de esplendorosa, não é acolhedora. Johannes é gentil, porém distante; sempre trancado em seu escritório ou no depósito onde guarda seus produtos, deixa Nella sozinha com a irmã dele, a maliciosa e ameaçadora Marin. A jovem não consegue se aproximar do marido e parece que o casamento nunca será consumado.
Mas o mundo de Nella muda quando Johannes lhe dá um extraordinário presente de casamento: uma réplica da casa deles em miniatura. A maquete é exatamente como a casa em que moram, com os mesmos quadros, tapeçarias e objetos de arte. Para mobiliar a casinha, Nella contrata os serviços de um miniaturista — um artista furtivo e enigmático, cujas criações são cópias perfeitas dos móveis e objetos da casa. O artesão envia a Nella itens finamente talhados, alguns que nem sequer foram requisitados, e bonecos que repetem e algumas vezes predizem os acontecimentos da cada vez mais estranha vida de Nella na casa.
O presente de Johannes ajuda a esposa a compreender o mundo da família Brandt, mas, à medida que ela descobre seus segredos, começa a temer os perigos crescentes que os cercam.
Nessa sociedade religiosa e repressiva, em que o ouro só é menos venerado que Deus, ser diferente é uma ameaça às morais e nem um homem como Johannes está livre. Apenas uma pessoa parece capaz de enxergar o futuro que os aguarda. Seria o miniaturista a senha para a salvação ou o arquiteto da destruição?

Autora: Jessie Burton Nasceu em 1982. Estudou na Universidade de Oxford e na Central School of Speech and Drama, além de trabalhar como atriz e assistente executiva em Londres, onde mora atualmente. Best-seller internacional, Miniaturista é seu primeiro romance e foi publicado em mais de 30 idiomas.

“A precisão do Armário é assustadora, como se a casa de verdade tivesse sido encolhida, sua estrutura cortada ao meio e seus órgãos expostos (...)” (p. 49)

Resenha: Tem coisas que as vezes é tão difícil de explicar, com certeza agora, uma delas é sem dúvidas o que eu sinto ao terminar esse livro, não sei, talvez o quanto evoluímos, ou o quanto precisamos evoluir, parece que o passado e o futuro se cruzaram na história que fico a pensar: O que precisamos ser/fazer para se tornar uma sociedade onde todos podem viver amigavelmente. Amei esse livro é o primeiro romance histórico que me aventuro (pelo menos que eu lembre). Então vamos lá para as minhas impressões.


Holanda do Século XVII

A história se passa na Holanda do século XVII, entre os anos de 1686 e 1687, Nessa época a Holanda se tornou independente, começou a expandir suas fronteiras mundo a fora (inclusive pisando aqui em terras tupiniquins) e se tornou um dos grandes centros da economia mundial, devido além de seus produtos, a sua Bolsa de Valores que era o que tinha de melhor na Europa naquela época. Com isso, a Holanda cresceu, colonizou, e se tornou a poderosa no chamado “Século de Ouro”, ocorrido na Holanda no século XVII, e Nesse pano de fundo, Jessie Burton cria a história de Petronella.

Nella, como também era chamada, tinha 18 anos e vivia no interior, foi para capital de Amsterdã, casar-se com Johannes, um comerciante de 30 e poucos anos, num casamento arranjado, por sua mãe, que achava comum, devido os costumes da época, tendo em vista que sua família, caiu na pobreza, depois da morte de seu pai e ela seria então a solução para o problema de todas.




“Você precisa se casar com um homem capaz de manter um florim no bolso – disse a mãe dela (...) Olhe pra você. O que mais nós, mulheres, temos? (...)” (p. 25)´

Porém, o que elas não sabiam é que Nella, casaria com um grande problema. Seu marido, nunca comparecia, sempre estava distante, a deixando solitária e triste, pois foi doutrinada para um casamento, mas até o momento era tudo que ela não tinha. Marin, era a cunhada rabugenta, que fazia um inferno a vida de Nella, pois sempre manteve o domínio da casa para si, e não gostaria de dividi-la com ninguém, os dois empregados também vieram nesse bolo, um deles é Otto, um negro vindo do Suriname, que era tratado como um ser humano normal, diferente de tudo que ela já tinha visto, e Cornélia, era uma órfã que naquela casa, circulava como se fosse a dona, quase nunca respeitando Petronella. Johannes vendo Nella triste, resolve entrega-la uma réplica de sua casa para ela para que ela pudesse cuidar, e assim aconteceu. Mesmo vendo aquilo como uma afronta, Nella vai atrás de um Miniaturista para fazer objetos para ela. Dias depois, os objetos da casa chegavam, porém além dos objetos solicitados, O Miniaturista enviava produtos, que perteciam ao futuro de Nella, e ela então se assustou com isso, Quem seria o Miniaturista? O que ele queria? Porque escolheu ela? E assim o livro começa então a se desenvolver.




O início do livro é um pouco mais lento, com os acontecimentos mais devagar, reconhecimento da história, até o final da primeira parte, ai de repente (Boooooom), não vivo mais sem esse livro (hahahahahah). A história começa a acontecer, e você nem tem tempo para respirar até que (Booooom), e esse bombardeio continua até umas 50 páginas antes do final, quando os acontecimentos esfriam, e o final voltar a ter um ritmo mais lento, para que você possa se deliciar com o fim, e sofrer, e sofrer muito (não é um dramalhão). E se você parar pra pensar as coisas que a autora escreve, tinham que acontecer, senão a história não teria o mesmo sentido.

Nella imaginou que aquela família doida tinha muitos segredos, mas não pensou que seriam tantos, e que impactariam ela, a faria crescer, como nós crescemos junto com ela. E aí que o Miniaturista entra no jogo, ele só quer destruir a vida de Petronella, ou quer alerta-la de algo? Petronella fica muito curiosa, para saber como ele poderia saber tantas coisas sobre a vida dela.

“Nella volta para a casa e corre diretamente para a casa de bonecas (...), os dedos percorrendo as peças da Miniaturista. Elas têm uma energia diferente, estão carregadas de um significado que Nella não consegue compreender (...)” (P. 116).

É muito interessante como a autora desenvolve a história, com muitas críticas, principalmente em relação a igreja católica naquela época, a qual detinha o seu poder junto com o Estado, e talvez os problemas enfrentados pela família de Nella, na verdade se tornaram problemas porque a sociedade determinou que assim fosse, o que nos leva a reflexão até mesmo dos dias atuais, claro que os acontecimentos naquela época são absurdos, apesar de verdadeiros, mas no levar a refletir o quão absurdo é o que fazemos no dia de hoje?




Inclusive uma das maiores discussões no livro é o papel da mulher na sociedade (posso falar isso, que não é spoiler, hahahaha), e Nella e Marin são fundamentais nisso, Nella foi doutrinada a acreditar que a mulher devia se casar, ter filhos e pronto, mas ela de fato nunca quis isso, mesmo assim, sofria muito no início da história porque Johannes não ia até seu quarto cumpri o seu “papel de homem”, é de se pensar, garota, tu é bipolar? Mas a gente de fato sabe que não é isso, é todo um contexto cultural envolvido à época e a autora soube caminhar nessa estrada direitinho.

O livro é dividido em 5 partes, e em cada parte existem vários capítulos, além disso foi colocado um prólogo, que na verdade poderia ser muito bem um epílogo, pois mostra a Petronella em um funeral, porém não dá indícios nenhum de quem seria o personagem, então fiquem despreocupados de lê-lo, inclusive pra mim ele não funcionou muito, apesar de ter achado interessante ela ter colocado essa perspectiva no livro. A capa é muito bonita, diferente da capa inglesa, mas tão bonita quanto, apesar de confundi o leitor que se não ler a sinopse, não compreende que se trata de um romance histórico e não de um suspense. Ah, você pode encaixa-lo depois em outro gênero literário, mas não posso falar o que é se não é um baita spoiler.



Por favor, leiam o livro e comentem comigo, preciso comentar com alguém os acontecimentos desse livro, ele mexeu muito comigo, de verdade (hahahahha). No mais a gente percebe que ele “percorre a Holanda do século XVII, nos passos atuais, nos mostrando que podemos ser melhores”.

“Há uma história ali, e parece ser de Nella, mas não é ela contando. ‘A miniaturista dita a minha vida’, pensa. ‘e não consigo saber quais são as consequências’.” (p.206)

Skoob: 3.7 Estrelas
Goodreads: 3.5 Estrelas

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