Entrevista com Georgina Cavendish (Caim: O Primeiro Vampiro)

março 10, 2016 / Redação SOODA /


Olá Galera, hoje como prometido, trazemos uma entrevista com a autora Georgina Cavendish, que no último dia 25/02 lançou na saraiva do Shopping Boulevard Belém, o seu primeiro livro "Caim: O Primeiro Vampiro" (Resenha aqui), com um enredo trazendo a teoria de que o primeiro vampiro de nossa humanidade seria Caim (da Biblia). O Livro é o primeiro de uma série onde a autora trará a trajetória dos vampiros no mundo, passando por vários momentos de nossa história.

Na entrevista aproveitamos para conhecer um pouco mais sobre a teoria vampiresca que a autora segue, novidades dos próximos lançamentos, além de inspirações buscadas para compor o seu projeto. A autora é paraense Papá-Xibé, mas passou um ano na Inglaterra estudando sobre escrita literária. E com certeza essa mistura deu muito certo. Então sem mais, vamos lá?

SOBRE OS OLHOS DA ALMA: O livro Caim: O Primeiro Vampiro conta uma possível origem dos vampiros na humanidade. Como surgiu a ideia da obra e construção do enredo?
GEORGINA CAVENDISH: Confesso que nunca tive a intenção de escrever "Caim", muito menos de publicá-lo. Desde 2009, trabalho em outro projeto, este sim propriamente dito meu primeiro livro, que conta a história de um vampiro no Séc. XVIII e início do Séc. XIX e as impressão dele sobre aquilo que acontecia ao redor dele e na Europa daquele período. O primeiro de uma trilogia sobre a vida desse vampiro. Durante a construção deste enredo, perguntei-me se definir como teria surgido o primeiro vampiro não facilitaria minha visão quanto aos "posteriores", ainda que eu já tivesse uma boa visão do que eu definia como vampiro. Assim, embarquei nesse novo projeto com o intuito de que ele apenas me auxiliasse a ter um conhecimento mais amplo daquele universo que eu havia e estava, continuamente, criando. Quanto ao enredo, sempre achei que se vampiros de fato existissem, teriam sido criaturas propositalmente criadas por Deus por algum motivo e a história bíblica de Caim e Abel, analisando Gênesis, parecia o ponto ideal para essa "introdução", devido ao castigo estipulado por Deus a Caim, personagem que havia assassinado o próprio irmão.



SOBRE OS OLHOS DA ALMA: Podemos perceber que Caim tem uma personalidade, especialmente humana, cheia de falhas e arrependimentos, bem semelhante ao Caim que conhecemos da Bíblia Sagrada. O quanto da personalidade de Caim bíblico você quis aplicar na história? Qual o sentido a que você quis chegar ao construir essas semelhanças?
GEORGINA CAVENDISH:Sinceramente, meu intuito sempre foi retratar o Caim bíblico e não fugir daquele personagem. Antes de vampiro, Caim fora humano, com todos os conflitos, qualidades e defeitos que fazem de nós o que somos. Uma mudança de condição não extinguiria sua natureza humana, poderia diminui-la, sim, mas não extingui-la. Dessa forma, meu intuito era pegar uma personagem que conhecíamos, humana em sua essência, e desenvolvê-la ao colocá-la ante a uma nova condição.

SOBRE OS OLHOS DA ALMA: Caim tem um arrependimento muito grande a partir de suas ações. Esse seria um dos fardos de ser um vampiro? Seria então uma punição ter virado vampiro?
GEORGINA CAVENDISH:Deus sempre teve a intenção de punir Caim por seus atos, de modo que a nova condição da personagem vem acompanhada de várias consequências que direta ou indiretamente culminam na necessidade de matar, reportando-o ao seu ato inicial: o assassinato de seu irmão. Qual a melhor maneira de castigo se não a lembrança constante de um erro que o mudou de maneira irreversível? Portanto, sim. Carregar sentimentos como arrependimento seria um dos grandes fardos dessa nova condição. Dessa forma, não há dúvidas que, ao contrário de um privilégio, a transformação em vampiro se trata na verdade de uma punição.



SOBRE OS OLHOS DA ALMA: Qual a sua relação com a cultura vampiresca? O que mais te fascina?
GEORGINA CAVENDISH:Desde muito nova, histórias sobre criaturas que usavam a noite como principal aliada sempre me chamaram atenção. Sempre tive o gosto pelo misterioso, oculto e sobrenatural. De todas as criaturas criadas, o vampiro sempre foi o que mais me fascinou, principalmente pelo seu forte conceito romântico, que é o mais utilizado até hoje, que nos reporta ao Séc. XIX, quando essas criaturas ganharam uma nova construção estética associada a nobreza. E, sobretudo, por ser o que chamo de uma "personagem histórica", ou seja, capaz de presenciar e acompanhar diversas épocas e suas mudanças, assim como o que isso acarreta a sociedade.

SOBRE OS OLHOS DA ALMA: O romance é algo presente nas tramas vampirescas e aqui não seria diferente. Mas qual o papel do romance na trama de "Caim: O Primeiro Vampiro"?
GEORGINA CAVENDISH:Sabe-se que vampiros são seres ligados ao sensual, uma vez que parte da atração que eles exercem sobre suas vítimas depende desta característica, portanto acredito que seja praticamente obrigatório nem que seja apenas a alusão desta característica em livros que tratam sobre o assunto. E o romance, muitas vezes, é consequência disso. Em "Caim, O Primeiro Vampiro" não poderia ser diferente, mas o romance tem o papel a mais aqui, que seria justamente expor mais uma das punições aplicadas por Deus a Caim, pois através desse é possível mostrar que, ao contrário das demais criaturas criadas, ao vampiro não é permitido sua realização plena, uma vez que se trata de um ser condenado a permanecer infinitamente, enquanto todos os outros tem um tempo pré-determinado.

SOBRE OS OLHOS DA ALMA: Uma coisa que achei bem interessante é a ideia de que uma maldade leva a outra e assim o mal se perpetua na humanidade. Seria um exagero dizer que os vampiros seriam a personificação da maldade humana?
GEORGINA CAVENDISH: Não diria que o vampiro em si é a personificação da maldade humana, mas a natureza vampírica sim.



SOBRE OS OLHOS DA ALMA: Como você disse no próprio livro, esse é só um inicio para uma trajetória de historias vampirescas que você pretende lançar. Então, o que vem por ai? O que podemos esperar para os próximos anos?
GEORGINA CAVENDISH:Confesso que, primeiramente, eu só tinha a trilogia principal que citei anteriormente em mente e algumas histórias de personagens que surgem nela para depois, mas a partir de "Caim" novas possibilidades se revelaram e, agora pretendo demorar um pouco mais para chegar a esta trilogia, contando algumas coisas que irão introduzir o leitor de maneira mais eficaz às situações ocorridas no mundo vampírico criado por mim a partir do Séc. XVIII. Algo que posso garantir, ao contrário do que eu imaginava, é a aparição de Caim, apesar de não mais como personagem principal, no próximo livro que já estou fazendo pesquisas para começar a escrever e que, antes de revelar alguma coisa sobre os demais livros depois desse, devemos enfrentar um pouco do calor egípcio.

SOBRE OS OLHOS DA ALMA: Quais as sua principais influências literárias? Existem influências de autores paraenses em sua obra?
GEORGINA CAVENDISH:Para ser sincera, acredito que eu não tenha muitas influências literárias, mas uma delas sem dúvida é Anne Rice, uma autora que mescla de maneira magnífica o tema vampiresco com História, algo que eu admiro em qualquer livro como boa fã de romances históricos. Quanto à influências de autores paraenses, não existe nenhuma.

SOBRE OS OLHOS DA ALMA: Como autora paraense? Quais foram as suas principais dificuldades para lançar a sua primeira obra? Qual dica você daria para quem quer iniciar esse caminho da escrita?
GEORGINA CAVENDISH:Acredito que a principal dificuldade foi entrar em contato com editoras - algumas possuem políticas de modo que as tornam mais acessíveis que outras, mas no geral ainda não é uma tarefa fácil. Depois que se consegue encontrar uma que aceite sua obra, o processo flui melhor. Eu diria que todos aqueles que querem trilhar o caminho da escrita devem persistir, escrever um livro pode não ser uma tarefa fácil, leva tempo e determinação, mas com certeza é uma das mais gratificantes.

Então é isso, convidamos vocês para conhecerem um pouco mais o trabalho da Georgina Cavendish. Leia a nossa a resenha aqui e deem uma oportunidade a autora. Vocês não irão se arrepender.

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