Resenha: Simon Vs. a Agenda Homo Sapiens - Becky Albertalli

março 15, 2016 / Redação SOODA /

Obra trata da questão de homoafetividade de maneira branda. Conheça e se apaixone pela história de Simon.




Simon Vs a Agenda Homo Sapiens (Simon VS The Homo Sapiens Agenda)
Autora: Becky Albertalli
Editora: Intrínseca
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Ano: 2016
Skoob: 4,5 Estrelas | Goodreads: 4,27 Estrelas
05 Estrelas

Simon tem dezesseis anos e é gay, mas ninguém sabe. Sair ou não do armário é um drama que ele prefere deixar para depois. Tudo muda quando Martin, o bobão da escola, descobre uma troca de e-mails entre Simon e um garoto misterioso que se identifica como Blue e que a cada dia faz o coração de Simon bater mais forte. Martin começa a chantageá-lo, e, se Simon não ceder, seu segredo cairá na boca de todos. Pior: sua relação com Blue poderá chegar ao fim, antes mesmo de começar. Agora, o adolescente avesso a mudanças precisará encontrar uma forma de sair de sua zona de conforto e dar uma chance à felicidade ao lado do menino mais confuso e encantador que ele já conheceu.Uma história que trata com naturalidade e bom humor de questões delicadas, explorando a difícil tarefa que é amadurecer e as mudanças e os dilemas pelos quais todos nós, adolescentes ou não, precisamos enfrentar para nos encontrarmos.



Autora: Becky Albertalli é amantes de sorvetes, sobremesas (Por isso um pouco de Oreo no seu livro). Na sua infância adorava animes e Harry Potter. Hojé é casada, psicologa, trabalha com um grupo de gêneros em Washington, e Simon Vs A Agenda Homo Sapiens é o seu primeiro livro.

(...) Embora essa coisa toda de sair do armário no fundo não me assuste (...) É uma caixa gigantesca cheia de constrangimento, e não vou fingir que anseio por esse dia. Mas provavelmente não seria o fim do mundo. Não para mim - p.08

Resenha: Esse momento não é muito esperado para jovens homoafetivos, sair do armário? mas porque isso? porque se tornar um momento tão constrangedor? principalmente entre os adolescente e jovens? Eu por exemplo, tentei fazer com que essa passagem fosse a menos traumática possível. Entre minha família talvez tenha conseguido, mas lembro bem que entre os meus amigos não foi assim tão "intraumático" (huahauaha). Lembro vagamente (mentira, lembro bem), de um garoto inventar que tinha assediado ele em uma festa, foi um bafafá, ele era até bonitinho (um gato na verdade), mas quem me conhece, sabe que isso não é bem um estilo de vida meu (huahauah). Enfim, no final descobriu-se que o garoto, na verdade queria que eu o tivesse assediado (mas depois dessa, não é que não dê, é que não dá, sou orgulhoso demais). Enfim, depois disso não houve mais como voltar atras (huahauah). Ok, vamos a história, então.



O enredo de Beck Albertalli conta a história de Simon, um menino de 16 anos, que sabia de sua condição homoafetiva, porém ainda não tinha contado para ninguém. Ele costumava trocar e-mail com o pseudônimo Jacques, para outro garoto da mesma escola sob o pseudônimo Blue, e claro nesses e-mails ele falava que era gay, e começava a se apaixonar por Blue. Em um desses dias, ele esqueceu o e-mail aberto, e Martin, conhecido por ser um nerd da escola, acabou vendo os e-mails, e não tendo o que fazer deu o print, e foi ter uma conversa "amigável"com Simon, "chantageando-o" que se ele não fosse ajudado a ficar com uma menina, toda a escola saberia que Simon era gay.



Como vocês viram no trecho do livro acima, Simon não se importava da escola saber, o que ele se importava é como o fato que o assunto seria tratado, principalmente porque a cidade dele era um pouco conservadora e mesmo que não fosse, sabemos que esse tema sempre quando abordado entre os estudantes não é algo simples, ainda é visto com relativo preconceito e em alguns lugares, um pouco de medo.

Então, venho pensando nessa história de identidade secreta. Você já se sentiu preso dentro de si mesmo? Não sei se isso faz algum sentido. É que às vezes parece que todo mundo sabe quem eu sou, menos eu". - p. 56

Apesar de Martin ser um péssimo chantageador, péssimo mesmo, acho que até eu faria uma chantagem melhor (e olha que sou meio burrinho pra isso), Simon acabou cedendo, e no inicio ficou chateado, mas depois não conseguia sentir raiva dele (dificilmente algum de nós sentiríamos) e tentou aproximar Martin de Abby.



Bom, uma das maiores questões do livro com certeza é a vontade de Simon em finalmente ele meter a porrada na porta dessa armário e abri-lo de uma vez, mas ele sabe que não é algo tão simples, terá consequências, e provavelmente não serão tão boas assim, ou serão?

A autora construiu muito bem a história, ela é bem simples, de fácil entendimento, com questionamentos bem contundentes em relação a esse momento da vida dos homoafetivos, afinal ao mesmo tempo, que nós queremos seguir com as nossas vidas e amores, parece que existe algo que trava esse processo, e sabemos que são os fatores externos. Apesar de Simon, ser muito engraçado, aquele amigo gay que todos amamos, ele também sofre com esse dilema, como qualquer um que passe por isso.



Os e-mails trocados entre Jacques e Blue, são essenciais para a gente entender os sentimentos de Simon, e um pouco de Blue também, porque ali ele se expressa como esse se sente perante a toda a história, as pressões e sentimentos perante aos acontecimentos de sua vida, além de conhecer um pouco de seus gostos. Principalmente por Oreo (amo toda vida). Enfim, percebemos também um pouco da fraqueza de Blue, do medo de seguir em frente, sem se importar, em parte acredito que Simon não saiu antes do armário por causa de Blue.

Confira a entrevista com a autora Becky Albertalli é saiba mais sobre está obra

Até que finalmente acontece algo bem complicado, fruto da infantilidade de um dos personagens, onde Simon se vê obrigado a mostra-lo quem ele é, e talvez ele fique surpreso com algumas reações, o que mostra que talvez a nossa sociedade esteja amadurecendo pelo menos um pouquinho (ou não?). Enfim, a história termina com a mesma leveza e humor que começou, tornando-se na minha opinião, uma das melhores com a temática LGBT e tendo como o maior diferencial, um carga menos pesada que costuma vir nessas histórias, sendo uma coisa que poderia acontecer com qualquer um (sem esteriótipos).



Em outras palavras Simon Vs A Agenda Homo Sapiens "é uma história de revelações de segredos de um garoto que estar amadurecendo e precisar se tornar um grande ser humano, como todos nós deveríamos, normal e sem esteriótipos".

Os héteros deviam mesmo ter que sair do armário, e quanto mais constrangedor fosse, melhor. O constrangimento devia ser obrigatório. Seria essa a nossa versão da Agenda 'homoafetiva'? - p. 131

Ps. Nessa resenha, optou-se pelo reforço à palavra homoafetividade propositalmente e por questões ideológicas.

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