É realizado em Belém a VII Edição da Feira de Troca e Vendas de Livros

abril 18, 2016 / Redação SOODA /


Desapegar é difícil !! (Calma gente, não vamos começar uma resenha de “Não, se apega não”... hehehe). Falo de desapego, daquela história que te fez chorar, que te fez amar, ou que fez parte da sua vida em algum momento, tem uma simbologia que te ajudar a lembrar de algo, bom ou ruim. Estou falando de desapegar dos livros.

O livro, depois de lido te trouxe uma experiência literária, seja ela qual for, seja um momento de relaxamento, reflexão, memórias, ele sempre te liga a algo, afinal somos seres humanos, passíveis desse processo que atinge as nossas mentes. É impossível ficar análogo disso, e em muitos casos isso traz um apego, mesmo no mundo de hoje, onde as coisas são muito voláteis, as mudanças são cada vez mais repentinas, mas o apego se faz presente, e muito.

Eu nem sei explicar muito bem, mas considero que o apego a algumas coisas é uma espécie de materialização de memórias, sempre que olho um livro, lembro o que ele me passou, a experiência que me trouxe os desejos, sensações e reflexões, mas qual a função que eles possuem nos dias de hoje em minha vida? Será que não é o momento de passar em frente?

Parte dessas minhas reflexões se fizeram presente, quando resolvi participar da “VII Feira de Troca e Venda de Livros da Praça da República” que aconteceu no último domingo, dia 17/04 na cidade de Belém, onde eu e cerca de 20 pessoas levamos alguns dos nossos muitos títulos para a venda/troca, no horário de 09hs às 13hs (Curta a página da Feira).



O evento tem como um dos seus maiores objetos a prática do desapego de livros, e confesso que comigo foi assim, na sexta-feira antes do evento resolvi olhar a minha estante e pensar, o que deve sair? Olha gente, posso falar que não foi fácil, mas eu sei que esse era o momento, não por ter muitos livros na minha estante (e até tem) e sim porque existiam livros que ficariam lá para sempre, não teriam nenhuma função parado lá, e eu nos meus 26 anos de vida, não posso pensar mais assim, não posso pensar como um garoto egoísta que tem que manter essas obras eternamente na minha estante só porque eu paguei por elas e posso fazer o que quiser (não que todos que se permitem ter livros na sua estante pensem assim, mas eu pensava). Eu tenho que pensar que tenho uma função social, como qualquer ser humano que não veio ao Planeta Terra a passeio, afinal nós vivemos em uma sociedade e devemos pensar como uma sociedade.

Então comecei escolhendo alguns títulos, alguns que estavam até plastificados. Quando fui ver, percebi que separei uma quantidade considerável de livros, o que foi bom, alias achei ótimo. No momento de colocar o preço, foi outro “parto”, afinal, como colocar preço em algo que deixou de ter um valor monetário para mim? Mas comecei a pensar: “se nunca tivesse visto esse livro, o quanto ele valeria pra mim?” E assim fui estabelecendo os preços. No final, é sempre bom pensar que vamos ter um dinheirinho extra, né? Mas o parâmetro pra feirinha, pra mim não foi isso, o dinheiro se tornou uma consequência, sabe?



Enfim, depois de livros separados e tabelados, até pensei em colocar outros livros da minha estante, mas depois olhei de novo, e então percebi que tem histórias que minha mente não esta preparada para deixar pra trás, então vão ficar na minha estante esperando essa preparação psicológica, quem sabe no próximo?

No dia, cheguei por volta das 09h30 e abrir a minha esteira com livros e coloquei-os lá, ainda meio tímido com todo esse processo. É importante ressaltar que esse momento, também se torna pra bater papo, fazer amizade, afinal isso é um evento, onde a venda é uma consequência desses relacionamentos. E foi. Aos poucos as obras foram saindo, e o dinheiro foi entrando (se forem levar seus livros pra feira, tenham dinheiro trocado), a felicidade de estar ali foi crescendo, eu estava libertando os livros, dando a oportunidade dele imergir na mente de outras pessoas e causar sensações felizes para aqueles que compraram, não as mesmas que as minhas, mas talvez melhores (Quem sabe?). Enfim, ganhar um dinheirinho, foi bom, mas esse sentimento de troca é bem melhor, sabe?



Por falar em troca, também fiz algumas. Você pegar um livro de outra pessoa e doar o seu, é ótimo. E em muitos casos não importa se eles tem o mesmo valor monetário, mas simbólico, afinal compartilhar sentimentos é melhor do que compartilhar dinheiro, pode parecer hipócrita, mas afinal, o que queremos quando gastamos dinheiro? Não é a tal da felicidade? Mas se ela pode vir de outras formas, porque se preocupar se está sendo justo, financeiramente, ou não?

Enfim, ao final do evento saí com 5 livros, três que ganhei de presente, um que comprei e um que troquei, além disso vendi junto com o meu namorado 17 livros. Além disso, aproveitamos para doar 4 livros para um projeto do Livro Viajante (conheça mais aqui), do organizador da Feirinha de Livros, Thyago Santos. Com certeza essa é uma experiência que quero repetir daqui a dois meses, e assim vai nascendo mais um ciclo em minha vida, onde leio, me apaixono, amo, guardo, separo, vendo/dou e leio... Se faz bem pra gente, acho que faz bem pro mundo.

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