TAG: Bela, Recatada e do Lar

abril 21, 2016 / Redação SOODA /

"Seu objetivo na vida era ver as suas filhas casadas; seu consolo, as visitas e as fofocas" (ORGULHO E PRECONCEITO, 1814)

"Norma Tedeschi acompanhou a filha adolescente em seu primeiro encontro com Temer." (REVISTA VEJA, 2016)

Imagem retirada da Revista Veja
Iniciamos acima com duas frases, uma retirada do livro Orgulho e Preconceito, escrito pela autora Jane Austen em 1814, onde ela busca fazer críticas ferrenhas a diferença de gêneros existente à época. A outra foi tirada de uma polêmica reportagem que atingiu as redes sociais no último dia 20 de Abril de 2016, onde existem várias interpretações (que não vem o caso agora), mas uma diz respeito a "exaltação" de uma mulher do século XIX, da mulher que "o povo brasileiro" deseja para um político que poderá dirigir "corretamente" uma nação (cuma?). A questão que as duas frases representam o passado e o presente, e apesar de suas semelhanças, possui um processo distinto. E assim foi, após a publicação da matéria, a história viralizou pela internet e logo surgiram imagens criticando o tradicionalismo pregado pela reportagem. Se vocês quiserem saber mais sobre o assunto, vocês podem ler a reportagem original (clique aqui), uma reportagem criticando a forma como a mulher é apresentada (clique aqui) e uma entrevista com uma historiadora sobre o assunto, ponderando e criticando a forma como as redes sociais reagiram sobre o tema (Clique aqui)

Enfim galera, entrando um pouco na discussão, criamos a seguinte TAG "BELA, RECATADA E DO LAR" , onde iremos apresentar, alguns livros, filmes e cantores que representam essas discussões, em algum ponto de vista. Ressaltamos que evitaremos o confronto político, pois não é nosso principal interesse, mas vez ou outra, vocês poderão perceber nossas intenções ideológicas, tendo em vista, que ninguém está sujeito a escrever, questões como essa sem uma relativa parcialidade.

BELA, RECATADA E DO LAR, NÃO PERA

Bom já falamos anteriormente que esse modelo é um padrão social que vem sido aplicado sobre as mulheres perante séculos afins e apesar de ser considerado um exemplo, essa forma utilizada de definição de mulher, nem sempre pode ser um exemplo, de fato, assim como a nossa indicação de livro nessa TAG.

Livro: Garota Exemplar
Autora: Gillian Flynn
Editora: Editora Intrinseca
Ano: 2013
Filme: Garota Exemplar
Diretor: David Fincher
Ano:2014
Considerações: Bom, como algumas pessoas devem saber a protagonista desse filme, com certeza está perfeitamente encaixada nesse padrão de Bela, Recatada e do Lar , mas, porém, todavia, entretanto... ela se encaixa na "mulher perfeita"? Para quem ainda não conhece a história, o livro/filme a personagem de Amy, tem um casamento perfeito com Nick, onde ela simplesmente é a dona de casa perfeita, porém um dia qualquer, ela é sequestrada, e tudo leva a crer que o culpado dessa história é seu marido Nick, mas seria ele mesmo o responsável por esse sequestro? Amy ainda está viva? pode ser um plano arquitetado por ela? mas porque? Enfim, assistam/leiam e tirem suas próprias considerações.


DIVA, RECATADA E DO BAR

Depois que a reportagem saiu, muitas mulheres se convencionaram a postar foto em bares, fugindo desse tradicionalismo aplicado pelas palavras do repórter, e claro, foi uma mão na roda para os movimentos feministas apontarem que as mulheres podem ser o que quiserem. Por falar nisso, essa nossa TAG é dedicada a alguém, as quais possuem muitos admiradores (inclusive das belas, recatadas e do lar), porém suas músicas apesar de trazer fortes discussões sobre o assunto, em muitos casos (claro que não em todos) é visto como puro entretenimento, tão somente.


Apesar de em várias músicas da sua carreira ter essa conotação ideológica, como "Independent Woman", ainda na época de Destiny Child e "Run The World (girls)" em 2011, foi com a música Flawless que Beyoncé se apresentou ao mundo como defensora da causa, onde ela coloca trechos do discurso da Chimamanda Ngozi Adichie, escritora Nigeriana e ativista prol feminismo. Claro a partir daí ela não parou mais, e tem causado muito burburinho em relação a causa, como o do último Superbowl, onde ela fez alusão às Panteras Negras (Movimento pela igualdade social na década de 1960 nos USA) que também apoiava as causas feministas, depois disso vários políticos do USA enviaram uma nota de repúdio a cantora (É se ta difícil para os políticos nos USA aceitarem).

BELO, RECATADO E DO LAR

Em meio às discussões de "Bela, Recatada e do Lar" surgiu uma outra questão, se fosse a Presidenta Dilma que figurasse com um garoto 43 anos mais novo, ele seria então aceito pela sociedade brasileira? Alguma mãe levaria o seu filho para ser cortejado por Dilma, quando ele ainda era adolescente? Se vocês quiserem ver um pouco mais dessa discussão, leia o artigo completo (clique aqui). Nesse sentido, escolhemos um filme para essa Tag que reflete muito bem essa discussão.

Filme: Novidades no Amor
Diretor: Bart Freundlich
Ano:2009
Considerações: O Filme Novidades no Amor é uma ótima reflexão, levando-se em consideração à discussão sobre "Belo, Recatado e do Lar". O filme trata a trajetória de uma mulher que chega aos seus 40 anos de idade, descobre que foi traída pelo marido e então deixa a sua casa e vai para Nova York, lá ela busca uma babá para os seus filhos, porém encontra somente um babá, um jovem cerca de 20 anos mais jovem, o qual os dois vão se apaixonando pelas circunstâncias. Porém como vocês podem perceber com o filme, apesar de jovem rapaz não se preocupar com a diferença de idade, isso percorre na cabeça da protagonista, tendo em vista que ela não tem sido tão bem vista perante a sociedade (porque né?). Enfim, o filme não é nenhuma obra-prima cinematográfica, mas te deixa cheio de reflexões sobre o assunto.


BELA, RECATADA E DO LAR... MAS QUE LAR?

Muito se falou sobre essa questão de Lar, porém a reflexão é que se tem perante a isso, é que lar? o lar tradicional? o lar do brasileiro? Porque se bem sei, nas pesquisas mais recentes em relação as famílias brasileiras, mais da metade da família não corresponde ao padrão social de "Pai + Mãe + Filho". Eu com 26 anos, nunca fiz parte desse lar, meu namorado também não, e posso reconhecer em muita gente do passado e futuro que não fazem parte desse Lar representado pela Revista, tendo em vista isso, tudo me levar a crer que a revista não representa a maioria dos brasileiro, não é verdade? Enfim, a escolha dessa TAG, foi para trazer um livro, onde exista um Bela, Recatada, mas talvez não exista o Lar, o que pode mudar todo o sentido de "Bela e Recatada".

Livro: Miniaturista
Autora: Jessie Burton
Editora: Editora Intrinseca
Ano: 2015
Resenha: Clique Aqui
Considerações: Em Miniaturista, conhecemos Petronella, que vai para Amsterdã do século XVII, em um casamento arranjado por sua mãe. Sendo assim ela deveria ir para se tornar uma "Bela, Recatada e do Lar", porém ela encontra outras circunstâncias nesse "Lar" que podem faze-la mudar, começando pelo seu marido que não "comparece", ou sua cunhada que cuida de parte dos negócios da família (mas como assim?), ou ainda de um escravo negro e uma empregada qualquer que tem mais poderes na casa do que ela (mas como assim de novo?). E claro, a sociedade ao redor pode cobrar para que eles se ajustem, mas porque? como? o que eles fazem de errado que cabe punições? Aí vamos a uma intensa reflexão importante. São a maioria dos lares que devem se ajustar a "lei", a minoria dos lares devem aplicar as "leis" rigorosamente? O problema está nas pessoas ou "leis"(Quando me refiro a lei, falo em relação as leis dos homens e de Deus).

BELA, RECATADA E NO ALÉM

Sabemos que "Belas, Recatadas e do Lar" existem até hoje, seja por opção, seja pela pressão normativa-social (o que é a maioria dos casos), em muitas culturas, como a muçulmana por exemplo, onde as mulheres são vistas como submissas aos homens. No Brasil essa prática submissa não existe mais, porém existe uma pressão social "velada", onde a mulher precisa casar, ter filhos... E se assim não for, ela acaba sofrendo uma espécie de punição social. Dessa forma, a escolha de ser "Bela, recatada e do lar" é infiltrada nos desejos de um "futuro melhor". Vale ressaltar que isso não significa que as mulheres que realizaram essa escolha, não possa ter feito conscientemente, mas existem casos (e muitos) que provavelmente não foram. Dessa forma, a última frase dessa TAG, diz respeito a histórias de "Bela, Recatada e do Lar" são baseadas em um processo cultural de algum grupo social, dessa forma, resolvemos buscar essa inspiração, no alem.

Livro: A Noiva Fantas
Autora: Yangsze Choo
Editora: DarkSide® Books
Ano: 2015
Resenha: Clique Aqui
Considerações: Aqui a nossa protagonista esta presa numa sinuca de bico, ela será transformada em uma "Bela, Recatada e do Lar", porém seu marido será um morto (WTF?). Isso mesmo, o casamento de Li Lan é baseado numa tradição chinesa onde um jovem quando morre precisa casar com uma jovem viva, para assim ter a sua alma liberta. E ainda para somar nesse caso, o jovem morto resolve corteja-la nos sonhos (Machismo até no sonho... What?). Enfim, ela precisará resolver essa situação para poder ser feliz. Isso nos leva a seguinte circunstância, até onde os processos culturais que causem prejuízos se mantem como um processo normativo-social? Como podemos agir? muda-los? como uma mulher chega ao seguinte ponto, Eu desejo ser "Bela, recatada e do lar" sem haver a pressão social embutida, ou ainda, quando a mulher poderá ser o que quiser sem haver pessoas a critica-las de suas escolhas, independente do que for, essa acaba se tornando uma das reflexões desse livro, tornando-se assim, também reflexão para vida.

Chegamos ao final dessa TAG, esperamos soodinhas, que tenhamos conseguindo contribuir para o debate, através daquilo que amamos, os livros, filmes e músicas, afinal o entretenimento e lazer servem muito bem para o nosso desenvolvimento humano também. E o que podemos tirar de tudo isso? Que as mulheres possuem escolhas e desejos, não precisam fazer escolhas sobre pressão social/normativa, devem tomar decisões que lhe façam bem. Ninguém tem o direito de influenciar ou julgar alguém por suas escolhas, afinal não convivemos com aquela pessoa para saber as causas e circunstâncias que a levaram a determinadas decisões. O que devemos é refletir muito sobre o assunto, leva-lo ao debate, colocar os pontos para reflexão para que sim, aqueles que estavam no meio, mas não se sentiam pertencentes, finalmente escolham aquilo que potencialmente lhe deixará mais feliz.

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