Resenha: A Fúria e a Aurora - Renée Ahdieh

junho 27, 2016 / Redação SOODA /


A Fúria e a Aurora (The Whrath and The Dawn)
Livro 1
Editora: Globo Livros (Selo Globo Alt)
Autor: Renée Ahdieh
Ano: 2016
04 Estrelas

Escritos entre os séculos XIII e XVI, os contos do livro As Mil e uma Noites se tornaram parte do imaginário popular no ocidente, como Aladim e Ali Babá, e a história da jovem Sherazade como fio condutor da narrativa. A autora Renée Ahdieh se inspira nesse clássico da literatura árabe para escrever o livro A fúria e a aurora, lançamento da Globo Alt, uma prosa embebida em uma atmosfera de romantismo e sensualidade trazendo uma visão contemporânea da obra original. O segundo volume da série (The Rose & the Dagger) está atualmente na lista dos dez livros mais vendidos (categoria jovem adulto) do New York Times.
Personagem central da história, a jovem Sherazade se candidata ao posto de noiva de Khalid Ibn Al-Rashid, o rei de Khorasan, de 18 anos de idade, considerado um monstro pelos moradores da cidade por ele governada. Casando-se todos os dias com uma mulher diferente, o califa degola as eleitas a cada amanhecer. Depois de uma fila de garotas assassinadas no castelo, e inúmeras famílias desoladas, Sherazade perde uma de suas melhores amigas, Shiva, uma das vítimas fatais de Khalid. Em nome da forte amizade entre ambas, Sherazade planeja uma vingança para colocar fim às atrocidades do atual reinado.
Noite após noite, Sherazade seduz o rei, tecendo histórias que encantam e que garantem sua sobrevivência, embora saiba que cada aurora pode ser a sua última. De maneira inesperada, no entanto, passa a enxergar outras situações e realidades nas quais vive um rei com um coração atormentado. Apaixonada, a heroína da história entra em conflito ao encarar seu próprio arrebatamento como uma traição imperdoável à amiga.
Apesar de não ter perdido a coragem de fazer justiça, de tirar a vida de Khalid em honra às mulheres mortas, Sherazade empreende a missão de desvendar os segredos escondidos nos imensos corredores do palácio de mármore e pedra e em cenários mágicos em meio ao deserto.



Autora: Renée Ahdieh é estreante, sua primeira obra é A Fúria e A Aurora que já tem feito sucesso em vários países, hoje ela mora na Carolina do Norte.

Resenha: A cultura Árabe é ricamente maravilhosa, não só de pedras preciosas e ouros, no qual costumamos ver, mas seus costumes, fatos, alimentos, músicas. Tudo é extremamente fascinante, e claro referencia-la não é uma tarefa muito fácil. A primeira grande obra dela o qual o ocidente teve conhecimento e se apaixonou foi "1001 Noites", traduzido e publicado na França em 1704, que conta a história de um Sultão que após ser traído, assassinava mulheres todos os dias, até que apareceu Sherazarde que todas as noites contava histórias a ele entretendo-o durante 1001 noites, e ao fim casou-se com ele (Mortalmente lindo, não?).

Ilustração de Harry G. Thecker
Pinterest

Alguns séculos depois, mais precisamente em 2015, a autora Renée Ahdieh ao se inspirar nessa história, traz o mundo árabe até nós em uma história recheada de fantasias, aventuras, e desejo de matar, desejo de continuar vivo, desejo de amar. Então chega aos leitores ávidos pela cultura árabe, A Fúria e Aurora, fantasia voltada para o público "YA".

O Enredo coloca a gente em Khorasan, um território instaurado no deserto, onde existe um Rei de apenas 18 anos, chamado por muitos de Rei-Menino, que tem em suas costas a fama de Rei sanguinário. Isso acontece porque todos os dias o Khalid, se casa com uma nova jovem e antes da Aurora do dia seguinte ele a enforca. Aparentemente, não existe uma motivação para isso. Porém, existe um segredo escondido que poucos sabem, talvez uma maldição. No Prólogo já existem algumas dicas que possam-no fazer acreditar nessa perspectiva.

Disponível somente na edição norte americana

Próximo a uma centena de mulheres mortas, chega em sua vida Sherazarde, uma jovem de 17 anos que se oferece como banquete da morte para o próximo dia, e assim eles se casam. O que o príncipe não sabia é que a jovem mulher estava em busca de vingança pela morte de sua melhor amiga, debitada na conta dele.

A noite, chegamos ao celebre momento da morte, e nesse momento Sherazarde começa a lhe contar uma história, ela acaba deixando o rei entretido e então sobrevive à chegada da Aurora, e assim a história começa a engatar. Dia após dia, Sherazarde conta algumas histórias, inclusive a do Barba Azul, histórias essas que relacionam-se com todo aquele contexto. E o que parecia ser apenas uma sede de vingança, começa a se tornar uma história de amor ao estilo "Síndrome de Estolcomo", meio exagerado a comparação, mas é isso aí, o cara ia matar ela (hehehe).



Enfim, a questão é que isso não será tão simples assim, primeiro porque Sherazarde é (ou era) apaixonada por Tariq, um jovem nobre de uma localidade distante, que está vindo em busca dela. Outro ponto é que existem segredos e pressões sobre Khalid que não permitem deixa-la simplesmente viva, sem consequências terríveis, e claro não podemos esquecer que Khalid é rei, e normalmente gente nessa posição sempre possui inimigos, pessoas essas que podem atentar contra a vida de Sherazarde, algumas vezes.



Agora, se você pensa que por ser um alvo de muita gente Sherazarde será fácil de ser atingida, como uma princesa que precisa ser salva, estão muito enganados. Ela possui uma força em tanto, além de teimosa (quesito esse que não pode faltar em gente como ela), Sherazarde é esperta o suficiente para descobrir as coisas, tem muita habilidade com arco e flecha, persistente, e com um humor variavelmente divertido. Alias, as cenas dela com a sua empregada Despina, são as melhores (hahahahha, rindo só de lembrar).



Vale ressaltar que outro ponto interessante da obra, diz respeito a forma como a cultura árabe é tratada, as manifestações, vestimentas, comidas, todas as descrições levam-nos a imaginar a beleza da Cultura Árabe e esse é um ponto que não se pode esquecer. Muitas vezes, me senti no Castelo da Jasmim em Aladim, com toda aquela comilança árabe, e festejos, diversão, foi bem interessante a experiência.



O que eu achei que a autora se dedicou pouco, foi à fantasia em si, no sentido da magia, e construções sobrenaturais. Apesar de parte do plot principal pairar sobre isso, alguns elementos foram subutilizados nesse primeiro livro, o que me faz acreditar muito que esse ponto evolui consideravelmente na segunda obra, é a minha esperança para tornar essa série como uma das minhas favoritas. Ah, outro ponto que não gostei muito, foram os momentos do Tariq, égua do cara chato.



Ao final, fiquei bem satisfeito com a leitura e recomendo essa obra para:

  • Pessoas fascinadas na cultura árabe;
  • Pessoas que amam histórias de amor;
  • Pessoas que curtem fantasia árabe;
  • Leitores de obras como "A Rebelde do Deserto", "Golem e o Gênio", "Uma Chama Entre as Cinzas";
  • Pessoas que valorizam personagens femininas com muita força.


No mais eu acredito que A Fúria e a Aurora é mais que uma grande homenagem a 1001 Noites, é uma das histórias fascinantes que poderiam ser contadas por Sherazarde, de 1001 noites, que encantaria qualquer pessoa, até mesmo um Sultão assassino. Agora é comprar o segundo livro e se deliciar com o final dessa história.







Skoob: 4,7 Estrelas
Goodreads: 4,23 Estrelas

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