Resenha: Submissão - Michel Houellebecq

junho 21, 2016 / Redação SOODA /


Submissão (Soumission )
Editora: Alfaguara
Autor: Michel Houellebecq
Ano: 2015
03 Estrelas

França, 2022. Depois de um segundo turno acirrado, as eleições presidenciais são vencidas por Mohammed Ben Abbes, o candidato da chamada Fraternidade Muçulmana. Carismático e conciliador, Ben Abbes agrupa uma frente democrática ampla. Mas as mudanças sociais, no início imperceptíveis, aos poucos se tornam dramáticas. François é um acadêmico solitário e desencantado, que espera da vida apenas um pouco de uniformidade. Tomado de surpresa pelo regime islâmico, ele se vê obrigado a lidar com essa nova realidade, cujas consequências — ao contrário do que ele poderia esperar — não serão necessariamente desastrosas. Comparado a 1984, de George Orwell, e a Admirável mundo novo, de Aldous Huxley, Submissão é uma sátira precisa, devastadora, sobre os valores da nossa própria sociedade. É um dos livros mais impactantes da literatura atual.


Autor: Michel Houellebecq é francês, autor mais vendido na França, começou a publicar livros em 1985, ganhou vários prêmios e submissão é a sua obra mais recente.



Em 2015 a França passou por um ano extremamente difícil, principalmente no que diz respeito ao ataques terroristas, no mês de janeiro os islamistas fizeram um ataque ao Jornal Charlie Hebdo e no final do ano os terroristas islãs fizeram ataques deixando 129 mortos na capital francesa. Com isso, a França conhecida pelo seu ideal libertário, entra numa crise de valores. Nesse contexto, Michel Houellebecq lança a Distopia Submissão.

Essa distopia, só esclarecendo não é juvenil, e não mostra o mundo em um total desastre, mas apresenta uma França em 2022 elegendo um candidato a presidente da Fraternidade Mulçumana, provocando mudanças sociais, que provavelmente não veríamos fora da ficção, mas no qual faz parte de uma analise interessante de como seria aquele país se os muçulmanos chegassem ao poder. Nesse processo, temos um professor de Literatura, especialista em Huysmans (Escritor, ateu que no final de sua vida se converte ao catolicismo), sexista, e com a moralidade bem diferente do que imaginamos de um professor da Universidade de Sorbone.

Imagem retirada do Portal do Diário do Nordeste

No inicio da história, somos apresentados a François (meio clichê esse nome não), professor universitário de meia idade (vamos perceber as famosas crises de meia idade várias vezes), extremamente machista, com comportamentos sexuais que provavelmente exista, mas que em nosso ideal de um professor universitário são bem "pra frente", aliás, meu principal incômodo perante a esse livro, são as descrições de suas relações e pensamentos sexuais, 50 tons ficam no chinelo, em relação a essas cenas, achei que passou um pouco do tom.



Quando ele entra de vez na discussão política, ai sim é difícil não querer largar o livro. O autor nos submete a reflexão da possibilidade de ter um partido de extrema direita, com ideais anti-semitas e um partido muçulmano no segundo turno das eleições e assim como funciona o jogo político para se formar as alianças rumo a vitória. A França fica em um momento extremamente tenso (difícil não recordar pelo que os franceses passaram esse ano) até a vitória dos muçulmanos.

O autor flerta com a humanização dos muçulmanos, vale ressaltar que o presidente eleito não tem nenhuma relação com os extremistas e condena a forma como essas pessoas querem conduzir a política. Porém ao mesmo tempo, ele revela que muitas vezes será difícil controlar, ideais um pouco mais extremados. Outro detalhe interessante é como aos poucos a sociedade começa a se modificar com a chegada dos muçulmanos no poder, nos levando a intensas reflexões sobre as religiões em geral, levando-se em consideração que durante muito tempo, o próprio catolicismo dominava a sociedade e era atrelado ao Estado, ou como existe um determinismo muito forte entre algumas doutrinas, que existem hoje em nosso planeta, e que de fato o islamismo não está muito distante do que as outras religiões já fazem.



Nesse processo vamos vendo como a Universidade de Sorbone vai se modificando, já que ela passa a ter um aparato dos sauditas, que começam a usar o recurso do petróleo para financiar o Campus, e nisso as mulheres passam a perder espaço entre os acadêmicos, vistas a doutrina islâ, inclusive até mesmo para François com seu pensamento machista, não vê isso com bons olhos. E por fim, ele entra no dilema se deve ser converter ao islamismo ou se aposentar da Universidade.

A obra é bem escrita, em alguns momentos tem uma linguagem difícil, na minha opinião, principalmente no que diz respeito as analogias com Huysmans (será François um novo Huysmans), porém como o livro é curto você consegue encerra-lo em um tempo mais curto, mas que acaba a te levar por discussões para o resto da vida. Gostei muito da capa brasileira, a Editora Alfaguara prezou pela qualidade e acabamento da obra, além da fonte e espaçamento.

Dessa forma não sei se Submissão é o livro mais polêmico do ano, mas "é uma obra lançada no ápice de um desastre que não fala sobre o futuro, mas sobre o presente, trazendo reflexões que podem te levar para dois caminhos: tolerância ou intolerância, o que vai determinar é o seu livre - arbítrio"



SKOOB: 3,6 Estrelas
GOODREADS: 3,6 Estrelas

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