Conheça Belém do Pará através de Voando pro Pará

agosto 29, 2016 / Francisco Soares Chagas Neto /

Música interpretada por Joelma Mendes (Ex- Banda Calypso) é recheada de elementos da cultura paraense e apresenta muita da "Cidade das Mangueiras". Conheça mais:



Joelma Mendes é uma das cantoras paraenses mais conhecida no país, deixou no inicio do ano a Banda Calypso, a qual vendeu mais de 20 milhões de cópias de CD´s e 6 Milhões de DVD´s, sendo considerada a maior banda independente do Brasil. Agora em sua carreira solo lançou o primeiro CD com o seu nome e escolheu para o primeiro Single, a música "Voando pro Pará", sendo segundo ela, uma homenagem aos 400 anos da cidade de Belém. Amando ou odiando a cantora (é fácil encontrar os dois opostos), a verdade é que a música possui muitas referências a elementos da cultura paraense. Vamos então ver a letra e conhecer alguns desses pontos exaltados na música?



"EU VOU TOMAR UM TACACÁ...": Antes do primeiro acorde da música, a cantora já inicia com "Eu vou tomar um Tacacá", mas afinal de contas o que seria isso?

O Tacacá é uma comida típica da região amazônica, mais especificamente do Estado do Pará, mas que também pode ser encontrado no Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima. É um prato originado da cultura indígena e tem como principais ingredientes a Goma e Tucupí, ambos extraídos da Mandioca e além disso possui Camarão e Jambu e é servido em uma cuia. É uma espécie de caldo (muito delicioso por acaso, acreditem na Jout Jout, hehehe).
Disponível no site do Governo Federal


Em Belém essa iguaria é servida em barraquinhas instaladas em vários pontos da cidade, sendo as mais famosas o "Tacacá do Colégio Nazaré" e "Tacacá da Duque" e o horário que as pessoas mais se deliciam a comida é especialmente no final da tarde.

É difícil comparar o gosto do Tacacá com outra comida, mas os elementos que você mais senti ao toma-lo, com certeza é o gosto apimentado do Tucupí e é provável que a sua boca adormeça com o jambu (que tem poderes anestésicos de verdade).

" (...)VOU DIRETO AO VER-O-PESO APURAR MEU PALADAR (...)": Muitas pessoas já sabem que a Feira do Ver-o-peso é considerada a maior feira livre da América Latina, mas o questionamento que fica, é... porque apurar o paladar?

Simples, no Ver-o-peso é um local onde os cheiros e sabores da região se encontram. Você pode comprar um dos mais variados peixes da região, aliás, se você quiser pode come-lo na feira junto com açaí (cuma?). Isso mesmo, aqui na região amazônica o açaí não é servido como suco, ele pode ser uma sobremesa (não um sorvete, ou creme, mas só ele mesmo com açúcar), ou ainda pode toma-lo como parte da refeição, sendo algo que substitua o arroz ou macarrão da sua refeição. (Interessante, né?).



Além disso, na parte da frente da feira, fica as barracas de frutas, onde você pode comprar as principais delas, aí entra o Cupuaçu (Japonês nenhum vai levar ele daqui e patentear. Vocês acreditam que já tentaram?), também você pode conhecer o Uxi, o Bacuri, Araça-boi, Graviola, Tucumã, Castanha-do-Pará (não a levem daqui e diga que é sua) e por aí vai. Se você quiser, pode levar a polpa delas, que fica na parte de traz da feira.


"(...)E MATAR A MINHA SAUDADE, DA PUPUNHA COM CAFÉ": Por falar em frutas, tem uma delas que não falei antes, porque ela tem um momento só dela na música.

A Punha é um fruto extraído de uma palmeira (tal como o açaí) e seu aspecto de fiapos se assemelham ao de uma manga (porém com sabores completamente diferentes). É muito comum come-lo aqui na região, depois de cozinha-lo com óleo e sal, sendo um acompanhamento do cafezinho da tarde (Macarrons porque se temos pupunha?)

"EU VOU, NA ESTAÇÃO DAS DOCAS, VOU (...)": Você sabiam que Belém já teve um dos portos mais movimentados do Brasil? Sim, durante a Belle Époque a movimentação em decorrência da Borracha, trouxe alguns benefícios a metrópole da Amazônia, como a primeira cidade com Iluminação elétrica e bondes no Brasil, além de possuir o porto que só perdia em movimentação econômica para Rio de Janeiro e São Paulo.



Porém, como a borracha o porto passou anos abandonados, até que nos anos 2000, inspirados em projetos de Buenos Aires e Chicago, esse espaço foi revitalizado, se tornando um local de entretenimento da cidade, especialmente para turistas e as classes mais altas da cidade, com restaurantes com qualidade internacional, lojas de souvenirs, teatro, local para eventos, uma sorveteria fabulosa, e uma orla de tirar o fôlego.

"VER O REXPA NO ESTÁDIO (...):" O clássico Remo e Payssandú é tão acirrado, como um FLAxFLU ou Corinthans x Palmeiras, porém com uma diferença. É o clássico mais disputado do Brasil. São mais de 700 jogos durante mais de 100 anos de história.

Com certeza participar desse momento é no minimo diferente, e efervescente, especialmente para as maiores torcidas do Norte do país que costumam simplesmente lotar o Mangueirão em cada um dos clássicos. Quem ama futebol é um momento impar. Então, se passar por Belém, especialmente na época de campeonato paraense, vale conferir o calor dos paraenses (com o cuidado, como qualquer jogo de futebol que tenham torcidas avassaladoras). Detalhe: O Clube do Remo venceu mais jogos nos clássicos.



"EU VOU, LÁ NO MANGAL DAS GARÇAS, EU VOU (...)": O parque é novinho, fez 15 anos agora em 2016, mas ele tem muita coisa pra contar, desde o seu museu voltado para a Navegação, até mesmo representação de várias espécimes da região estão por lá.

Criado em uma área de Aningal (por isso o nome), o Parque Mangal das Garças tem vários espaços que o visitante pode desfrutar e conhecer um pouco mais da região amazônica. Primeiramente você pode visitar a torre com mais de 40 metros de altura, onde é possível ver boa parte da capital paraense.

Além disso, o parque possui um borboletário, um viveiro de pássaros, um mirante em meio a um Aningal, além de um Museu da Navegação, onde você pode conhecer como é a navegação as águas amazônicas, e ao final do passeio é possível você almoçar em um restaurante, voltado para as classes mais altas da cidade, mas que possui uma comida deliciosa. O Manjar das Garças.

A torre do Mangal das Garças ao fundo


"(...) NO FORTE DO PRESÉPIO (...)": O local é o ponto inicial da ocupação portuguesa na cidade de Belém. Que tal um tempo para conhecer como a cidade começou, assim pode-se quem sabe, entender mais um pouco do seu povo.

A cidade de Belém foi fundada pelos portugueses em 12 de Janeiro de 1616, quando Francisco Caldeira Castelo Branco aportava na cidade. Sabe-se que a ocupação não foi pacífica e a partir de vários objetos, documentos e a formação do forte, pode-se conhecer um pouco desse momento histórico na região, e tem a oportunidade de perceber como os portugueses viam aquele ambiente que eles conheceram à época.

Junto do Forte é possível conhecer a Casa das Onze Janelas, que no momento encontra-se no centro de uma briga do governo e os movimentos culturais da cidade, mas que por enquanto é possível conhecer o Museu de Arte Contemporânea da cidade, com acervo doado pela FUNARTE, que confiou no projeto da Casa no ano de 2002, quando fez a doação.



E claro, no espaço também tem o Museu de Artes Sacras, um dos maiores do país, e uma Coverta - Museu, aportada as margens próximo da Casa das Onze Janelas.

"(...) E DEPOIS DO POINT DO AÇAÍ (...)": O Restaurante Point do Açaí fica a frente da Estação das Docas (o mais movimentado deles) e o seu forte são os pratos, muito bem servido com porções saborosas. O local não tem um preço tão em conta, mas com um grupo de amigos, é um ótimo local para aproveitar os momentos pós praça da república no domingo, ou pós círio, ou pós Arraial do Pavulagem.



"EXTRA (O TECNOBREGA):" O ritmo não foi apresentado em palavras, mas no segundo tempo da música, as batidas eletrônica do ritmo paraense foi apresentado a todos nós.

Para quem não sabe, o brega paraense surgiu um pouco depois da segunda Guerra Mundial, e foi adaptado depois que os paraenses se aproximaram dos ritmos caribeños, como o calipso, merengue e o bolero de casas "de baixo nível social" como os cabarés. Ao longo dos anos ele foi evoluindo e a partir dos anos 2000 as Aparelhagens, junto com bandas como Tecnoshow lançaram o tecnobrega na cidade. É um ritmo eminentemente das periferias, mas que teve representação nacional, desde o final da primeira década do século XXI, e uma das cantoras mais influentes é a Gaby Amarantos, que "coincidentemente" era a vocalista da banda Tecnoshow.

Alguns teóricos não consideram o Tecnobrega música popular, mas felizmente existem teses que comprovam a importância dessa música para a representação da referida população, que mesmo sendo um elemento de massa, não pode-se desconsiderar que as massas também produzem cultura. Enfim. Bom, ou ruim, a musicalidade do tecnobrega podem ser conferida nas Festas da periferia da cidade de Belém, porém como um baile funk no morro, deve-se ter determinados cuidados para visitar esses espaços.



Enfim soodinhas, a música "Voando pro Pará" possui muitos elementos da cultura paraense, como vocês podem ver. Vocês podem até não gostar da música, o que é compreensível, mas que tal conhecer os elementos paraenses que ela apresenta??

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