Resenha: George - Alex Gino

setembro 17, 2016 / Redação SOODA /

O livro procura de maneira singela e inocente elucidar questões sobre gêneros, especialmente no que diz respeito a Transgeneridade. É bonito, é profundo, é tocante, é válido para todos que desejam uma sociedade mais justa e sem preconceitos



George (George)
Escritora: Alex Gino
Editora: Galera Junior (Grupo Editorial Record)
Ano: 2016
05 Estrelas
Skoob: 4,5 Estrelas /Goodreads: 3,96 Estrelas
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Seja quem você é. Quando as pessoas olham para George, acham que veem um menino. Mas ela sabe que não é um menino. Sabe que é menina. George acha que terá que guardar esse segredo para sempre: ser uma menina presa em um corpo de menino. Até que sua professora anuncia que a turma irá encenar “A teia de Charlotte”, e George quer muito ser Charlotte, a aranha e protagonista da peça. Mas a professora diz que ela nem pode tentar o papel porque... é um menino. Com a ajuda de Kelly, sua melhor amiga, George elabora um plano. E depois que executá-lo todos saberão que ela pode ser Charlotte — e entenderão quem ela é de verdade também.

Autor: Alex Gino é norte americanx. George é seu primeiro livro. Gino não tinha dimensão do impacto que seu livro traria para a literatura infanto juvenil. Porém, hoje sabe da importância delx para essa nova literatura. Gino prefere ser tratado como elx, e ao invés de senhor ou senhora, ele prefere o termo Mix, ou Mx.



Primeiramente, gostaria de salientar que qualquer palavra que eu use para descrever esse livro não será o suficiente para mostrar o quanto ele foi tocante para mim. Desde da escrita bem simplória do autor, que nos conduz para uma história tão profunda sobre questões de gêneros. A dor do personagem nunca será sentida, por mim, por você, ou qualquer pessoa que não seja transgênero. Mas, depois de ler esse livro eu me permiti chorar (algo raro), não pela dor do personagem, mas porque a sociedade impõe regras tão duras para pessoas tão inocentes como a George. Enfim, depois de meu pequeno surto, vamos a resenha.

O enredo do livro irá contar a história de George, um menino na certidão de nascimento, mas uma garota em sua alma. Ela está no ensino fundamental I, tem 10 anos e possui alguns segredos, como a vontade de ser menina, de se vestir como uma, de mostrar ao mundo sua feminilidade. Além disso, George possui uma bolsa, onde ela guarda algumas revistas de moda feminina, as quais ela considera suas amigas. Apesar de não compreender muito sobre gênero e sexualidade, ela tem duas certezas, ela é menina, e sabe que as pessoas não a aceitarão muito bem.

Um dia, em uma aula sobre o livro "A Menina e o Porquinho" a professora de George informa que será realizado uma peça de teatro, encenada pelos alunos da turma, para todo o ensino fundamental. George fica animada, ela quer fazer a personagem da Aranha. O problema que ao realizar o teste incentivado pela sua amiga, a professora informa que ela não poderá fazer a personagem, pois existiam muitas "meninas" atras do papel, e era injusto entrega-lo a um "menino". Assim a trama vai se desenvolvendo.



"A palavra rapaz a atingiu como um amontoado de pedras caindo em seu crânio. Era cem vezes pior do que garoto e ela não conseguiu respirar. Mordeu o lábio com força e sentiu novas lágrimas surgindo nos olhos. George colocou a cabeça na carteira e desejou ser invisível" (p.18)


É perceptível na história o incômodo de George, quando ela é chamada de "menino", "rapaz", ou com palavras de substantivo masculino, ela não se sente assim, ela sente-se uma menina.

O que é mais interessante em relação a esse sentimento é que ele não tem nada haver com sexualidade, inclusive George diz que não sabe se gosta de meninos ou meninas, mostrando a sociedade que sexualidade e gênero são discussões diferentes.



O autorx por ser um ativista LGBTQ+ consegue delinear a história, mostrando cada ponto das discussões referente ao tema com relativa primazia, ajudando-nos a compreender como funciona a mentalidade de um transgênero, usando um vocabulário bem simplório, de modo que o tema possa ser facilmente debatido em salas de aulas, a partir do ensino fundamental.

Além disso o livro possui algumas belezas como a inocência de George, uma criança de 10 anos que convive com esse dilema em relação ao seu gênero. Seus diálogos são de cortar o coração, porque mostra que mesmo no ápice de sua inocência, quem precisa rever os conceitos, somos nós que estamos exacerbados de preconceitos em relação a esse tema que desconhecemos.



Outro ponto, diz respeito a escrita do autorx que preferiu fazer o texto em terceira pessoa, e a todo momento não esqueceu de se referir ao George como menina, usando inclusive o pronome do gênero feminino. Confesso que no inicio foi confuso mentalmente por nunca ter visto um texto com essa anatomia, mas que aos poucos fui me acostumando com a construção e claro, me apaixonei ainda mais.

Ao final do livro, percebi que existe um mundo de possibilidades de histórias envolvendo a questão de gêneros, no qual eu não estou nem próximo de conhecer e elas devem ser difundidas, as pessoas deveriam compreender essas denominações, esses sentimentos, perceber que o mundo real é cheio de histórias como George, porém elas são invisíveis. E nós precisamos dar visibilidade a elas. A literatura precisar ter maior representatividade, porque através dela, nossa sociedade pode começar a pensar diferente, a compreender o outro, a não ter medo do desconhecido, a sair da ignorância (no sentido de não saber).

"- Eu não sou nenhum tipo de Gay.
Pelo menos, George não achava que era gay. Ela não sabia de quem gostava, na verdade, se de meninos ou de meninas
- (...) Sou menina."(p.94)



Então, apesar de saber que existem projetos como "Escolas sem partido", e a larga rejeição a projetos como "Kit Gay", claro, a maioria por ignorância, eu acredito que esse livro seja:

  • Para que transgêneros se sintam representados;
  • Para que crianças e adolescentes entendam melhor a questão de gênero (gênero, não sexualidade);
  • Para que a tolerância aumente e ignorância sobre o tema diminua.

Bom gente, e aproveitando a discussão, convido a todos vocês a participarem do nosso evento sobre Romances LGBTQ+ que vai acontecer no dia 25/09 às 14hs na Saraiva do Shopping Boulevard Belém. A entrada é franca, basta chegar e pegar o seu lugarzinho.


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