Fenômenos da internet transformam-se em bestsellers nas livrarias?

outubro 04, 2016 / Redação SOODA /

Livros de Yotubers destacam-se nas prateleiras das livrarias e feiras de livros, com um número de vendas o suficiente para bancar os seus custos.


Site O Globo

O Youtube tem sido nos dias de hoje, um fenômeno de produção de celebridades na Internet. No Brasil, podemos citar o exemplo de Kefera Buchman, que possui 9,3 milhões de inscritos; Authentic Games, 6,5 milhões; Rezende Evil, 8,4 milhões; Bel, 2,4 milhões; Tazercraf, 6,1 milhões. Porém, essa multidão de ícones virtuais tem ultrapassado a tela do computador, e chegado às mãos de seus fãs de outra forma: Livros.

Desde 2015 o mercado de livros de Youtubers tem subido cada vez mais. Estima-se que em 2016, de acordo com o levantamento da Nielsen Bookscan e a Folha, o crescimento de títulos vendidos subiu 133%, em relação ao ano anterior, um fenômeno que vem sido comparado aos livros de colorir, que chegou a ser responsável por 14% do mercado literário em 2015.

Mas, engana-se quem acha que o número de seguidores online tem se transformado em venda de livros. Por exemplo: Os 10 youtubers que mais vendem livros formam uma rede de mais de 37 milhões de seguidores, de acordo com os próprios dados do Youtube, porém no primeiro semestre de 2016, apenas 437 mil títulos dessas personalidades foram vendidos, ou seja, 1,1% do total de seguidores desses personagens adquiriram os livros deles.

Outro comparativo importante é que enquanto os livros de colorir pesaram no cenário de venda de livros em 2015, esse número em relação a livros de youtubers em 2016 não se repetem. Já que essas obras representam apenas 1,3 % de faturamento, número menor, por exemplo, que da autora do livro “Como Eu Era Antes de Você”, Jojo Moyes, que com três títulos na lista de mais vendidos, figura 1,5% de faturamento do mercado literário brasileiro.

Site Enerdizando

Em entrevista a Folha de São Paulo, o Publisher da Harper Collins Brasil, Osmar de Souza afirma que “a exposição fortíssima dos youtubers dá a impressão de que ela se converterá totalmente em vendas. Mas não é isso que vejo acontecer. Ainda precisamos de um fenômeno que tenha com os adultos o mesmo apelo que os youtubers têm com os jovens”.

INSCRITOS E LEITORES

Ao andar pela fila de autógrafos da Youtuber Kéfera, realizado no último dia 01 de setembro, percebe-se que os jovens são a maioria avassaladora do público, muitos ainda com o uniforme da escola, estão horas na fila, esperando para um momento especial com a autora.

Os dois primeiros deles chegaram às cinco horas da manhã para uma sessão que iniciou doze horas depois. Bianca, estudante de uma escola na capital de São Paulo justifica o interesse pela vlogueira por ser “uma pessoa única, com carisma que não é todo mundo que tem, e é super engraçada” e o estudante de São Paulo,e Henrique, também estudante na capital paulistana complementa que “ela fala de um jeito que tipo, muita gente não consegue falar de um jeito tão engraçado como ela”. Curiosamente Henrique ainda não havia lido o primeiro livro dela, mesmo com o lançamento realizado há um ano. Porém, ambos afirmaram que são leitores assíduos, e participam da bienal desde pequenos e que iriam mesmo que a Kéfera não estivesse presente.

Gabriela Vidal, estudante de Serra Negra, do interior de São Paulo era a primeira da fila do bate papo e afirmou que estava aguardando ansiosamente a vlogueira para “ver as dicas delas que se tornou uma youtuber de sucesso” e que já leu os dois livros da autora, pontuando que gostou muito das suas histórias. Antes disso, Gabriela já ela leitora, especialmente de quadrinhos.

Daniel Prestes, especialista em critica literária pela UFPA, afirma que essa tendência, tem uma motivação e diz que livros de youtubers “serve muito mais como objeto, imagem, do que como livro, algo para ser lido. É como se fosse uma lembrança. Claro, as pessoas podem lê-lo e muitos irão, o ponto é que isso está mais relacionado com de quem é, quem produziu do que pela vontade de ler o livro” e ainda ressalta que “no lugar de livros, poderiam ser canecas, cadernos ou mesmo bonecos, nesses casos”.



LIVROS DE YOUTUBE COMO LITERATURA?

Prestes ressalta ainda que existe dois tipos de livros de youtubers e que eles devem ser analisados de formas diferentes, “quando se fala nesse grupo tende-se a pensar só nos livros mais autobiográficos, todavia há também os livros mais literários, de prosa de ficção”.

O especialista mostra também que na academia existe preconceito em relação a esses livros por ser um local mais conservador, então a tendência das instituições de ensino superior é esperar a consolidação desses livros no mercado para que possam realizar estudos e mostrar o que poderá ser considerado literatura ou não.

De todo o modo, os livros de youtubers são um fenômeno editorial de 2016, que talvez não seja tão significativo como se imaginava, porém como Daniel Prestes conclui, “não caberá a nós a dizer se esses livros são literatura e institucionalizar um novo capítulo do cânone. Isso, a meu ver, ficará para as próximas gerações”.

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