Resenha: As Memórias do Livro - Geraldine Brooks

outubro 04, 2016 / Rosane Santos /

Obra retrata, baseado em fatos reais, a importância do livro e o que ele pode nos trazer acerca da história da humanidade




As Memórias do Livro (People of the Book)
Autora: Geraldine Brooks
Editora: Globo Livros
Ano: 2016
Skoob: 3,8 Estrelas| Goodreads: 3,99 Estrelas
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04 Estrelas

Da Espanha de 1480 até a enfraquecida Sarajevo de 1996, um livro sagrado de valor incalculável é caçado por fanáticos políticos e religiosos. Seu destino está nas mãos de uma talentosa conservadora de livros a charmosa protagonista Hanna, e sua recuperação resulta em um mistério histórico arrebatador.
Quando Hanna é chamada a Sarajevo para examinar o Hagadá, um código judaico do século XV que havia desaparecido durante a guerra da Bósnia, ela não pode acreditar que um documento tão maravilhoso estava preservado depois de tantas guerras e tanto preconceito. A partir de pistas encontradas no próprio manuscrito uma asa de inseto, manchas de vinho e um pêlo branco Hanna desvenda uma série de enigmas fascinantes e reconstrói as memórias do livro. E o resultado é um verdadeiro épico, uma corrida contra o tempo para revelar o passado e dar espaço à crônica da história do livro, enquanto Hanna procura a cura para uma criança vítima da intolerância da guerra, um amor impossível, sua própria identidade e proteção: do Hagadá e de sua própria vida.

Autora: Geraldine Brooks, vencedora do Prêmio Pulitzer de ficção em 2015, é autora de cinco romances, entre eles O Acorde Secreto, publicado pela Globo Livros, além de três títulos de não ficção. Nascida e criada na Austrália, ela vive em Martha’s Vineyard, nos Estados Unidos, com o marido, o também autor Tony Horwitz, e os dois filhos.



“No lugar onde se queimam livros, no fim se queimam homens.” Heinrich Heine

As Memórias do Livro é uma ficção, mas que também relata fatos reais e traz a história da jovem Hanna Heath, que trabalha como conservadora de livros e recebe uma proposta de trabalho irrecusável: trabalhar na restauração da Hagadá de Saravejo, uma obra única, que possui centenas de anos e que se tornou famosa por conter ilustrações retratando a história, o que a cercou de certo mistério, uma vez que não era algo comum nesse tipo de livro. Hannah então resolve aceitar o trabalho e viaja para Saravejo, Bósnia, para fazer a analise e começar a restauração da obra que foi recentemente salva de um bombardeio que ocorreu na biblioteca da cidade e que será colocada para exposição, como uma forma de amenizar os ânimos devido a guerra que assola o país naquele momento. A partir das observações feitas por Hanna, ela começa então a investigar os fatos que cercam aquele livro, pois ela encontra vestígios que podem levar a uma descoberta sobre a sua origem e os caminhos que ele percorreu até chegar em suas mãos.

A forma como a autora decidiu contar essa história foi genial, a partir de cada fragmento encontrado por Hanna, há uma narrativa que nos leva para aquele momento da história onde a Hagadá se encontra. É como uma viagem pela trajetória da humanidade e que se mistura com a própria historia do livro, é uma experiência incrível, pois tem esse poder de te transportar para outras épocas e entender como esse livro único veio a ser criado e por onde ele passou, é como se realmente o livro estivesse nos mostrando as suas memórias, como se ele contasse a sua narrativa e nos faz ver como os livros de fato possuem esse poder de carregar além das palavras ali escritas, mas também um pouco de cada pessoa que o leu. É algo um pouco confuso de descrever, mas ele te prende do inicio ao fim e você precisa saber tudo aquilo.



A maior parte da narrativa se dá no período da Inquisição, porém partes se passam também pela Segunda Guerra Mundial. São períodos em que sabemos que a intolerância para com aqueles que professavam uma religião diferente daquela imposta pelos governos tiranos era extrema, foi uma época de sofrimento, uma parte obscura na trajetória da humanidade.

Os judeus e os mulçumanos foram uns dos que mais sofreram, foram torturados, mortos, obrigados a converterem-se ao cristianismo, entre outras situações desumanas a que foram submetidos. Nesse período uma grande quantidade de livros foram queimados, fazendo com que boa parte da história da humanidade fosse perdida. A forma como Geraldine nos mostra essas ocorrências é impecável, ela narra os fatos de forma que prende o leitor, e nos causa angustia pensar que aqueles tipos de atrocidades eram praticadas naquela época.

Além da trajetória da Hagadá de Saravejo, temos também um pouco sobre a vida da Hanna, especialmente no que diz respeito ao seu relacionamento com a mãe, uma neurocirurgia de grande prestigio que sempre deu mais valor ao trabalho do que a própria filha e que nunca entendeu ou respeitou a profissão que Hanna decidiu seguir. É um relacionamento pesado, cheio de magoa de ambas as partes, mostra um pouco sobre as pressões que os pais geralmente impõem aos filhos e que acabam fazendo que crie uma barreira, muitas vezes intransponível, entre eles. A forma como as historias se cruzam e de alguma forma se completam é maravilhosa.

Confesso que em algumas partes fiquei um pouco perdida porque não conheço bem as tradições judaicas relatadas no livro, mas não é nada que tire o seu mérito, na verdade contribui para ampliar nosso conhecimento. Como disse no inicio, esse é um livro de ficção que foi baseado em fatos reais, ou seja, a autora realizou uma pesquisa bem aprofundada sobre a Hagadá e sua trajetória, a partir daí ela foi criando os personagens e as situações que os envolve. Portanto, é um livro que possui um bom embasamento histórico. Foi uma leitura que me surpreendeu bastante, é um pouco densa, mas com certeza esse é um livro que vale a pena ser lido.



Sendo assim, As Memórias do Livro é recomendado:

  • Leitores de obras, como Inferno, Anjos e Demônios;
  • Leitores interessados sobre universos culturais diferentes;
  • Leitores de obras mais refinadas e ganhadoras de prêmios como Putzier;

Esse livro foi doado pela Editora Globo Livros para resenha.

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