Resenha: Luz, O Deus do Horror - Andrei Simões

outubro 06, 2016 / Francisco Soares Chagas Neto /

Um livro curto recheado de contos de terror que assustam a alma e trazem significados únicos para os nossos medos, tendo ainda a maioria das histórias ambientadas na região amazônica



Luz, O Deus do Horror
Autor: Andrei Simões
Ano: 2016
Skoob: 4,5 Estrelas
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4 Estrelas
Um jovem atormentado do pela morte do irmão, em uma jornada de vingança que irá além das fronteiras do absurdo e uma amiga simplesmente em busca de justiça. Neste contexto, vários lugares do mundo, seres de existência impossível, na forma de anjos, semeiam e colhem medo, para uma poderosa entidade que reside na mais profunda escuridão. Neste romance seriado, cada capítulo encerrará uma história, escrita ora nos moldes do terror minimalista e filosófico, ora no antimolde da subversão de gênero. Mas ao avançar das histórias, uma apenas é contada, que une, interliga todas as outras. E a esta história, você, Aquele que Lê, é muito bem-vindo. É parte dela, inclusive.

Autor: Andrei Simões Utiliza a filosofia, ciência e ocultismo, navegando entre o realismo mágico e o horror, Andrei Simões procura instigar e provocar o leitor, com literatura minimalista e direta, mas profunda, utilizando de símbolos obscuros do inconsciente para trazer à tona difíceis, mas necessárias reflexões sobre a vida e a morte.O biólogo e mestre em comportamento é belenense, tem 39 anos e publicou os livros “Putrefação” (2005), “Zon, O Rei do Nada” (2013), este último em coautoria com Lupe Vasconcelos que colabora com 33 ilustrações e também tem contos nas antologias “Desnamorados” (2014) e “O Corvo: um livro colaborativo” (2015).



Ás vezes ficamos tão felizes por ter coisas boas ao nosso lado, mas para elas existirem, e que possamos pontua-las como boas, os males também devem existir, e de preferência, devem ter circulado em nossas vidas para criarmos um parâmetro entre o bem e o mal, certo? E assim é "Luz, o Deus do Horror" um livro recheado de terror, horror e talvez o que existe de pior entre os homens, para que a gente sempre vá em busca do bem.

A narrativa é traçada em formato de contos, que estão imersos a um enredo, que envolve um jovem que presencia o assassinato de seu irmão, por um palhaço. Em busca de vingança ele retorna a sua cidade natal, para encontrar os assassinos, porém esse encontro foge do esperado. Tempos depois, sua namorada recebe noticias de seu paradeiro e com isso, ela pode se deparar com uma entidade que controla todos os nossos medos e uma busca filosófica para continuar viva.



Em meio ao plot principal, circundamos por várias histórias de terror, a maioria delas ambientadas na região amazônica, contadas de formas bem viscerais, pousando como uma libélula de medos em cada uma delas. Nesse meio tempo, poderemos conhecer, uma boneca que pode destruir uma familia, um Voudu pode destruir outra. Ao longo da história nos deparamos com animais em formas de monstros, baratas que podem ser mais do que apenas insetos bonzinhos (tenha certeza, perto do que elas fazem nesse livro, as da sua casa são bem boazinhas), espantalhos. Enfim, cada conto traz um medo diferente, e provavelmente alguns deles podem provocar sensações não muito boas com vocês (acho bom, não experimentar ler a noite).

Ao final de cada conto, você começa a captar mensagens, ainda um pouco distorcidas, mas que aos poucos vão se entrelaçando,e você vai construindo-as. Alias, o autor lhe apelida carinhosamente de "Aquele que lê", porque afinal de contas, você vai ser o condutor para o final dessa história.



Conforme as páginas finais vão se aproximando, você começa entender as mensagens subliminares e a perceber que construiu um agasalho filosófico, nesse momento o terror é deixado um pouco de lado, e o livro começa a ser tomado por discussões sobre a existência e não existência humana, e assim as metáforas começam a fazer sentido. A partir desse ponto, eu comecei a ler o livro com mais calma, e ao final de cada conto, eu precisava fechar o livro para reflexões. Ou seja, a obra apesar de curto, para os padrões de hoje em dia, deve ser apreciado como um café importado do melhor lugar no mundo (não sei qual é o lugar, mas acho que vocês entenderam o que quis dizer).

O livro é acompanhado pelas ilustrações de Eduardo Seiji, as quais são maravilhosas (a maioria delas), é algo extremamente diferente, e sua realidade distorcida nos encanta. Porém, considero que algumas ilustrações não se casaram perfeitamente com a história, diferente de "Zon: O Rei do Nada", o segundo livro do autor. Outro detalhe sobre a ilustração é que não achei que o uso da moldura trouxesse a grandiosidade que o ilustrador quis representar em cada obra sua, acho que se usasse a página inteira, é possível que o desenho conversasse mais com a história.

No mais, eu acredito que "Luz, o Deus do Horror" não seja para todas as pessoas, mas acho que todas as pessoas deveriam ter uma experiência com esse livro, que pode te levar a caminhos e reflexões que talvez você nunca tenha mais a oportunidade de te-las.



Sendo assim, recomendamos a obra para:


  • Amantes de contos de terror, viscerais e bem detalhados;
  •  Pessoas que amam histórias filosóficas e com metáforas que brincam com você e seus pensamentos; 
  • Pessoas dispostas a descobrirem os seus próprios males.

É isso gente, e aproveitando a oportunidade, queremos informa-los que o autor Andrei Simões estará conosco na "Thriller In The Book, Versão 2.0 - Que medo te assola?" para contar mais detalhes sobre a sua obra, processo de produção e surtos.


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