Discussão: Juntando os Pedaços da Gordofobia

novembro 10, 2016 / Redação SOODA /

Livro de Jennifer Niven traz uma protagonista obesa, que nos leva a discussão: Quando ser obeso é um problema de saúde pública? E quando ele se torna puro preconceito de nossa sociedade?



A obesidade é sim um grave problema de saúde pública. É inegável falar que mais de 10% da população sofrem com essa doença. Porém, qual é o tratamento mais eficiente a um obeso? ir aos médicos e se tratar com profissionais? Ou ficar ouvindo piadas como "baleia fora da água" "balofo" "puta gorda", não vou te contratar porque você é "gordo", "pare de comer", "seu problema é não fechar a boca"? É nesse processo que surge a Gordofobia.

O termo que tem surgido recentemente, diz respeito ao sentimento de repulsa aos gordos, que acabam provocando até mesmo violência física e psicológica, assim como afirmam as pesquisadoras Andressa Noronha e Camila Deufeul em um trabalho sobre a temática. Então chega-se ao seguinte questionamento. As discussões sobre Gordofobia são vitimismos ou reais e contundentes?

Desde bem novo, eu era gordinho, todos achavam muito fofo, porém ao crescer, as pessoas começavam a me criticar, dizendo que eu tinha que fechar a boca, que eu era muito preguiçoso, e que tudo era minha culpa, mesmo sem saber que eu gostava muito de correr, brincar, e tinha mais folego que a maioria dos meus amigos. Eram comuns brincadeiras como "baleia fora da água", "balofo", "mundo" e por aí vai. Uma vez, me encarnaram tanto, que chorei, coloquei minha alma toda para fora. Mesmo assim, continuei vivendo, sem esperanças de emagrecer, ter alguém para namorar, eu comia, e continuava engordando, afinal, não adianta, eu já era visto como o gordo do grupo, então a coisa que mais me deixava feliz, era a comida. Aos 22 anos decidi fazer a cirurgia de redução de estômago, emagreci consideravelmente. A qualidade de vida aumentou muito mais, e com certeza isso não foi feito com ajuda de pessoas que só sabiam me avacalhar, elas não me davam força para comer menos, pelo contrário, comia mais, já que não tinha mais jeito.

Quando eu pesava mais de 160 quilos

Esse relato pessoal, mostra que se preocupar com a saúde das pessoas é diferente de torna-las a vida delas um inferno. Várias pessoas que passaram na minha vida se preocupavam de verdade, porém a grande maioria, só sabiam criticar, ou ainda não me contratar para um emprego, só por ser gordo, mesmo sem conhecer minha capacidade, ou ainda não sentar perto de mim no ônibus como se eu tivesse algo contagioso, me olhar com nojo e com pena. Atitudes que mais me colocavam para baixo do que procurar um médico para realizar o tratamento necessário para melhorar. Assim, era difícil eu juntar os meus pedaços me tornar uma pessoa mais feliz.

Ao ler "Juntando os Pedaços" da Jennifer Niven, percebi que essa luta que aparentemente era solitária, é mais comum do que se imagina. A protagonista da história chegou a pesar mais de 296 quilos. Para sair de casa, foi necessário um guindaste para leva-la ao hospital. Mesmo depois de ela ter emagrecido mais de 150 quilos, a sua vida continuou um inferno, as pessoas na escola a rejeitavam, menosprezavam e faziam brincadeira bem dolorosas, como o "Rodeio de Gordas" (consiste em abraçar um obeso, como se fosse um touro, e tem que ficar o maior tempo possível abraçado).

As pessoas de fato não se preocupavam com a sua saúde, mas sim com a sua gordura, e como aquela pessoa não seria amada por ninguém. Por falar em amor, todos acreditavam, nessa história, que era impossível amar um gorda como Libby, ela mesmo acreditava nisso. Porém, quando alguém se apaixonou por ela, essa pessoa era vista como um doido. Eu também passei por isso, e me identifiquei muito com essa questão. Nos sentimos espantados quando alguém diz que nos ama, afinal, no geral, não é esse sentimento que existem para com os gordos.

Ao chegar no final dessa reflexão, percebe-se que é necessário que as pessoas obesas, não tenham sentimento de orgulho, ou tristeza, perante os gordofobicos. Mas sim de felicidade, porque você pode ser feliz sendo gordo, elas não consegue ser feliz, nem sendo magras. E a saúde? vocês devem estar se perguntando. Eu digo: cuide delas, como qualquer pessoa.

Se for necessário emagrecer, faça, mas não pelas pessoas que te odeiam por ser gorda, mas porque você quer uma vida mais saudável. E lembrem-se, pessoas que se preocupam com você, querem o seu bem, não ficam te relembrando que você precisa emagrecer, nitidamente elas sabem, que você sabe disso. Pessoas que se preocupam com você, apenas te amam e te passam informações, quando você as pede. Então, se não for esse o caso, tenha cuidado, você pode ter um gordofóbico ao seu lado.

Se quiser saber mais sobre o livro "Juntando os Pedaços", confira a nossa resenha aqui

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