Resenha: Pilulas Azuis - Frederik Peeters

novembro 08, 2016 / Redação SOODA /

O Quadrinho é uma história de amor, onde o vilão não é o vírus HIV, mas a ignorância humana



Pilulas Azuis (Blue Pills: A Positive Love Story)
Autor: Frederik Peeters
Editora: Nemo (Grupo Autêntica)
Ano: 2015
Skoob: 4,5 Estrelas / Goodreads: 3,89 Estrelas
Compre Aqui 05 Estrelas

Nesta narrativa gráfica pessoal e de rara pureza, por meio de um roteiro simples e de temas universais (o amor, a morte), Frederik Peeters conta sobre seu encontro e sua história com Cati, envolvendo o vírus ignóbil que entra em cena e muda tudo, e todas as emoções contraditórias que ele tem de aprender a gerenciar: amor, raiva, compaixão. Pílulas azuis nos permite acompanhar, sem nenhum vestígio de sentimentalismo, através de um prisma raramente (senão nunca) abordado, o cotidiano de uma relação cingida pelo HIV, sem deixar de lançar algumas verdades duras e surpreendentes sobre o assunto. Apesar da seriedade do tema, Pílulas azuis é uma obra cheia de leveza e humor. Não é à toa que é considerada por muitos a obra-prima de Frederik Peeters. Uma das mais belas histórias de amor já publicadas.



Autor: Frederik Peeters é design gráfico e seus quadrinhos tem feito bastante sucesso a nível internacional ganhando alguns prêmios. A mais recente HQ lançada por ele é a ficção cientifica Aãma.



Estima-se que o Vírus HIV, tenha sido transmitido para os seres humanos, a partir de 1920, no Congo. Porém, desde 1980 a epidemia se espalhou pelo mundo, proporcionando a morte de 36 milhões de pessoas, além de 40 milhões estarem vivas com a doença em seu organismo. (Saiba mais , Saiba mais 2).

A questão é que os casos de mortalidade geraram grande comoção e medo, proporcionando um grande tabu ao redor das pessoas que possuem a doença. Pilulas Azuis traz a tona essas discussões chave, sobre uma doença que hoje não mata mais como antes, e mostrando que é possível haver grandes histórias de amor, para quem a possui, basta informação.



AUTOBIOGRAFIA

A HQ escrita por Frederik Peeters é autobiográfica, vai contar a história de amor entre ele e Cati, sua atual esposa que foi diagnosticada com HIV, assim como o seu filho, fruto do primeiro casamento. Algo que seria um choque para Fred, mas que conforme o conhecimento vai aparecendo, os medos de todos os personagens vai se disseminando.

Tudo começa, alguns anos antes quando Frederik conhece Cati, e assim eles vão tendo vários encontros casuais, até que anos mais tarde eles começam um relacionamento, o qual chega o momento que ela precisa conta a verdade, de que ela e seu filho são soropositivos. Ele, realmente tem um choque, e começa a surgir uma grande paranoia em sua cabeça, fruto do desconhecimento sobre a doença, causada pelas próprias formas de abordagem, promovida pelos governos.

Nessas circunstâncias, essa HQ poderia se tornar algo que beira a dramaticidade a tristeza. Não que isso seja deixado de lado, afinal o tema é delicado, porém a forma direta que o autor utilizou para contar a história, tornou-a mais leve e compreensível, mostrando que possuímos alguns preconceitos tão bobos sobre a questão, que poderiam ser deixados de lado, principalmente em nome do amor. Afinal, ele não precisa acabar porque eles são sorodiscordantes (um individuo soropositivo e outro não), porque existem várias formas de se evitar o contágio da doença, e o maior conhecido de todos é a camisinha.



PRECONCEITOS

Mesmo assim, nossas cabeças cheias de preconceitos nos fazem construir monstros sem necessidades, e aos poucos a HQ vais desconstruindo-os, ora com uma conversa com o médico, ou então com um rinoceronte que resolve aparecer do nada para um bate papo com Frederik (sério, ele aparece mesmo). É claro, que cuidados devem ser tomados, principalmente no que diz respeito, ao uso correto dos medicamentos e camisinha, porém, hoje o HIV está mais como uma doença crônica, no qual o tratamento é diário até o fim da vida (que segundo alguns médicos, é quase a mesma expectativa de quem não possui a doença)do que uma sentença de morte, como é propagado por aí. E quanto mais, eles vão vivendo as suas histórias, e tendo informações sobre o assunto, mais felicidade vai se tornando completa, e assim vamos torcendo para que esse casal seja eterno.

A HQ tem traços fortes e marcantes, mesclando textos a imagens que nos levam a grandes reflexões sobre o assunto e do quanto podemos superar nossos preconceitos, do quanto deveríamos ser no minimo empáticos, mostrando que a doença não tem cura, mas a nossa ignorância tem.

Ao terminar a HQ, o sentimento que podemos ter é de aperto, não tristeza, mas um aperto feliz, como um abraço que nos acalenta e traz nossos sentimentos mais bondosos à tona, porque a felicidade pode ser completa a qualquer pessoa, não importando se ela é soronegativa ou positiva e sim apenas a vontade de tornar o amor algo real.



Então, recomendamos Pilulas Azuis para:

  • Pessoas que acreditam no amor; 
  • Pessoas que queiram se informar sobre o assunto; 
  • Pessoas que prefiram HQ´s mais reflexivas e bem humoradas;

Obs: Claro que a melhor forma de proteção contra a doença é o uso de preservativo, então dê preferência a prevenção, e nunca esqueça de usa-lo. Mas se ocorrer algum contratempo, procure uma unidade especializada em sua cidade que poderá fazer um teste rápido e tem todos os recursos necessários para cuidar de você. Vale ressaltar, que no Brasil, todo o tratamento é feito pelo SUS, inclusive a entrega das "pilulas azuis" para os soropositivos. (saiba mais)

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