Resenha: Diário de uma Escrava - Rô Mierling

dezembro 19, 2016 / Redação SOODA /

Um livro chocante, que retrata em detalhes a dor de uma mulher sequestrada, abusada e transformada pelo 'Maníaco das Donzelas'



Diário de uma Escrava
Autor: Rô Mierling
Editora: Darkside Books
Ano: 2016
Skoob: 4,7 Estrelas / Goodreads: 5 Estrelas Compre Aqui
5 Estrelas
Laura é uma menina sequestrada e jogada no fundo de um buraco por alguém que todos imaginavam ser um bom homem. Ela vê sua vida mudar da noite para o dia, e passa a descrever com detalhes sinistros e íntimos cada dia, cada ato, cada dor que o sequestro e o aprisionamento lhe fazem passar. Estevão é homem casado, trabalhador, pai de família, mas que guarda em seu íntimo uma personalidade psicopata. Ele percorre ruas e cidades se apossando da vida de meninas ainda muito jovens, pois dentro de si uma voz afirma que é dele que elas precisam. Mergulhando fundo nessa fantasia, ele destrói vidas, famílias e sonhos, deixando atrás de si um rastro de dor e morte.
Narrado em parte em forma de diário, o livro acompanha mais de quatro anos da vida de Laura em um buraco embaixo da terra, período em que algo dentro dela também se modifica de uma forma inimaginável em busca da única maneira para sobreviver. Publicado originalmente na plataforma digital Wattpad, onde já teve mais de um milhão e meio de leituras, DIÁRIO DE UMA ESCRAVA apresenta um retrato duro, cruel, abominável, mas infelizmente corriqueiro no Brasil e em todo o mundo.

Autora: Rô Mierling já trabalhou na construção de diversas antologias, tendo mais de 10 livros publicado no Whatpad, inclusive "Diário de Uma Escrava" já foi visto por mais de 1,5 milhão de pessoas naquela plataforma. Agora a editora Darkside Books, aposta no projeto trazendo esse livro em uma edição maravilhosa que tem tudo para ser um sucesso.



Você pega "Diário de uma Escrava" e vira para a 4º capa (verso) e vê a seguinte informação "No Brasil todo ano, 250 mil pessoas somem sem deixar vestígios. Desse total, 40 mil são menores". Talvez olhando friamente essa estatística, pode não ser tão dolorida para aqueles que não passaram pela situação de ter um parente, ou conhecido, o qual simplesmente sumiram. Mas, ao se deparar com a leitura dessa ficção, já nas primeiras páginas, talvez a sensação incômoda de existir tantos desaparecidos comece a doer. E provavelmente ao chegar no final desse livro, você fique dilacerado, assim como eu fiquei.

A maior parte dessa narrativa se passa na visão de Laura, e seu diário. Ela foi uma garota sequestrada aos 15 anos de idade, porém quatro anos já haviam se passado, o qual ela estava no cativeiro de Estevão, um marceneiro, que apesar de ser considerado uma pessoa estranha era uma marido exemplar, frequentava a igreja, era organizado, ou seja, dificilmente alguém desconfiaria dele.

Laura relata os acontecimentos naquele local, um buraco, debaixo da terra, o qual ela tem de servir de escrava sexual de Estevão. Ela passa toda a história o chamando de Ogro, e confesso eu, a partir daqui só o chamarei assim, porque eu estou com uma repulsa tão grande desse personagem que é difícil de digerir, e olha, quem me conhece, sabe que sou uma pessoa altamente pacífica. Mas não é que não dê, é que não dá...



Não contente em narrar os acontecimentos de Laura, Rô Mierling, mostra que ela não foi a única vítima do Ogro, e não será a última. Nesses momentos, a história se torna em terceira pessoa, e sabemos apenas os nomes das jovens, que tem entre 10 e 17 anos. É dolorido, a cada perda, a cada sofrimento, a cada estupro. E quando ele abre a boca durante as narrativas, se torna cruelmente mal, mostra a face de um terror real, do dia-a-dia, que pode está acontecendo com milhares de jovens nesse momento, somente em nosso país, é difícil não deixar uma lágrima cair.

Sabemos também que quando sequestrada, Laura tinha apenas 15 anos, um ser humano em formação, que perdeu totalmente a perspectiva de vida, pensa que ninguém mais a ama, e começa a ir por pensamentos extremamente doloridos. Nossa vontade, como ser humano é de gritar, "Laura, por favor acorda, ele é um animal, um doente, sai desses pensamentos". Mas a cada página virada, o desconforto só aumenta.



Através desse livro, Mierling não somente alerta dos cuidados que devemos ter em relação ao sequestro de jovens, mas também de questões que ás vezes não entendemos, como, quando a jovem não consegue fugir, a submissão, os transtornos psicológicos, e como às vezes somos cruéis, ao julgar mulheres que passam por essas circunstâncias e fazem escolhas que são inaceitáveis aos nossos olhos.

Quando cheguei ao final desse livro (e que final), confesso que a única coisa que conseguia fazer era chorar, copiosamente, minha mente mergulhou na dor de Laura, entendia suas escolhas, mas não aceitava. Rô já pensando nisso, coloca uns parágrafos desafiando a gente se colocar no lugar da protagonista, e não imaginar, mas sentir, tudo que ela sentiu. E com certeza, essa sensação não é nada agradável. tendo em vista, que eu somente li essa história, não vivenciei nada semelhante, então nunca terei a mesma sensação de quem viveu, nunca...



Outro detalhe que queria ressaltar é que as vezes Ro Mirleing jogava umas pontas de esperanças para amenizar a leitura, e nesse sentido eu só consigo ter a plena convicção de tudo que eu li, não é nada comparado a realidade. E para completar, a autora colocou algumas notas, no qual ela se inspirou para escrever a história, inclusive uma dela é uma biografia de uma jovem que passou mais de 3000 mil dias nas mão de um abusador (Imagino que se a ficção de Mierling não é para qualquer um, imagine esse livro).

Enfim, recomendo imensamente esse livro, mas confesso que não é para qualquer pessoa, então, se após você ler essa resenha se sentir capaz de lê-lo, faça. Porém, se achar que não tem condições para isso, então não faça. Porque vai doer, e muito...



ATENÇÃO, ESSE LIVRO CONTÉM:


  • Cenas de Estupro;
  • Necrofilia;
  • Pedofilia;
  • Assassinatos;
  • Urolagnia;

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