Resenha: Fãs do Impossível - Kate Scelsa

dezembro 23, 2016 / Francisco Soares Chagas Neto /

Três adolescentes que enfrentam alguns dilemas pesados da adolescência, porém descobrem que podem fazer o impossível para serem felizes




Fãs do Impossível (Fans of the Impossible Life)
Autora: Kate Scalea
Editora: Intrinseca
Ano: 2016
SKOOB: 3,7 Estrelas / GOODREADS: 3,74 Estrelas
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04 Estrelas

Fãs do impossível conta a história de três amigos, Mira, Sebby e Jeremy, em meio aos complexos conflitos da adolescência. Mesmo sentindo-se despedaçados, sem motivos para serem amados e tentando não sucumbir à solidão, os três lutam pela vida, cada um à sua maneira.
Mira está começando em uma escola nova, depois de passar um tempo no hospital. Ela se sente insegura no novo ambiente e acha que não vai conseguir ficar longe de seu melhor amigo, Sebby, um garoto brincalhão que leva a vida com boas doses de mentira e bom humor, até que seu lado mais destrutivo vem à tona.
Jeremy está retornando à antiga escola, depois de um tempo afastado por causa de um incidente traumático que arruinou seu ano letivo. Tímido e quieto, ele deseja se aproximar de Mira e Sebby. Juntos, contra todas as expectativas, eles vão viver o impossível.



Autora: Kate Scelsa é norte americana de New Jersey, ela trabalha com uma companhia de teatro independente e possui um podcast. Fãs do Impossível é o seu primeiro livro e hoje ela vive em Nova York com a sua esposa.
“Sobreviver a si mesma era uma vitória agridoce. Significava que uma parte sua havia perdido. A feiura se reduzira a um pequeno caroço que ardia no fundo do seu estomago. Não tinha desaparecido por completo. Nunca desapareceria” p. 105.

A adolescência é um período de muitas descobertas e transformações. É também um período de extrema fragilidade para muitos jovens, afinal de contas é um momento de transição, onde tudo pode ser um grande impacto em nossas vidas. E muitos jovens sofrem com isso, inclusive os três protagonistas dessa história: Mira, Jeremy e Sebby. Porém juntos, quando os laços se intercalam, eles percebem que podem passar por essa fase que parece ser impossível.

Mira é uma adolescente que recém chegou na escola St. Francis, depois de passar quase um ano sem estudar. Isso tudo, porque ela estava internada em um hospital psiquiátrico depois de ter atentado com a própria vida, após uma forte crise de depressão. Ela agora está fora dos padrões impostos pela sociedade, diferente da sua irmã mais velha que é vista como a "perfeitinha" da familia. Uma das coisas que ela mais gosta de fazer é customizar as suas roupas, além de frequentar brechós.

Sebby conheceu Mira no hospital psiquiátrico, ele é gay, e não esconde isso de ninguém, porém, desde novo passou por várias casas de acolhimento, depois da morte da sua mãe. Agora, ele está em uma casa da sua atual madrasta, que tenta coloca-lo nos trilhos, obrigando-o ir a igreja, e escola, principalmente depois do que aconteceu com ele a um tempo atras, que o deixou uma marca em seu abdômem, resultado de que a sociedade não está pronta para aceitar homossexuais.

Jeremy já era estudante da St. Francis, porém depois de um final de ano traumático que o deixou afastado da escola nos últimos dias de aula, por causa de uma situação que envolvera seus pais gays e a sua possível saída do armário, ele retorna ao segundo ano, simplesmente sem falar com ninguém, apenas o seu professor, que o ajudou durante o verão todinho. Agora como incentivo, ele propõe a Jeremy que crie um grupo de artes, e assim o garoto conhece Mira e Sebby, nascendo uma intensa amizade que tenta trazer os três jovens uma nova esperança de vida.



Desde o inicio é possível perceber a relação de empatia e amizade que vai nascendo perante os três personagens. No inicio da leitura a gente se depara inclusive fazendo analogias a outra YA que fez bastante sucesso: "As Vantagens de Ser Invisível". Isso porque, os personagens não são tão aceitos socialmente e são "Hipsters". Porém, no desenrolar do enredo, percebe-se que as histórias tem algumas nuances diferentes, tornando o referido livro, apenas como inspiração para esse.

A autora acaba debatendo algumas temas de maneira bem interessante, entre eles:

DEPRESSÃO: Na história, os três personagens tem níveis diferentes da doença, mostrando-a que ela pode impactar de diversas maneiras. No caso de Mira, ela acaba tomando remédios e vez ou outra se perde em seus pensamentos suicidas. Ela é uma personagem interessante, pois vemos de que forma os pensamentos depressivos começa a ataca-la até chegar os momentos de crise.

Sebby, também sofre do mal, porém não toma remédios e ele tem uma tendência em se auto-flagelar, a exemplo dos momentos onde ele ressalta que não é bom o suficiente, e por isso ele acaba em relacionamentos voláteis, como o que ele tem com um vendedor do shopping,onde eles se encontram basicamente para fazer sexo no banheiro.

Jeremy, talvez seja o caso menos grave, pois ele teve a ajuda do seu professor de inglês durante bastante tempo, mostrando que jovens nessa situação não devem ser escrachados e sim ajudados. Mesmo assim, ele é absolutamente retraído com muita dificuldade em se soltar.

HOMOSEXUALIDADE E HOMOFOBIA: O livro apresenta essa questão, ainda como um problema social. Sebby e Jeremy passaram por situações homofóbicas em escalas diferentes, e também tiveram reações diferentes perante o problema. Isso mostra que os homossexuais não estão se "vitimizando", mas lutando para que casos semelhante aos dois não se repitam.

AMIZADE E RELACIONAMENTOS: As relações de amizades entre os três se tornam cada vez mais forte ao longo do livro. É muito bacana como a relação de cumplicidade vai se formando, e além deles outros personagens que aparecem em meio a esse processo é bem bacana, a exemplo da Rose, que é uma espécie de motor propulsor deles, mostrando problemas antigos e conselhos que possam o manter juntos.



Outra coisa que eu gostei bastante, foi da ambientação. Boa parte da história ocorre no período natalino, então temos a presença das luzes de Natal, decoração diferente, já que um dos personagens é judeu, e até mesmo uma festa de Natal "indie" saindo daquele plot que estamos acostumados de ver na época.

Outro ponto bem bacana da história foi mostrar que apesar de tudo, nem sempre a amizade nos salvará de algumas questões, quem será o responsável por isso serão as nossas escolhas. Ou seja, nem sempre teremos um final feliz.

A escrita da autora é fluída de fácil entendimento, e ela mescla a história em três pontos de vistas, usando também três narrativas diferentes. Em primeira, segunda e terceira pessoa. Em relação a esse ponto, acredito que isso soou mais como "quero ser diferentona" do que influiu na história efetivamente, ficou meio que "Clarice Falcão" fazendo um clipe com "pintos e vaginas", algo sem muito sentido. Se a história tivesse ocorrido em uma ou duas narrativas somente, teria o mesmo impacto.



No mais, terminar esse livro me fez ter várias discussões mentais sobre os assuntos abordados, que são recorrentes tornando esse livro, em uma boa história.
Dessa forma, recomendo essa obra:

  • Para fãs de causas impossíveis; 
  • Para leitores de livros como "A Vantagem de Ser Invisível" ;
  • Para pessoas que curtem um bom YA, com diversidade sexual;


Abaixo, você pode conferir uma Playlist relacionada o livro, com várias músicas no estilo "indie" e "Hipster", que representam muito bem o ambiente da história;

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