Especial: Belém 401 anos - Sob o olhar de Escritores Paraenses

janeiro 12, 2017 / Francisco Soares Chagas Neto /

Hoje, a cidade de Belém completa, oficialmente, 401 anos. Que tal conhecer alguns locais que foram/são inspirações a alguns autores paraenses?


Foto: Estação das Docas


12 de Janeiro de 1616, chegava a Belém Francisco Caldeira Castelo Branco. Claro, aqui já haviam habitantes, porém era o momento do encontro entre os portugueses e indígenas na região amazônica que provocou uma profusão de sensações. Aos poucos a cidade fora crescendo, posteriormente chegaram os negros e imigrantes, alguns do exterior, mas a grande maioria do nordeste brasileiro. Primeiro foram as Drogas do Sertão, depois a Borracha que alavancaram o crescimento urbano da cidade. Enfim, 401 anos depois, estamos aqui, recheado de cores, sabores e aromas. E com o intuito de homenagear mais um ano da capital paraense, chamamos alguns autores para indicar locais para que você paraense, ou você futuro turista, possa conhecer a verdadeira Metrópole da Amazônia.

SALOMÃO LARÊDO

Salomão Larêdo, é um autor nascido em Cametá, que se tornou além de jornalista, advogado e já escreveu mais de 30 obras, entre poesias, crônicas e romances. Seu último livro, publicado pela Empíreo "Olho de Boto" é baseado em um casal homoafetivo que tentara se casar na época do regime militar no interior da Amazônia, gerando assim um grande burburinho na cidade. Compre Aqui. O Salomão, nos enviou uma carta de amor a capital paraense, a qual você pode conferir abaixo. Em negrito, marcamos algumas referências, a qual você pode visitar.

SALOMÃO:
TU, SUMANA, BOIUNASTE-ME
"O gaiola - lanchabarco - se aproximava abrindo as pernas das águas tucupi no amarelo tipitinga enbarrosado que me saudou em nome de uma Belémpajé de boca maior que a da cobra-grande e mergulhei, qual Jonas, da Biblia, na baleia, no líquido amniótico tisnado de açaí , bacaba e bosta de seu ventre, zonzo, sem saber direito onde estava. Mundiado, tateando devagarinho, fui gostando do aconhego e plíquite: até parece que nasci aqui nesta Belém quatrocentona.
Para quem viu o Tocantins da beira da ladeira da Vila do Carmo passar em direção à Tucuruí, Cametá era a cidade maior que vira até vislumbrar da bujarronabaía a porruda Belém que me encantou, fisgando-me por seus pitiús inhaquentos.
E tudo nela era colorido. O mercado de peixe, as latas de óleo de cozinha da marca Pajeú cheias de pimenta de todo tipo e tamanho e a frutaria que virava de preço e quantidade na quase hora da boiosa : piramutaba cozida feita por donalady com alfavaca, chicória, vinagreira e uma pimenta no prato espremida, farinha de Bragança com arroz e feijão do sul e capilé.
Veropeseei muito para saber de ti, Belém, que entre luas cheias e lançantes, fugias, dormias amofinada, arranchada e à vontade no engenho Murucututu te espreguiçando na fumacinha da enchente do rio Guamá em frente de ti mesma: veropesobaíafeiradoaçaífortedascostelasvelhacidadevelhapalafita. Penei, jeouviste, penei e ralei.
Rodei todas as tuas passagens: onze bandeirinhas, apertar da hora, santa fé, piquiá, quarubas, jambu...
Perdi-me nas tuas ruas, avenidas praças, prédios, museus, bosques, mangais, estradanovabaciacondorpalaciodosbares.
Nos suores e odores, chuvas, torós e trovoadas, de quando em vez , como matinta perera, assobiaste, na tua reconquista, no pé do meu ouvido.
Comi manga com febre, bebi azeite de andiroba e tu nem aí pras minhas angústias. Muita vez senti teu cheiro e não te apercebi, verões e verões nas ilhas do Outeiro, do Mosqueiro, Combu, Papagaio e ilhas das Onças, trajavas folhas de aninga no teu desfile praianopósmoderno.
Comecei a frequentar tuas cumeeiras,aningais, magias e mistérios.
E quantas vezes, te esperando, apreciei as sinfonias dos periquitos na samaumeira do largo de Nazaré, quando, tu, toda pavulagem, acompanhavas o Círio com outras Marias maltrapilhas carregando bilhas, patetando à berlinda da nossa senhora de Nazaré do rosto paraense escalavrado e do filho de cara suja de fiapos de manga, mas, gente poderosíssimamente amável.
Outras vezes te esperei no Mangueirão , num repá amuado e nem me deste bola. Comias churrrasco de gato com pimenta e cerveja, numa boa.Égua-te, minha.
Volvia às canoas e na carmelita do Milton me embrulhava nas velas vermelhonas/ amarelonas/azulonas.
Na escola, as latas de bombom da rendapriori faziam minha alegria naquele imagem do casquito no veropesiano aquário urubulesco do teu museu/mundé.
O melhor da festa era quando, cabocla, tu, igual a Devargira, merengavas na gafifa do estrelinha e amanhecias dançando nas tascas ao som das guitarradas e dos curimbós e no meio da farra, banguê retinido, pegavas a retinida e te mandavas pra MangabeiraBaião sob pseudônimo de Beneditamargareth pra rolar no tupé dos ciossilêncios. Então, floridas montarias entravam a saudar são Benedito da Praia da turma do peixe-frito.
Batidas de genipapo e taperebá arrematavam baita sopa de mocotó nas feiras enfileiradas em que prostimutaram tuas ruas, avenidas, praças, becos e vilas.
Ah, quanta noite bebemos garapas nas sambadas da Pedreira e fomos ver o tirafama no Guamátucundubaufpa. No batizado do nosso pirralho, maniçoba no terreiro, munguzá pra meninada e currupiu pra criançada faziam a alegria de nosso enamoramento.
Comia lundu em samba de cacete nas zuadas de valdecans.
Te alembras quando nos banhamos de açaí no alguidar do Jurunas ? Ou quando tomamos passe que nos livrou do mau-olhado daquela seca pimenteira que o tajá curado e a arruda mandaram pras cucuias no banho de infusão noturna com pripriocas e japanas ofídicas de nossa madrugada semântica ?
Ah! Belémchama/Belémxamã, como te esperei no sonho de não sonhar !!!
No almoço ajantarado com que me recebeste em teu Palacete Azul apinhado de gente, comi ovos de tracajá, que trouxeste de Alenquer, saboreei tucunarés de Santarém, aviús, de Cametá, goiabas de Gurupá, pivides de Muaná, surubim de Redenção, apapás e jatoxis, da Vigia, queijos de Paragominas, jabuti , de Breves, castanha de Marabá,pamonhas de moronguetá, pastel, tacacá,mucajá, maracujá,gergelins, sarrabulhos e sangue verde - do mato, sangue azul – da rainha, sangue vermelho – do amor tupinambá caldo de jambu.
Sumana, ainda bem que o tsunami não vinga aqui.
No tempo que nunca houve, me amparaste, nos encantamos mutuamente.
Ficaste cantando waldemarhenrique para me ninar no teu colo, paixão que não tem fim, pois nem teve começo , é apenas um imenso amor de quem sabe amar e por isso não fica mal com Deus e com ninguém. Me amas, Belém ?
Boiúna-me, sempre.Boiúna-me, sempre. Sempre mais que sempre
E para todo o sempre, pois sou o teu sempre amado Salomão Larêdo.
Parabéns, Belém, aos teus 401 anos !!!!, em 12 de janeiro de 2017"


ALGUNS LOCAIS REFERENCIADOS:
MERCADO DE PEIXE (Complexo do Ver-o-Peso): Av. Boulevard Castilhos França,s/n.
HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO: 06hs às 18hs

Foto: Engenho do Murucutu
Fonte: Projeto Murucutu

ENGENHO DO MURUCUTU - Ruínas do Engenho: Bairro do Curió- Utinga.
HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO: Somente com visita agendada pelo e-mail: sitioescolamurutucu@gmail
MAIORES INFORMAÇÕES: Site do Projeto

LARGO DE NAZARÉ (Praça Santuário hoje): Rua Justo Chermont, s/n - Nazaré
HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO: 06hs às 22hs (Durante o período do Círio, existe uma programação cultural no espaço)

MANGUEIRÃO: Rodovia Augusto Montenegro, Km 03 s/n - Mangueirão
TELEFONE: 91- 3201-2300 / 2320
MAIORES INFORMAÇÕES: Site da Secretaria de Esporte e Lazer

Foto: Palacio Antônio Lemos
Fonte: ORM

MUSEU DE ARTE DE BELÉM (PALÁCIO ANTÔNIO LEMOS, OU PALACETE AZUL): Praça D. Pedro II, s/n - Cidade Velha / Belém-PA
TELEFONE: 91- 3114-1026
HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO: Terça a Sexta-feira de 10hs às 18hs, ou aos sábados, domingos e feriados de 09hs às 13hs

INGO MULLER

Ingo é jornalista e autor, seu romance de estreia foi lançado em outubro de 2016 pela Editora Empíreo. "Corda no Pescoço" vai contar a história de Lisa, uma jovem que foi abandonada em um convento, ao se tornar adulta ela ver o seu sonho de se tornar freira desmoronar, pois foi acusada de ser possuída pelo demônio. Para resolver esse problema, ela só tinha uma chance, o exorcista Monge Gilles, que vive numa ilha isolada. Agora Lisa tem um grande desafio, atravessar a floresta amazônica. Nessa aventura, além de seres exóticos, essa protagonista vai se deparar com as verdades e violências por traz da Igreja, além de descobrir que a traição pode ser um grande inimigo de nossas vidas. Compre Aqui

INGO: "Olá leitores do Sooda blog! Me deram a missão de vir aqui falar sobre um dos meus assuntos preferidos - Belém. A capital paraense, que completa 401 anos em 2017, é muito mais que uma morada: foram os contrastes e a história dessa cidade que serviram como base para meu primeiro romance, "Corda no Pescoço", lançado em outubro de 2016 pela editora Empíreo."
"Corda é uma história que evidencia seu DNA Amazônico, então eu aproveito a oportunidade para recomendar dois lugares que me inspiraram durante a escrita deste livro:"

Foto: Mercado do Ver-o-Peso
Fonte: Apontador Viagens

MERCADO DO VER-O-PESO: Quase tão antigo quanto nossa capital, o "Veropa" sopra 390 velinhas no próximo dia 27. É lá que se dá a maior confluência de cores e sabores da Amazônia, fazendo com que seus boxes funcionem como um microcosmo do caldeirão cultural que simboliza a brasilidade ao norte do equador.
Pena que, tal qual a cidade, nosso icônico mercado careça de carinho. Belém completa anos com seu principal cartão postal em estado de miséria após o desabamento de um gradil de proteção, e sem uma reforma a altura de sua importância em vista.
LOCALIZAÇÃO: Av. Boulevard Castilho França, s/n.
FUNCIONAMENTO: 24 hs

MUSEU PARAENSE EMILIO GOELDI: Fundado em 1866, o Goeldi é o segundo museu mais antigo em atividade no Brasil no seu gênero. Referência internacional na produção de conhecimento sobre a Amazônia, o Goeldi é um bastião do conhecimento que une ciência e cidadania.
Além de abrigar uma amostra da fauna e flora amazônicas, o parque zoobotânico do Museu abraça, com suas árvores centenárias, centenas de crianças, atletas amadores e palhaços tristes, que se acotovelam no portão principal para reger uma orquestra de bolhas de sabão nos dias de visitação.
LOCALIZAÇÃO: Av. Gov. Magalhães Barata, Entre Av. Alcindo Cacela e Tv. 9 de Janeiro, 376 - São Bras
TELEFONE: 91- 3182 3200/3231
HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO: Quarta a Domingo de 09hs às 17hs
VALOR: R$ 3,00 Entrada com meia para estudante
MAIORES INFORMAÇÕES: Site do Museu

ANDREI SIMÕES: Andrei é biólogo, mestre em comportamento, professor universitário, e escritor de diversas obras, e contos, tendo três livros publicados em formato físico. Entre eles, Luz o Deus do Horros, que reúne vários contos de terror que ao se unirem nos mostram uma perspectiva cruel da alma humana. Maiores Informações

Foto: Livraria Foxvideo da Dr. Morares

ANDREI:"O primeiro lugar que eu recomendo é a Fox Belém da Dr. Moraes. Ponto de encontro de artistas, mas acima de tudo um lugar de amigos, livros e ideias. Onde posso encontrar os parceiros da Feira Literária do Pará (Flipa), os amigos do Pa Book Club, os livreiros que são cultos, atenciosos e os funcionários mais legais do mundo. Um lugar onde sou respeitado pelo meu ofício de escritor. Sem dúvida, minha segunda casa."
LOCALIZAÇÃO: Tv. Dr. Moraes, 584 - Nazaré
TELEFONE: 91 - 4008 - 0007
HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO: De Segunda à Domingo de 09hs às 21hs

O segundo lugar é a Ilha de Mosqueiro. Um dos lugares mais bucólicos e bonitos que já conheci. Infelizmente, quase sempre abandonada pelo poder público, mas amada pelo belemense. Onde noivei e também vivi momentos inspiradores e assustadores, prato cheio para meus livros.
COMO CHEGAR: Partindo de Belém, segue-se pela BR-316 até o município de Benevides, depois segue pela rodovia PA-391. Para quem for de ônibus, é possível pegar de uma frota convencional, na Parada em frente ao Terminal Rodoviário de Belém. Ou ainda, um ônibus e/ou van intermunicipal no interior do Terminal Rodoviário de Belém.
ATRATIVOS: As principais praias são Chapéu Virado, Farol, Ariramba, Morubira, Porto Arthur, Paraíso e Maraú. Além disso, Mosqueiro possui a tipica Tapioca de Mosqueiro localizado na Vila, além dos casarões de veraneio localizados próximo a orla.

ROBERTA SPINDLER:

Roberta é paraense, trabalha com edição de videos, além de ser autora, principalmente do gênero fantástico. Nerd confessa, sua última obra publica é uma distopia. "A Torre Acima do Véu" é centrado num enredo envolvendo uma nevoa que toma conta do nosso mundo, e assim, nós agora moramos em cima, nos altos dos edifícios e skylines. Mas o que existe por baixo dessa névoa? O que a gerou? Como o governo e as pessoas lidam com ela? Além disso, a autora já tem em vista mais um lançamento para 2017 pela Suma de Letras que envolve, uma aventura e o universo gamer. Bacana, não? Compre A Torre Acima do Véu Aqui.

Foto: Praça Batista Campos
Fonte: Apontador Viagens

ROBERTA: "Primeiro é Praça Batista Campos, é um ponto turístico bem famoso da cidade. Gosto muito de lá, especialmente das samaumeiras e das garças. Um ótimo para buscar inspiração"
LOCALIZAÇÃO: A praça compreende as ruas Sezerdelo Corrêa, Tv. dos Mundurucus, e Tv. Padre Eutiquio.
O QUE FAZER: A praça possui coretos, barracas de água de coco, chafariz, bancos, além de um espaço voltado para o público infantil. No local também é comum encontrar pessoas que praticam exercícios, como corrida e musculação.

LUCAS ISMAEL REZENDE:

Lucas é jornalista e publicou em 2016 a sua primeira obra pela Editora Empíreo. "Não Quero Ser Lembrado" que é um thriller que aborda a vida de Bernado, um homem de meia-idade, que não tinha grandes ambições, possuía uma vida bem medíocre e desde muito jovem sabia que deveria viver assim, até o dia em que ele assassina a sua esposa com as próprias mãos. Compre Aqui.

Foto: Fundação Cultural do Pará - Antigo CENTUR

LUCAS: "CENTUR - Além do Cine Líbero Luxardo, que é famoso por exibir filmes que correm por fora do circuito comercial, o Centur possui uma ótima biblioteca e é um local que estimo com muita memória afetiva, pois era onde a Feira Pan Amazônica do Livro acontecia, na minha infância, e minha mãe costumava me levar para ver as novidades literárias do ano. Ajudou e muito a construir minha paixão por livros e por cultura em geral."
LOCALIZAÇÃO: Av. Gentil Bittencourt, 650 - Nazaré
TELEFONE: 91 - 3202-4300
HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO: Biblioteca - Seg. a Sex. de 08h30 às 18h00
Cine Líbero Luxardo: Comumente tem sessões de quarta a domingo, porém consultar pelo telefone (91)3202-4321
Galeria Theodoro Braga: Seg. a Sex de 08h30 às 18h00
MAIORES INFORMAÇÕES: Site da Fundação Cultural do Pará

Roberta e Lucas ainda tiveram o mesmo pensamento em indicar um bom restaurante para vocês, confiram:

Foto: Restaurante Govinda
Fonte: Site do Govinda

GOVINDA:

ROBERTA:Fui la recentemente e adorei. Com pratos inspirados na culinária indiana, um lugar imperdível pra quem quer comer algo diferente e saboroso. A decoração também me chamou bastante a atenção
LUCAS: Restaurante vegetariano localizado no centro da cidade, com influências da cultura indiana. Gostoso, barato e com sabores únicos que você só encontra por lá. As combinações no cardápio são surpreendentes. Nunca saí de lá insatisfeito e vou sempre que posso.
LOCALIZAÇÃO: Tv. Padre Prudêncio, 166 - Campina
TELEFONE: 3222-2272
HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO: de Seg. a Sáb. de 08h30 Às 15hs

Então pessoal. Gostaram das indicações? Uma melhor que a outra não é verdade? Não percam a oportunidade de visitar esses espaços e conhecer mais um pouco a cidade de Belém que há mais de 400 anos possuem detalhes únicos, nunca encontrado em nenhum lugar desse país, que inspiram tanto a esses autores a produzirem ótimas coisa.

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