Resenha: 50 Anos de Jornada Nas Estrelas (Volume 01) - Edward Gross e Mark A. Altman

janeiro 04, 2017 / Rosane Santos /

Vamos fazer uma viagem intergalática através dos bastidores de Jornada Nas Estrelas que conquistou milhares de fãs.





50 Anos de Jornada Nas Estrelas (The Fifty-Year Mission: The First 25 Years)
A história completa, não autorizada e sem censura
Volume 01
Autores: Edward Gross/Mark A. Altman
Editora: Globo Livros
Ano: 2016
Skoob: 4.2 Estrelas / Goodreads: 4.2 Estrelas
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04 estrelas

Após seis séries de tv, treze longas e cinco décadas como ícone da cultura pop, Jornada nas estrelas se tornou uma das franquias mais duradouras e rentáveis de Hollywood. Na mesma época da estreia no Brasil de Star Trek: Sem fronteiras, nova adaptação para os cinemas, a Globo Livros lança o primeiro volume de 50 anos de Jornada nas estrelas. A coleção reúne histórias de bastidores narradas por pessoas diretamente ligadas à série, como seu criador Gene Roddenberry. Repleto de revelações surpreendentes, cartas, roteiros alterados e memorandos trocados entre a equipe, este primeiro volume aborda o período que vai da criação do conceito da série original estrelada por William Shatner e Leonard Nimoy até os anos seguintes ao seu cancelamento.

Autor: Edward Gross é jornalista de entretenimento com uma longa carreira em publicações voltadas para o público geek, além de ser também autor de diversos livros de não ficção sobre seriados de TV e super-heróis. Ele vive em Nova York com sua esposa, Eileen, seus três filhos, Teddy, Dennis e Kevin, e uma adorável vira-lata chamada Chloe.

Autor: Mark A. Altman é considerado um dos maiores especialistas em Jornada nas estrelas de todo o mundo. Como jornalista, ele cobre a franquia há mais de uma década. Presença constante na Comic-Con de San Diego, foi fundador da revista Geek e também atua como roteirista, produtor de TV e cinema. Ele vive em Los Angeles com sua esposa, Naomi, seus filhos, Ella e Isaac, e três gatos.

"O espaço, a fronteira final. Estas são as viagens da nave estelar Enterprise em sua missão de cinco anos para exploração de novos mundos, para pesquisar novas vidas, novas civilizações. Audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve." (Abertura do episódio The Man Trap, no Brasil o nome do episódio foi traduzido como O Sal da Terra).

Resenha: Em 8 de setembro de 1966, 50 anos atrás, ia ao ar na TV norte-americana a série que se tornaria um marco, um ícone da cultura pop e da ficção cientifica, que se tornou uma das maiores franquias e que continua sendo um sucesso absoluto. É claro que estamos falando de Star Trek, ou como é conhecida no Brasil: Jornada Nas Estrelas. E, para comemorar essa ocasião tão especial, 5 décadas após o lançamento da série clássica, a editora Globo Livros decidiu presentear os fãs dessa série tão aclamada e amada trazendo para o Brasil o livro 50 Anos de Jornada Nas Estrelas – A história completa, não autorizada e sem censura (volume 1 de uma série de livros, que ainda não sabemos quantos serão), que é uma espécie de livro de bastidores contendo diversas entrevistas entre atores, roteiristas, fãs, críticos e outros, memorandos, relatos e muitas outras informações imperdíveis para todos aqueles que se interessam em saber um pouco mais sobre mundo incrível criado pelo gênio, não há como negar que ele é, Gene Roddenberry.



No decorrer da leitura, nós vamos descobrindo mais sobre como foi todo o processo de criação da série, como nasceu essa ideia na cabeça de Gene e como ele pretendia dar vida a esse projeto. E isso com certeza não foi algo fácil, Roddenberry enfrentou diversas dificuldades para que a série enfim fosse ao ar. Entre problemas com orçamento que não fechava, produtores e atores que não entendiam bem qual era a premissa da série, além de diversas divergências e atritos com a emissora NBC, o segundo piloto da série foi finalmente vendido para a emissora.



Você consegue imaginar Jornada Nas Estrelas sem Spock ou sem o carismático Capitão Kirk? Pois então, nesse livro ficamos sabendo que no piloto original da série, que foi recusado pela NBC, não tínhamos o Capitão Kirk, mas sim o Capitão Christopher Pike que era interpretado pelo ator Jeffrey Hunter (que desistiu de interpretar o personagem, apesar das insistências de Roddenberry) e além dele tínhamos uma mulher como segundo-oficial (a Número Um) no comando da nave, o que não agradou nada a emissora (e aqui vemos o quanto a série sofreu por tentar buscar uma igualdade dos gêneros em período cheio de censura, afinal, as grandes empresas queriam lucrar e quem assistiria uma série que tem uma mulher em posição de comando, e sabendo que hoje ainda encontramos barreiras imaginem como era na década de 60!). Roddenberry então teve que fazer uma série de mudanças e fazer diversas alterações no plano para que a série se tornasse atrativa para as emissoras e ainda assim conservasse a sua essência.

“E foi assim que William Shatner subiu a bordo, porque Hunter não quis pegar o papel.” P. 138 (Oscar Katz).

E então temos no segundo piloto uma trama definida, personagens carismáticos e que conquistam o público com suas personalidades distintas. Entre os principais estão: Capitão James Tiberius Kirk, Spock, Dr Leonard McCoy, Tenente Uhura e Hikaru Sulu. E aqui nós podemos observar a tentativa da série em promover um elenco multicultural, dando oportunidade de destaque (algo extremamente raro naquele período) a um asiático e uma mulher negra.



O livro, que foi elaborado por dois jornalistas considerados como especialistas em Jornada Nas Estrelas, também traz diversos relatos em relação as tensões que existiam no set de filmagem, a constante pressão exibida pela NBC que vetava diversas ideias da série, e acaba frustrando os roteiristas. As críticas são severas também em relação a Gene Roddenberry, que acabou irritando alguns escritores e produtores, além de se envolver em alguns escândalos como o fato de ter traído a esposa, com quem tinha duas filhas, com uma atriz que participou da série e com quem teve outro filho, o Rod Roddenberry,que inclusive aparece em alguns trechos do livro defendendo a obra e a vida do pai.

“Não importa o que Gene foi como homem de negócios, escritor, showrunner ou produtor, ele era um homem com uma visão nobre da sociedade e, para mim, isso permanece como sua grande conquista. Simplesmente dizer ao mundo que, no futuro, nossa sociedade será melhor é uma mensagem bonita, e acho que é o grande legado de Gene”. (Adam Malin, pág. 74)

O fato é que, por ser algo novo na TV, algo que intrigava e que tinha como objetivo justamente provocar a reflexão nas pessoas, fazer com que eles vissem como o homem poderia evolui além das guerras mesquinhas e preconceitos, não era algo aparentemente com muito valor “comercial” e não era algo que as emissoras de Tv estivessem dispostas a bancar, afinal, se as pessoas de fato começassem a pensar mais e percebessem o quanto são influenciadas por essas mesmas emissoras, então isso não seria nada bom, não é mesmo?



Gene tentou criar personagens acima de tudo humanos, até o Spock tem um lado humano, imperfeitos, racionais e que ao mesmo tempo precisam lidar com um turbilhão de emoções e escolhas, mas dispostos a fazer a coisa certa, o quanto o outro não pode ser visto como inimigo, mas alguém que pode nos ensinar a ver as coisas de outro modo e nos acompanhar em nossa jornada.

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Definitivamente esse foi umas das leituras que mais me surpreenderam em 2016, não imaginei que fosse acabar tão ligada nas narrativas, e isso fez com que eu me interessasse ainda mais pela série, foi realmente como se eu estivesse ali, acompanhando todo esse processo de criação. É de fato uma leitura imperdível, super-recomendada. E a editora Globo Livros está de parabéns por essa edição maravilhosa, está impecável, foi muito bem trabalhada, em todos os detalhes.



E, para quem ainda não conhece a série clássica fica a dica: a Netflix (nosso amor) disponibilizou no mês de dezembro as três primeiras temporadas da série (#partiumaratona) e também tem no catálogo alguns filmes e a série Star Trek: Deep Space Nine. Então é isso gente, espero que vocês tenham gostado da resenha, minha vontade era de escrever bem mais porque é muita coisa legal que esse livro mostra e é realmente sem censura (pra quem gosta de treta hahaha).


  • Recomendo essa obra:
    • Para os fãs de carteirinha da série
    • Para quem gosta de saber um pouco mais de bastidores
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