Resenha: Deuses Americanos - Neil Gaiman

janeiro 18, 2017 / Francisco Soares Chagas Neto /

O livro é repleto de referências a deuses de várias mitologias, com criticas e homenagens ao povo norte americano




Deuses Americanos (American Gods)
Autor: Neil Gaiman
Editora: Intrínseca
Ano: 2016
Skoob 4,2 Estrelas / Goodreads: 3,81 Estrelas
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05 estrelas

A saga de Deuses americanos é contada ao longo da jornada de Shadow Moon, um ex-presidiário de trinta e poucos anos que acabou de ser libertado e cujo único objetivo é voltar para casa e para a esposa, Laura. Os planos de Shadow se transformam em poeira quando ele descobre que Laura morreu em um acidente de carro. Sem lar, sem emprego e sem rumo, ele conhece Wednesday, um homem de olhar enigmático que está sempre com um sorriso no rosto, embora pareça nunca achar graça de nada.
Depois de apostas, brigas e um pouco de hidromel, Shadow aceita trabalhar para Wednesday e embarca em uma viagem tumultuada e reveladora por cidades inusitadas dos Estados Unidos, um país tão estranho para Shadow quanto para Gaiman. É nesses encontros e desencontros que o protagonista se depara com os deuses — os antigos (que chegaram ao Novo Mundo junto dos imigrantes) e os modernos (o dinheiro, a televisão, a tecnologia, as drogas) —, que estão se preparando para uma guerra que ninguém viu, mas que já começou. O motivo? O poder de não ser esquecido.

Autor: Neil Gaiman é um dos maiores autores de ficção fantástica dessa geração, Apesar de ter começado a sua vida com duas biografias, o autor deslanchou mesmo foi com Sandman, onde ele criou uma das maiores mitologias na atualidade. Além disso, o autor ganhou vários prêmios na área da literatura, e uma da adaptações de sua obra chegou a concorrer ao Oscar em 2009. Deuses Americanos é um de seus maiores sucessos que tem lançamento previsto para 2017.


Antes do advento da expansão do cristianismo e da evolução da ciência, os povos da humanidade criaram várias divindades que eram responsáveis pelas explicações da origem do mundo. Além disso, através das crenças, a esses seres que hoje denominamos de mitológicos, para que conseguisse as suas "graças", se faziam oferendas, sacrifícios, enfim, essas divindades sempre eram lembradas. Pode-se citar o exemplo da mitologia nórdica, grega, romana, egípcia, dos povos africanos, orientais, indígenas. Enfim, são milhares de divindades que faziam parte da cultura de milhares de povos.

É natural que quando esses povos migrassem para outras regiões, houvesse o encontro entre essas culturas, e muitos deuses sumissem com as populações dominadas.

E se esses deuses vivessem entre nós? Alias, os gregos e romanos acreditavam que eles viviam, e por isso eram bem receptivos com os forasteiros.

E se os deuses do velho mundo tivessem migrado para os Estados Unidos, juntos com aqueles que acreditavam neles? Afinal de contas, para eles existirem, bastava que houvesse alguém que acreditasse neles.

Como seria que eles viveriam nesses locais?

E agora, com o sumiço da crença nesses deuses, em quem o povo norte americano acredita?

Quem são os novos deuses desse país?

Neil Gaiman resolveu escrever sobre isso, criando a obra "Deuses Americanos", sendo uma alegoria dessas crenças e mudanças sociais do povo norte americano.



ENREDO

A história de Neil Gaiman, retrata a vida de Shadow, um presidiário que acabou parando na prisão, depois de uma situação de alto estresse. Após a sua saída, o que ele planejava acabou indo por água abaixo. Sem mulher, sem emprego, sem respeito, o jovem se ver obrigado a ser contratado por um senhor bem estranho e que fazia pequenos trambiques e tinha como nome Wednesday.

Nesse meio, ele começa uma road trip pelo interior dos Estados Unidos, e encontra pessoas estranhas, na verdade ele começa a perceber que esses seres na verdade são deuses do velho mundo, nesse caminho ele dá de cara com Anúbis, Isis, Osiris, Loki, entre outros, vivendo relativamente a margem da sociedade. Ele percebe que Wednesday está tentando convencer essas divindades a participar de uma guerra com os deuses atuais. Durante a história conhecemos a deusa da Mídia, o Técnico, o Deus do Cartão de Crédito, enfim. A ideia dos novos deuses é acabar de uma vez por todas com os deuses do velho mundo para assim dominarem os Estados Unidos.



HOMENAGEM AO POVO NORTE AMERICANO

A história criada por Neil Gaiman com certeza é uma grande homenagem ao povo norte americano, ao final do livro, ele conta que ele tinha uma visão desse povo, através dos filmes totalmente distorcida (Neil Gaiman é britânico), e que somente ao escrever esse livro ele pode conhecer um pouco mais dos estadunidenses normais.

Durante a road trip é possível vislumbrar vários detalhes bem interessantes, no que diz respeito ao povo, a sua forma de pensar, de acolher uns aos outros. É visível na segunda parte, principalmente o interesse do autor em nos mostrar as várias pessoas boas que podemos encontrar ao longo do caminho, que lhe ajudam sempre que for preciso e vivem de um modo comunitário bem bacana. É fácil você se sentir acolhido, assim como Shadow ao ler essa história, porque afinal de contas, Neil Gaiman passou por isso, viajou intensamente para conhecer esses locais e provavelmente conheceu pessoas maravilhosas que foram citadas nesse livro.

Além disso, ao tratar dos deuses, o autor faz um resgate do processo de imigração ocorrido nos Estados Unidos, os sofrimentos, as coisas boas, trazendo um resgate, nem que seja um pouco, da cultura norte americana, da formação desse povo, tornando um narrativa recheada de várias mitologias, sem parecer algo didático.



CRITICAS AO POVO NORTE AMERICANO

Como é possível ver em quase todas as suas obras, Neil Gaiman faz um critica pesada ao modelo norte americano de vida, ao "endeusamento" do "mundo tecnológico" em contraponto as antigas tradições. O novos deuses são alegorias bem construídas de uma população que não está mais se relacionando, deixando os seus velhos hábitos para traz, e não tendo um objetivo futuro. E que tão logo esses deuses atuais percam importância, eles serão simplesmente descartados.

Além disso, o autor imputa algumas criticas ao valores morais também estabelecidos nos dias de hoje. É possível perceber isso, quando ele cria uma cidade que não possui nenhum problema sócio-econômico, mas que eles tem um preço a ser pago. Então, em que circunstância devemos aceitar essa troca? O quanto fechamos os olhos para os problemas já que estamos bem, não é verdade?

UNIVERSO FANTÁSTICO

Com certeza todos os assuntos tratados aqui criam um carisma interessante, se imputado a parte fantástica dessa história. Afinal de contas, estamos falando de deuses, não é verdade? Então o uso do seu poderio, as disputas, a mágica, vezes tem uns toques mais discretos, vezes tem utilizações constantes, afim de nos deixar anestesiados com tanta beleza criativa construída ao longo de cada capitulo.

EXTRAS

A divulgação dessa edição, como a preferida do autor não é atoa, segundo ele, essa obra tem 20 mil palavras do que a primeira edição lançada em 2001, o que nos da um panorama e entendimento muito maior, daqueles que leram Deuses Americanos em outras edições. É possível, ver um prefácio onde o autor indica detalhes a mais dessa edição, assim como capítulos extras, que foram retirados do texto do livro. E nessa edição da Intrínseca o tradutor ainda pontua algumas notas ao final, que lhe ajudará a entender algumas questões, relativas as suas escolhas, o que é maravilhoso para nós leitores, e para aqueles que querem seguir a carreira de tradução, um dia (Acho, que precisamos de tradutores que se preocupem mais com o leitor, assim como o Leandro Alves).

Enfim, agora eu simplesmente não posso esperar menos da série que chega em 2017, e tem o roteiro do próprio Neil Gaiman. Confesso que as minhas expectativas estão lá no Panteão. Confira o Trailer da série abaixo:



Então se você gosta de:

  • Mitologias e deuses;
  • Histórias recheadas de sacarmos;
  • Road Trip;


Não Perca tempo, essa história é para você

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