Resenha: O Feiticeiro de Terramar - Úrsula K. Le Guin

janeiro 24, 2017 / Francisco Soares Chagas Neto /

Um clássico da literatura fantástica volta as mãos dos brasileiros em uma edição totalmente nova para levar uma nova legião de fãs ao universo de Terramar




O Feiticeiro de Terramar (A Wizard of Earthsea)
Earthsea Cycle #1
Autora: Ursula K. Le Guin
Editora: Arqueiro
Ano: 2016
Skoob 4,1 Estrelas / Goodreads: 3,99 Estrelas
Compre Aqui
05 estrelas

Há quem diga que o feiticeiro mais poderoso de todos os tempos é um homem chamado Gavião. Este livro narra as aventuras de Ged, o menino que um dia se tornará essa lenda.
Ainda pequeno, o pastor órfão de mãe descobriu seus poderes e foi para uma escola de magos. Porém, deslumbrado com tudo o que a magia podia lhe proporcionar, Ged foi logo dominado pelo orgulho e a impaciência e, sem querer, libertou um grande mal, um monstro assustador que o levou a uma cruzada mortal pelos mares solitários.

Autora: Ursula K. Le Guin Hoje com seus quase 90 anos é uma das maiores autoras da fantasia e ficção cientifica do século XX. Feminista declarada, suas obras sempre permearam pela questão da representatividade, sendo uma grande influências para grandes autores da nova geração, como Neil Gaiman, Patrick Rothfuss e Joe Abercrombie. Além disso, a autora faturou dezenas prêmios da literatura ao longo de sua vida, incluindo Hungo, Locus e Nebula.



Lançado originalmente em 1968, O Feiticeiro de Terramar já teve várias versões aqui no Brasil, inclusive com outros títulos, como "O Mago de Terramar", "Histórias de Terramar I (copilado de dois livros da série)", além do titulo em português de Portugal "O Feiticeiro e a Sombra.

A história vai retratar a vida de Ged, um Mago que é um dos maiores de sua geração em Terramar, porém mostrando que antes de ele se tornar um grande mago, ele tem um passado bem semelhante a todos nós seres humanos: Cheio de erros e arrogância.

“Nunca lhe ocorreu que o perigo ronda o poder como a sombra persegue a luz? A feitiçaria não é um jogo que jogamos por diversão ou para receber elogios. Pense nisto: toda palavra, todo ato de nossa arte, é falada e feita para o bem ou para o mal. Antes de você falar ou fazer, tem que saber o preço a pagar!" (p.31)


Tudo começa, quando ele ainda é jovem, e morador da Ilha de Gont, Ged é criado por uma parente sua, que mostra um pouco sobre a magia, até que aos 12 anos ele acaba fazendo algo relativamente grande em sua localidade, chamando a atenção de um grande mago, que acredita que ele irá se tornar um expoente da sua geração, e talvez de todos os tempos, e então tenta ser o seu mentor.

Encegueirado pela vontade de usar o seu poder, e com a sua arrogância vencendo, o mestre acaba enviando Ged para uma escolas de magos. Lá ele aprende muitas coisas, porém em uma disputa sem sentido acabar por soltar um grande mal que o assola, desde então. Agora, o jovem precisa em uma jornada de autoconhecimento, superar vários desafios para vencer essa grande batalha interior.

Mapa de Terramar disponível no site da autora


TERRAMAR

O local criado pela autora é um conglomerado de arquipélago e ilhas. Lá vivem vários povos, que normalmente possuem um mago, ou feiticeiros que o ajudam em momentos de necessidade. Afinal, por vezes esses povos precisam de ajudar para lutar com figuras míticas como os dragões. Por falar nisso, nesse primeiro livro a autora dá um bom panorama do que seria Terramar, circundando por várias áreas, onde a gente pode conhecer várias populações.

MAGIA

O sistema de magias é bastante interessante, e acabou inspirando autores como Patrick Rothfuss, apesar de Ursula ser bem menos prolixa. Esse sistema é baseado no uso da palavra que acaba evocando esses poderes, porém elas devem ser usadas de maneira correta, e muitas delas vieram da língua dos dragões. Que por falar nisso, as cenas que ele aparecem, apesar de serem mais em um capitulo é bem interessante. Além deles serem semelhantes a Cobra de Adão e Eva, no que diz respeito à sua perspicácia (não todos é claro).

REPRESENTATIVIDADE

Em um texto, após a obra a autora fala muito dessa questão, e mostra como a representatividade acontece em sua obra, mostrando que o mentor de Ged é negro, além da maioria dos outros magos, porém não deixando isso tão explicito tendo em vista o preconceito que era visto naquela época, onde ainda ocorriam assassinatos no mundo, somente por alguém ser negro. Isso é uma grande vitória, que outros autores não conseguiram, como CW Lewis e o próprio Tolkien, que inspirou bastante a autora

A ESCRITA E A FUGA DAS GRANDES BATALHAS ÉPICAS

É comum em histórias de fantasias a jornada do herói ser formado por várias batalhas grandiosas. A autora se diz contrarias, alias ela critica bastante as pompas construídas em meio essas grandes guerras, então percebe-se na história o maior foco em uma batalha, que de certa forma também é muito grande, que é aquela que lutamos internamente com muita frequência.

Outro detalhe é que a autora é extremamente economicista nas palavras, porém o que não quer dizer, que não seja profunda, pelo contrário, em uma página ocorre muitos detalhes que se não forem lidos com atenção podem ser perdidos, o que ela faz é cortar excessos de descrições, mostrando em poucos parágrafos o que muitos autores levariam um livro inteiro. Na minha opinião, esse método dela é uma coisa muito bacana e difícil de se fazer, diga-se de passagem, e por isso a cada paragrafo, eu me sentia maravilhado.

Ao chegar, ao final da história eu me senti plenamente satisfeito com o que foi proposto, e claro apesar de um livro bem fechado, quero me imergi um pouco mais nesse universo que eu tenho certeza que ainda tem muita coisa a nos contar.



Então:

  • Se você quer se imergir em uma fantasia clássica;
  • Gosta de Magos e Dragões;
  • Quer ler um pouco mais sobre obras que inspiraram Neil Gaiman

Entre nesse mundo, porque você não vai se arrepender.

Recomendado Para Você

0 comentários

Comente com o Facebook

Instagram