Como as Livrarias Físicas podem sobreviver ao mundo virtual

fevereiro 21, 2017 / Redação SOODA /

Nossa opinião em relação as apostas que as livrarias deveriam fazer para sobreviver a esse mercado que tem preferido a compra Online




Em meados de 2012, assisti a uma palestra da Luiza Trajano, CEO do Magazine Luiza, falando da importância da classe C para nossa estrutura de mercado. Claro, muito do que ela falou se confirmou e isso se aplica ao mercado de livros. Algumas empresas cresceram relativamente bem durante esse período. Até 2016.

Na verdade, há cerca de dois anos as livrarias já vem dando sinais de que não caminham tão bem assim. Mas o que aconteceu com a Classe C, ela não seria o futuro do consumo no Brasil? E é, porém junto com essa fatia do mercado que estima-se que só no Brasil são mais de 30 milhões de brasileiros, vem outro porém: A Internet.

No mesmo evento que assisti a Palestra da empresária, assisti a um outro painel com várias empresas, entre elas a CVC, no qual falava-se da crise que passava o mercado de agência de viagens com o advento da internet. Ora, se o consumidor pode comprar passagem e hospedagem, e ainda por cima montar o seu passeio de maneira online. Porque pagar mais caro pela intermediação de uma agência? A conclusão que o mercado de viagens chegou em 2012 é que as pessoas não deveriam mais ser agente de viagens e sim consultores, e que deixariam de vender passagens, para vender: Experiências.

Voltando ao mercado literário, hoje com o advento da internet, os livros estão sendo cada vez mais sendo consumidos de forma online. Seja pelos ebooks, que apesar de ter tido uma retração no mercado exterior, seja pela compra online. Afinal de contas, se o preço de capa de um livro é R$ 49,90, dificilmente nos sites de compras onlines o consumidor paga mais de R$ 39,90 pelo mesmo produto. Então o que fazer para atrair esse público de volta as livrarias?

Na minha opinião existem duas soluções: Virar uma Lojas Americanas, ou Transformar a venda em Experiência.

A primeira delas, é necessário agressividade, afinal de contas, para baixar o preço dos livros é necessário aumentar o volume. E isso, é complicado em um país onde o consumo de livros ainda é bastante baixo. E na minha opinião, no final das contas poucas irão sobreviver. Até porque não precisamos de muitas lojas que atuam nessa metodologia. Uma ou duas é o suficiente, tendo em vista que elas terão o mesmo padrão em relação a qualidade de atendimento e os preços serão bem semelhantes.

Evento de Lançamento da Criança Amaldiçoada que levou mais de 600 pessoas a Saraiva Megastore Belém

A segunda, que em minha opinião surte mais efeito, parte da premissa das Ciências Humanas e da Comunicação: O ser humano é um ser sociável por natureza, e precisa se comunicar, precisa trocar experiências. E isso nunca será completo de maneira online. Por mais que nossa sociedade viva cada vez mais dependente do virtual, o real é o único que realiza essa relação de forma completa.

Um exemplo disso: Kéfera é uma celebridade da internet. Mas se você leva ela para determinado local, centenas de pessoas se deslocam para conhece-la pessoalmente. Ou seja, apesar de ela ter sido fabricada no meios online, somente a experiência offline é única e completa.

E nisso que as livrarias físicas deveriam apostar: melhorar a interação e experiência do leitor. até porque a leitura, é um hábito solitário, é maravilhoso, lindo. Mas quando terminamos, é natural querer realizar a troca de experiências com outros leitores daquela obra, compartilhar o que gostamos, o que não gostamos e nossas reflexões. E isso pode ser feito no online? Sim, mesmo assim, não é tão completo como a experiência presencial.

Por isso, clubes de leituras tem crescido, assim como a presença em eventos literários. Os encontros que proporcionem que o leitor tenha uma experiência mais completa em relação às suas leituras. E isso tem funcionado em vários locais. Podemos ver aqui no Brasil e exterior, o quanto isso tem crescido. A necessidade do ser humano se inter-relacionar. Afinal de contas, é inerente a nossa espécie.

É bem verdade que fazer esse trabalho é bem difícil, pois teria que se gerenciar milhares de pequenos grupos, porém a experiência gerada nele trará uma coisa que talvez a Internet e Lojas como Americanas não consigam da mesma forma: Fidelidade.

Texto por Francisco Chagas Neto

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