Resenha: Battle Royale - Koshun Takami

fevereiro 06, 2017 / Redação SOODA /

Poucos descrevem a violência e histeria humana como os japoneses e Battle Royale é uma prova disso




Battle Royale (Battle Royale)
Autor: Koushun Takami Editora: Globo Livros Lançamento: 2014 (Brasil) Skoob: 4,6 Estrelas / Goodreads: 4,2 Estrelas
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5 Estrelas
Sinopse: Como parte de um programa implacável pelo governo totalitário, os alunos do nono ano são levados para uma pequena ilha isolada e recebem um mapa, comida e várias armas. Forçados a usarem coleiras especiais, que explodem quando eles quebram uma regra, eles devem lutar entre si por três dias até que apenas um "vencedor" sobreviva. O jogo de eliminação se torna a principal atração televisiva de reality shows. Esse clássico japonês é uma alegoria potente do que significa ser jovem e sobreviver no mundo de hoje.

Battle Royal é uma luta surgida na época de Roma, onde vários oponentes lutam entre si até que somente fique um deles em pé, sendo declarado o vencedor. Nos Estados Unidos a luta chegou no século XIX e era utilizada basicamente entre os escravos e acabava sendo uma forma de controle das revoltas escravocratas. Após a abolição, a luta retorna com o nome de "professional wrestling" com regras bem claras tendo uma mesclagem com as lutas modernas.

Professional Wrestling - Wikipédia


Pensando em todo esse contexto, Koshun Takami, une a ideia de Battle Royal aplicando-a em uma sociedade totalitária, denominada República da Grande Ásia Oriental, que envolve diversos países que foram unidos, gerando assim uma história extremamente violenta, que em 1996 se envolveu em uma polêmica dentro de um prêmio literário devido ao teor sanguinolento da obra, adiando o lançamento dela para 1999, gerando um sucesso estrondoso, o que culminou em um filme e um mangá.

A história, aborda um jogo, Battle Royale, criado após várias revoltas de estudantes em cima do governo que estava se instalando à época. A ideia é bem simples, uma turma é escolhida aleatoriamente, e o objetivo dos alunos é matar uns aos outros, restando apenas um estudante ao final. Como? Depende de cada estudante. Eles receberiam um Kit de Sobrevivência, com água, comida e uma arma, ou objeto de defesa, e assim deveriam tentar matar e sobreviver. Além disso, eles não podem fugir, pois possuem uma coleira impossível de tirar que explode matando-os. E para completar de tempos em tempos uma área ao redor do jogo é proibida, obrigando-os a se aproximar, e se em 24 horas não houvessem mortes, todas as bombas nas coleiras seriam acionadas. Ou seja, morrer, ou morrer.



O INICIO E PERSONAGENS

42 alunos da Escola Secundária Shiroiwa, que estão no último ano (tendo entre 13 e 17 anos) acreditavam que estavam indo a uma excursão, até que todos adormecem de maneira misteriosa. Quando acordam, ficam assustados com a mudança de ambiente e percebendo aonde foram parar. Sakamochi, é o cara responsável pela edição do jogo (o Pedro Bial da Morte), explicando as regras aos estudantes. Logo no inicio, mostra aos jovens o corpo do professor morto, para que eles percebam que aquilo não é uma brincadeira. Mesmo assim, um dos estudantes se atreve a questiona-lo de maneira austera, e leva um tiro no meio da testa, restando assim 41 estudantes.

Aos poucos vamos conhecendo cada um dos personagens, histórias e motivações de suas escolhas em participar, se esconder, ou ainda ser resistente ao jogo. É bem interessante a variedade de características, os quais somos apresentados e nos deparamos ao longo da história com várias questões, o psicopata, a sobrevivente que decide participar do jogo, os que decidem desistir por amor, os que lutam até o final, a histeria coletiva de alguns grupos. Até a última parte do livro ainda somos apresentado a personagens que ainda não haviam aparecido, isso ao meu ver, tornou o livro de mais de 600 páginas, uma obra bem menos cansativa do que se espera.



DESENVOLVIMENTO E MORTES

A história é imprimida em vários ritmos, algumas vezes um pouco mais lento e outras vezes bem mais rápidas. Esse altos e baixos foram importantes para que a história não ficasse muito cansativa, e que o leitor tenha tempo de respirar. Em vários momentos eu tive empatia com alguns personagens, senti pelas mortes deles, outras vezes tive ódio de outros. Enfim, o autor transpassou vários sentimentos, tentando nos pontuar que várias pessoas tem atitudes bastante diferentes em situações de alto estresse, inclusive surpreendendo-os. Na verdade o que achei bastante interessante nessa obra distópica, não foi o governo e politica criado pelo autor, mas o impacto do jogo sobre nós, seres humanos.

As mortes foi algo extremamente pensado pelo autor, ele vai construindo-as aos poucos, não é simplesmente morrer por morrer, mas com um objetivo, sendo utilizadas no momento certo. Sem contar que elas eram extremamente descritas, a riqueza de detalhes da finalização de algumas vidas, algumas vezes embrulhava o estômago, mas eram importantes para o enredo.



Ao chegar ao final da obra é difícil ter um pensamento formado, sobre tudo que estava estabelecido nela, porém aos poucos com uma digestão mais trabalhada vamos compreendendo suas nuances, e percebendo o quanto ela é rica para a literatura distópica. O Mangá ainda não está entre as minhas listas de leitura, mas com certeza o filme sim, quero ver como foi o desenrolar dessa obra nos cinemas.

Então, se você:

  • Curti distopias;
  • Obras sanguinolentas;
  • Reflexões acerca do nosso mundo e suas mudanças;


Leia Battle Royale, você não vai se arrepender.



Autor: Koshun Takami é jornalista, e Battle Royale foi sua primeira e última obra, lançada até então. Ele também foi responsável pelo Mangá lançado um ano depois.

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