TV: Big Little Lies e a luta pela sobrevivência em uma sociedade machista

abril 04, 2017 / Redação SOODA /

A Mini-série da HBO estreladas pelas atrizes Reese Witherspoon, Nicole Kidman, Shailene Woodley com foco nos dilemas e dramas das mulheres que precisam sempre lutar pelo seu espaço




No último dia 02 de abril chegou ao ar o último episódio da mini-série produzida pela HBO, Big Little Lies, baseada no livro da autora Liane Moriaty, Pequenas Grandes Mentiras, que conta a história de um crime que ocorre em uma festa de pais de estudantes do pré-escolar. Ao se debruçar na história, percebe-se que o crime foi motivado a partir de meias verdades que vamos conhecendo ao longo da história, envolvendo desde bullying, violência doméstica, estupros, e até a famosa guerra entre as mães que trabalham, ou a que vive para os filhos.

A história começa no dia de apresentação escolar, quando a filha de Renata (Laura Dern)foi agredida por um outro aluno. Ao ser obrigada a falar quem foi o responsável pela agressão ela acaba denunciando o filho de Jane (Shailene Woodley) que logo afirma que não foi o responsável pelo ato contra a garotinha. Dessa forma, Madeline (Reese Witherspoon) e Celeste (Nicole Kidman) acabam saindo em defesa de Jane formando assim uma relação de amizade entre as três.

A atuação das quatro personagens são impecáveis. Madeline, a líder do grupo é cheia de neuras em relação a amizade, seu primeiro casamento, sem contar alguns preconceitos com mães que trabalham, porém ao mesmo tempo que seu modo perua é ativado ela tem um grande coração sim, o que causa certa empatia a todos nós.

Renata é a mãe que foi colocada para a gente odiar, especialmente nos primeiros episódios, quando ela acusa o garotinho sem provas nenhuma, e mostra o lado mandona por ser uma presidente de uma grande empresa. O tipo de esteriótipo de que mulher, mãe e empresária tem que ser durona se quiser sobreviver. Porém, próximo do final, agrega-se seus medos, e neuras mostrando sim, que ela é humana, que seu comportamento agressivo tem uma motivação, apesar de não ser justificável.



Celeste e Jane tem histórias complicadas, a primeira sofre violência doméstica e por vezes sente que é a responsável por isso e não consegue se desvincular do seu relacionamento abusivo. Já Jane é misteriosa e mais introspectiva devido ao seu passado negro que envolve o pai de seu filho que a deixou de certa forma áspera e introspectiva.

A série inicia com um enredo mais lento, quase parando na verdade, com poucas cenas chocantes ou cômicas. É quase como se estivéssemos em um Reality Show de ricos e famosos, acompanhando-os levar os seus filhos a escola e um monte de pessoas fofocando sobre aqueles personagens, apesar de que desde o inicio sabemos que houve um crime.

Porém, ao longo dos capítulos ficamos imersos aos dilemas internos e externos de cada personagem. Sofremos junto com Celeste que não consegue se sentir menos culpada dos surtos psicóticos de seu marido, ou ainda, as dificuldades de Jane em ser mãe solteira (Infelizmente isso é um problema em nossa sociedade). E ainda Madeline, tendo que administrar sua atual vida, com um casamento, no qual ela esta frustada por ainda não ter superado o abandono do seu ex-marido há muitos anos atras e seu repentino retorno, querendo ser um pai melhor para a sua filha mais velha, um pai que ele nunca foi, quando deveria ter sido.

Apesar de bem adaptado, existem diferenças consideráveis entre o livro de Liane Moriaty e a série da HBO. Primeiramente, no livro conhecemos um pouco mais das entranhas de algumas personagens, como a própria Celeste. A série de certa forma amenizou os sentimentos dela, e isso pode ter prejudicado no geral.

Por exemplo, eu estava conversando com um amigo esses dias, que me afirmava que a Celeste da série estava se sentindo culpada por gostar daquilo (Oi?). Não gente, não foi isso que a autora quis passar, e de certa forma nem a série, mas quando ela amenizou algumas questões, deixou menos claro para algumas pessoas, que a sensação ali, não era de quem estava gostando, mas de quem estava sofrendo, e muito.

Além disso, outras sub histórias foram criadas na série para criar sensação de imperfeição de alguns personagens. Algo que a meu ver, não era necessário, visto que aquelas personagens tinha nuances imperfeitas, não eram necessárias outras suposições que declarassem isso.

Na minha perspectiva, o último episódio também poderia ter sido estendido e transformado em dois, porque em alguns momentos ele foi por demais ágil e fazendo algumas revelações bem corridas, enchendo o espectador de informações, que talvez fosse necessário mais tempo para ser digerido. Apesar de que eu gostei da questão da união da mulheres, por um monstro ainda maior.



O Resultado final, com certeza é mais positivo do que negativo, afinal de contas, temos que conversar sobre isso, temos que desmistificar muitas questões e pontos que foram abordados na série, que além de tudo conta com uma fotografia única. Porém, se puderem, confiram também o livro, pois vocês conseguirão entender de maneira qualitativa alguns pontos que a autora quis passar, sendo alertas ou reflexões.

Vale ressaltar, que eu estou falando dessa série nas perspectiva de um Homem, que apesar de ter uma preocupação com a igualdade de gêneros, não vive na pele o mesmo sofrimento das mulheres acerca de tudo o que foi abordado na série. Então, como experimento, eu gostaria que vocês (especialmente as mulheres) assistissem e dessem o seu parecer aqui embaixo, a partir de suas experiências. Afinal de contas essa série é sim importante, porém suas reflexões são ainda maiores para que a luta pela igualdade de gêneros permaneça no dia-a-dia sobre todas as temáticas.

CONFIRA A RESENHA DO LIVRO, ESCRITO POR LIANE MORIATY



Confira aqui onde e quando poderá assistir aos episódios da série.

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