Resenha: Lobo por Lobo - Ryan Graudin

junho 21, 2017 / Redação SOODA /

Sob a perspectiva da vitoria de Hitler e o Eixo na Segunda Grande Guerra Mundial, a autora imagina uma sociedade que tem o medo, o ódio, e uma eterna resistência ao que seria um mundo governado pelos Nazistas




Lobo. Um animal sobrevivente da Era do Gelo. Ele anda sempre em matilha. Usa da inteligência para o ataque e resiste até o final. Ele também é o símbolo da resistência ao nazistas na história de Ryan Graudin. Uma história que poderia ser semelhante a nossa se Hitler e o Eixo tivessem vencido a Segunda Guerra Mundial. É esse o pano de fundo da história de Lobo por Lobo.

"A história - uma coleção tão fluída e frágil de datas e acontecimentos - sempre me fascinou. Inclui uma quantidade incontável de "e se". E se Hitler tivesse tomado a decisão de executar a Operação Leão-Marinho, invadindo a Inglaterra no verão de 1940? E se, em vez de atacar Pearl Harbor, os japoneses tivessem auxiliado no ataque a Hitler à União Soviética, fazendo Stálin combater uma guerra de duas frentes? E se os americanos tivessem se mantido fiéis à politica isolacionista tão popular durante a década de 1930? E se o Eixo tivesse vencido a Segunda Guerra Mundial? (Graudin, p. 351)


Sim. em Lobo por Lobo, todos os acontecimentos acima se tornaram real, deixando o mundo em um estado lamentável, especialmente os países europeus que agora estavam sobre o domínio de Hitler. E depois de 12 anos do final da Segunda Guerra Mundial ocorria uma corrida de motocicleta denominada "Tour do Eixo", no qual se iniciava em Berlin, ia por vários países orientais e africanos até chegar a Tóquio. Era um momento de demonstração de força.



Somente os melhores pilotos poderiam participar, e o vencedor tinha como honra se encontrar com Hitler no baile da Vitória. Era o momento certo que a resistência via em chegar próximo ao simbolo daquele mundo desolado e assim derruba-lo. Era a hora certa de assassinar Adolf Hitler.

Quem ficou encarregada dessa missão foi a jovem de 17 anos Yael. Ela aos seis anos de idade foi parar num campo de concentração nazista, porém conseguiu sobreviver, pois um Doutor daqueles bem malucos que andavam com Hitler, estava fazendo testes para tornar as pessoas arianos. O problema que a infinidade de testes tornou Yael uma metamorfa, ou seja capaz de se transformar a imagem e semelhança de qualquer pessoa, inclusive de Adele Wolfe, uma jovem promissora que estava prestes a disputar a Tour do Eixo de 1956. E assim, Yael sequestra e toma o lugar de Adele Wolfe para uma missão suicida de matar Hitler, ela sabia que não podia falhar e faria tudo para conseguir o seu objetivo.



Já conhecia a escrita de Graudin ao ler Cidade Murada, então sabia mais ou menos o que esperar, o que de fato não me decepcionou. A autora soube costurar bem e usou a licença poética sem perder a verossimilhança. É possível ver o quanto o mundo poderia ser diferente se os Nazistas tivessem ganhado a segunda guerra, o quanto viveríamos em estado permanente de guerra, afinal de contas, seria um mundo dominado pelo caos, pelo ódio, pela descrença. Porém, sabe-se que em meio à desilusão sempre existiria a resistência. E a autora também a colocou de maneira bem responsável, visto que antes mesmo de Hitler se suicidar, ele já tinha sofrido algumas dezenas de ataques.

O interessante é que Yael perdeu parte de sua personalidade, depois de anos de tortura, porém não perdeu a sua identidade e por isso, as cinco tatuagens de lobos que ela fez em seu corpo tem um grande significado, no qual vocês irão conhecer, próximo ao final da história.



A CORRIDA

Eu pouco conheço sobre as corridas de motos e nesse sentido achei bem interessante como a autora descreveu certas situações. É um sentimento, como se estivéssemos frente aos Rallys, como o Rally dos Sertões. O sofrimento dos motociclistas, as dores, os calos, as cãibras, tudo está presente, além de uma pitada de jogo sujo, que não existe nos dias de hoje com tanta frequência nesses eventos, porém, com certeza na década de 1950 isso seria mais comum.

O que foi um pouco difícil de engolir, eu confesso, foi a falta de monitoramento que os personagens possuíam perante ao exército Hitlerista. Apesar, de no inicio, uma das fugas de Yael ter sido logo detectada, depois disso, tudo pareceu mais fácil, inclusive uma situação que acontece próximo das fronteiras da Rússia. Mas enfim, dentro do contexto de histórias de YA é algo que por vezes é perdoável.

Outro incômodo sobre esse momento, com certeza foram os outros competidores. Além de Yael, estavam correndo na Tour, o irmão da verdadeira Adele, que logo sacou que a irmã estava estranha, mesmo assim, resolveu não denuncia-la em "prol da família", além de Luka, um possível affair, que horas era quase um adolescente mimado, outros momentos era um traiçoeiro daqueles. Na minha opinião, são personalidades que não casam com a intenção da história. Talvez o corredor mais coerente da história, seja Taksuo que mostrou desde o inicio seu objetivo e o que estava disposto a fazer para conquista-lo.



MENSAGEM

Seguindo na contramão de alguns historiadores contrários ao "E se", a autora decidiu contar uma história sobre essa base, mostrando a importância da tolerância e do respeito ao próximo e que sempre haverá pessoas que lutarão por isso. Nos dias de hoje, em que fundamentalistas estão ascendendo. É o momento de mostrar a sociedade, especialmente ao jovens, quais podem ser o resultado de uma sociedade baseada no ódio. Esse é um mérito, no qual ninguém pode tirar dessa história

Lobo por Lobo foi só o inicio, uma inserção a essa sociedade dominada por Hitler. Com certeza o segundo e último livro dessa duologia, Sangue por Sangue , estará disposto a mostrar muito mais sobre como vencer sobre o medo e como vence-lo, colocando a tolerância e respeito em primeiro lugar.


Lobo por Lobo (Wolf by Wolf)
Lobo por Lobo #01 (Wolf by Wolf #01)
Autores: Ryan Graundin
Editora: Editora Seguinte (Grupo Companhia das Letras)
Ano: 2017
Skoob: 4,4 Estrelas/ Goodreads: 4,29 Estrelas
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04 Estrelas
O Eixo ganhou a Segunda Guerra Mundial, e a Alemanha e o Japão estão no comando. Para comemorar a Grande Vitória, todo ano eles organizam o Tour do Eixo: uma corrida de motocicletas através das antigas Europa e Ásia. O vencedor, além de fama e dinheiro, ganha um encontro com o recluso Adolf Hitler durante o Baile da Vitória. Yael é uma adolescente que fugiu de um campo de concentração, e os cinco lobos tatuados em seu braço são um lembrete das pessoas queridas que perdeu. Agora ela faz parte da resistência e tem uma missão: ganhar a corrida e matar Hitler. Mas será que Yael terá o sangue frio necessário para permanecer fiel à missão?

Ryan Graudin é da Carolina do Sul e formada em Escrita Criativa, desde 2014 vem publicando livros para o publico YA, o primeiro deles a chegar no Brasil foi Cidade Murada, e agora a Duologia Lobo por Lobo vem para conquistar os fãs brasileiros mais uma vez.

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