Resenha: O Sorriso da Hiena - Gustavo Ávila

julho 10, 2017 / Redação SOODA /

O Sorriso de uma hiena engana, pois ele se mostra como um aspecto feliz de uma situação cruel. Assim como essa obra de Gustavo Ávila, que mostra as aparências de uma maldade que não estamos acostumados a enxerga-la




Como surge a maldade humana? Essa é uma pergunta que paira a mente, desde que o mundo é mundo. E sempre tenta-se encontrar uma explicação plausível. Mas a cada dia, essa pergunta se torna mais complexa, especialmente por causa do surgimento de casos, que contradizem o pensamento anterior. E assim muitos pesquisadores tentam achar uma solução para o referido problema, inclusive dois cientistas norte americanos, após anos de pesquisa perceberam três traços marcantes da personalidade, que foram denominados de "tríade do mal" (ver artigo), são elas a psicopatia, maquiavelismo e narcisismo.

Surgido naturalmente, ou fabricado socialmente. A verdade, para esses cientistas é que até mesmo Madre Tereza de Calcutá, conhecido pelas suas bondades, tinha que um desses traços. Segundo eles, ela possuía, o que eles chamam de "maquiavelismo moral" (uma espécie de manipulação fria em prol da bondade). Ou seja, um traço para maldade que foi usado para o bem.

Mas onde está a linha que define, que esse maquiavelismo era o traço que estava presente em Madre Tereza, ou uma justificativa para atos maldosos? Esse é um dos principais questionamentos do livro "O Sorriso de Hiena" do autor Gustavo Ávila. Realizar atos de maldade com objetivos "benéficos" são justificáveis?

A história começa com um prólogo dolorido, onde uma criança assiste aos oito anos de idade, o assassinato de seus pais de forma brutal, que por sinal não fomos poupados de nenhum detalhes desse momento cruel. Vinte quatro anos depois, caímos no colo de outro assassinato exatamente igual, praticado por aquele jovem garoto que havia visto seus pais serem mortos.

“O olhos da criança gritavam, arregalados em um silêncio forçado, uma testemunha impotente que não podia fazer nada para impedir o que via. Preso em uma cadeira, o garoto encarava o seu pai e sua mãe sentados à sua frente com as mãos amarradas atras das costas. A mulher olhava para o filho, enquanto o olha do pai subia sobre a cabeça do menino e observava o estranho que estava agora dentro da sua própria casa" Posição 27 Kindle


Agora o novo assassinato terá o investigador Arthur como o responsável de desvendar o crime. Ele foi diagnosticado cedo com Síndrome de Asperger e apesar de ser bem esperto, ele não tinha quase nada sobre as mãos sobre esse caso. Apenas uma criança de oito anos de idade que vira tudo acontecer. Para ajudar no caso, ele convida o psicologo William, um jovem psicologo e pesquisador que fez um doutorado recentemente em um escopo de pesquisa semelhante ao caso, porém sua tese era formada sobre muitas questões hipotéticas visto que para confirmar sua tese ele teria que ter casos de assassinatos recorrentes sob as mesmas características. Agora ele tinha. Porque o caso do jovem garoto foi o primeiro, mas não será o último.

E mais. O assassino entra em contato com William para afirmar que ele vai causar mais mortes e que ele ficasse atento para atender as outras crianças. E agora? O que William deveria fazer? entregar o serial killer à policia ou continuar seus estudos? E Arthur? conseguirá encontrar o assassino antes que ele cause mais males a outras crianças?



Gustavo Ávila traça uma história que percorre em uma velocidade que as vezes torna-se difícil acompanhar frame a frame o seu desenrolar, afinal de contas existe uma urgência, pelo menos de nós leitores, de tentar perseguir o assassino antes que ele pratique mais crimes. Tendo em vista, que Arthur inicialmente não percebe que trata-se de um assassino em série. A cada construção de cena que não envolve as investigações e os encontros do psicologo com as crianças o medo nos assola, o coração acelera, tudo porque é fácil prever que algo pode ir para caminhos tortuosos, do qual queremos os personagens longe.

Quando mudamos a cena, o coração esfria e dá aquela vontade de chegar com o Arthur e gritar pra ele: "Cara, foi ele" (hehehehe). Ou então pra William: "Cara, o que você tá fazendo, vai valer a pena?". É aí que a gente traz a tona o surgimento da maldade humana. William é uma pessoa boa (é mesmo), e mesmo assim está sendo tomado pelo suposto "maquiavelismo moral" identificado em Madre Teresa de Calcutá. Mas será mesmo? Ou uma visão distorcida sobre esse aspecto? Como identificar, quando a estamos sendo tomados pela maldade, ou quando a dominamos? E isso vale para o assassino. Ele projetou seus crimes, justificando que seria um estudo necessário para humanidade. Mas o que é necessário e o que o nosso desejo torna algo necessário? É uma linha tênue que caminhamos a todo o momento, e estamos preparados quando caímos?

A história termina em ritmo extremamente frenético. E apesar de não ter gostado exatamente do final criado, e sim do que foi projetado (vocês vão entender quando ler). A história conseguiu atingir o objetivo de trazer a reflexão essa construção da maldade que é suplantada em nossas vidas e como devemos compreende-las realmente para que possamos fazer a escolha certa, nos momentos certos. O que é muito difícil.


O Sorriso da Hiena
Autor: Gustavo Àvila
Editora: Verus (Grupo Editorial Record)
Ano: 2017
Skoob: 4,3 Estrelas / Goodreads: 3,9 Estrelas
Compre aqui
04 Estrelas
Atormentado por achar que não faz o suficiente para tornar o mundo um lugar melhor, William, um respeitado psicólogo infantil, tem a chance de realizar um estudo que pode ajudar a entender o desenvolvimento da maldade humana. Porém a proposta, feita pelo misterioso David, coloca o psicólogo diante de um complexo dilema moral. Para saber se é um homem cruel por ter testemunhado o brutal assassinato de seus pais quando tinha apenas oito anos, David planeja repetir com outras famílias o mesmo que aconteceu com a sua, dando a William a chance de acompanhar o crescimento das crianças órfãs e descobrir a influência desse trauma no desenvolvimento delas. Mas até onde William será capaz de ir para atingir seus objetivos? Em O sorriso da hiena, o leitor ficará fisgado até a última página enquanto acompanha o detetive Artur Veiga nas investigações para desvendar essa série de crimes que está aterrorizando a cidade.
Autor: Gustavo Ávila trabalha com escrita há mais de 10 anos. O Sorriso da Hiena é o seu primeiro titulo publicado inicialmente de forma independente, e que logo obteve sucesso e assim conseguiu sua publicação pelo Grupo Editorial Record. Em 2016 a obra foi teve seus direito comprados pelo grupo Globo.

Recomendado Para Você

0 comentários

Comente com o Facebook

Instagram