Resenha: Ecos - Pam Muñoz Ryan

agosto 10, 2017 / Redação SOODA /

Música, guerra e fantasia. Uma tríade que irá conquistar o seu coração




Acredito que dois grandes momentos da história da humanidade tem servido de inspiração para autores de muitas gerações, e provavelmente continuarão sendo ao longo da história. O primeiro, durou muitos séculos, foi a Idade Média. O segundo, durou seis anos, mas teve toda uma preparação até chegar ao estopim, e foi tão intenso, como se tivesse durado séculos: A Segunda Guerra Mundial. E sabe o que os dois tiveram de tão comum, que provavelmente provoca essa inspiração? A intolerância humanitária e o grande número de pessoas mortas.

ECOS, da autora Pam Muñoz Ryan, se debruça sobre o segundo momento. São histórias que facilmente poderiam ter acontecido na época da Segunda Guerra Mundial. Porém, ela coloca uma pitada de realismo mágico, pronto para nos fazer rir, torcer, chorar.

Tudo começa, 50 anos antes da segunda Guerra Mundial, Otto estava em uma floresta em algum lugar do mundo brincando de "Pira se esconde" (Pique-esconde, esconde-esconde, você escolhe), até que ele se perde na floresta e começa a ler um livro "A 13º Gaita de Otto Mensageiro" que comprara de uma cingana momentos antes. A história do livro é uma fábula, que discorre sobre três princesas que foram abandonadas na floresta por seu pai, um rei que queria ter um filho homem que pudesse herdar o seu reino. Elas, além de belas, tinham uma relação intensa com a música, algo brilhante, único. Após a morte do rei, o irmão das princesas que agora era rei, decide ir encontra-las. Entretanto, uma bruxa amaldiçoa as jovens garotas da seguinte maneira:

"Chegaram aqui por uma mensageira.
Devem partir da mesma maneira.
De forma humana não sairão.
Seus espíritos como o vento soprarão.
Salvem uma alma à beira da morte
Ou aqui definharão á própria sorte." (Prólogo)

Após ler sobre a maldição, o jovem Otto começa a perceber que está tarde e que ninguém consegue acha-lo. Ele triste com a possibilidade de não voltar para casa, começa a entrar em pânico. Porém, três jovens garotas, semelhantes a do livro se aproximam e começam a acalenta-lo e ao fim lhe entregam uma gaita. E assim, a beleza dessa história começa a retumbar em nossos corações.



OUTUBRO DE 1933 - TROSSIGEN, BADEN-WÜRTTEMBERG - ALEMANHA

A história avança, agora para a época da Alemanha Nazista. Hitler acabara de se tornar chanceler e o Nazismo começa a se estabelecer naquele país. Conhecemos a história do jovem Friederich, ele tinha uma pequena deficiência em seu rosto, o que acabou afastando-lhe dos estudos. Seu pai e tio trabalhavam em uma fábrica de Gaitas, e ele então começou a ir até lá. Os operários gostavam bastante dele, gostavam de ensina-lo, visto que ele não ia à escola. Um dia, ele circulando pela fábrica, encontra uma gaita diferente das outras. Foi amor á primeira vista. E toda vez que ele tocava com essa gaita, todos ao seu redor eram possuídos por uma chama de amor única.

Porém, as coisas não estavam ficando boas na sua família. sua irmã mais velha entrou para a juventude Hitlerista e seu pai que achava que aquilo não casava com seus princípios e acabou sendo preso. Então, seu tio pensou num plano de fuga. Será que iria dar certo?



JUNHO DE 1935 - CONDADO DA FILADÉLFIA, PENSILVÂNIA - ESTADOS UNIDOS

A história segue para dois anos depois, agora nos Estados Unidos, onde muitos jovens iam parar em orfanatos, ou abrigos religiosos, entre eles, os irmãos Mike e Frankie, que depois de perder seus pais, sua vó os criou, ensinando-lhes música. Porém ela ficou muito velha e não tinha mais condições de cria-los, levando-os a um único abrigo da região que possuía um piano. Eles não queriam se separar, porém tudo estava congregando para que isso ocorresse, até porque a diretora do abrigo queria que o irmão mais velho trabalhasse e se o mais novo não fosse adotado, ia para um orfanato estadual, que era muito pior do que o lugar em que eles estavam.

Mas parece que a sorte viria aos jovens, que acabaram sendo adotados. Como eles não tinham vestimentas, em um dos dias saíram para compra-las e pararam numa loja de música. Lá, Mike encontrou uma gaita única e diferente de tudo que tinha visto e levou-a pra casa. Toda vez que ele tocava, as almas das pessoas se remexiam de tanta beleza em cada nota entoada. Era única. Tudo para esses jovens pareciam estar bem, na verdade, quase tudo, visto que a pessoa que os adotou parece que não queria eles por lá. E agora?



DEZEMBRO DE 1942 - SUL DA CALIFÓRNIA - ESTADOS UNIDOS

Agora a história avançou para dentro da Segunda Guerra Mundial, pouco depois do ataque dos japoneses a Pearl Habor. Muitas pessoas morreram, e o ódio pelos japoneses crescera entre os americanos, mesmo aqueles que lutavam junto com eles na Segunda Guerra Mundial. Com isso, muitos japoneses que possuíam terras nos Estados Unidos, ou eram obrigados a vender, ou entregavam a norte americanos e eram enviados a campos de concentração (Sim, nos Estados Unidos também haviam campos de concentração, apesar de ser de outra perspectiva). Nesse contexto, a família de Maria Lopez, imigrantes mexicanos, foi enviada para o sul dos Estados Unidos para cuidar das terras de uns japoneses que foram para o campo de concentração e o mais jovem da família oriental, foi enviado para ajudar na guerra.

A proposta é que se a família cuidasse bem da terra, poderia ficar com uma parte dela. E assim conhecemos mais desses imigrantes mexicanos, e de Ivy Maria Lopez, uma garotinha que vivia no mundo da lua, mas que tinha um amor enorme pela música. Certo dia, ela encontrou uma gaita especial, antes de se mudar para o Sul da Califórnia. Quando ela tocava, os corações das pessoas ao seu redor se acalentavam. Inclusive o do seu irmão que também foi enviado para guerra.

A vida dessa família parecia que tinha melhorado, apesar de que ela estudava em um anexo da escola principal da cidade, por ser imigrante, muito comum naquele período. Porém, isso não impedira dela tentar fazer parte da orquestra da escola que ficava no prédio principal. Ou seja, esse não era um grande problema para ela. Pior, era o fato deles cuidarem de uma terra de japoneses. Afinal, era comum eles chegarem e verem tudo revirado, com pichações que diziam "voltem para seus países japoneses". E por mais que eles tentassem, as pessoas depredavam aquele local. Então, eles tinham medo de que quando o dono daquela terra voltasse da guerra, não assinasse o documento e os expulsasse de lá, achando que eles não tinham cuidado direito. Ou ainda, eles tinham mais medo de que a população local, arranjasse um pretexto para tirar aquelas terras da mão dos japoneses (Se fosse descoberto alguma coisa que indicasse espionagem, isso acontecia).

Será que aquela guerra iria trazer uma instabilidade eterna para os Lopez?



CONCLUSÃO

Ao terminar cada história é bem verdade que o coração aperta. Pensar que histórias semelhantes como essas ocorreram na vida real, que a segunda guerra foi capaz de dizimar famílias, levar crianças ao sofrimento dos campos de concentração, ficarem orfãs, não terem escolhas.

Porém a maestria da autora conseguiu integrar três coisas maravilhosas nesse livro: Música, História e Realismo Fantástico. Parece que ela dedilhou cada palavra como se estivesse em um piano tocando melodias clássicas como Beethoven e Bach.

Com certeza o que encontrei nessa história, é o que faz eu amar tanto a literatura. Histórias que tocam em nossas almas, apertam nossos corações e entregam ele renovado, revigorado. Pronto para as nossas jornadas da vida.

E essa edição da Editora Darkside Books dá um toque especial. Com a capa fazendo referência a floresta onde as jovens estavam trancafiadas, quase como um convite para nós leitores entrarmos na história, além dessa coloração de laranja neon, especial para a edição, que é quase impossível de não notar esse livro em qualquer lugar. Sem contar a diagramação, páginas que separam os capítulos e a partitura de algumas músicas citadas no livro que traz uma referência além de especial, prática. Porque depois a gente ainda pode usar para tentar tocar uma gaita (se vai dar certo são outros 500).

Enfim, o selo Darklove apostam em grande histórias escritas por mulheres que conquistem nossos corações e ECOS é uma dessas histórias, que por meio da melodia das palavras, a música da emoção é plantada florescendo em nossos corações, frutos eternos em nossa alma.


Ecos (Echo)
Autora: Pam Muñoz Ryan
Editora: Darkside Books
Ano: 2017
Skoob: 4,4 Estrelas / Goodreads: 4,3 Estrelas
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5 ESTRELAS
Ecos, da premiada escritora norte-americana Pam Muñoz Ryan, é uma fábula como há muito não se via – ou se ouvia. Um conto de fadas dark, que resgata o melhor da tradição dos irmãos Grimm, combinado com delicados momentos do século XX, como as duas grandes guerras e a Depressão econômica que assolou os Estados Unidos nos anos 1930. O resultado é uma fantasia histórica repleta de perigos e beleza, emoldurada pelo poder da música. A aventura começa cinquenta anos antes da Primeira Guerra Mundial — “a guerra para acabar com todas as guerras” —, quando o pequeno Otto se perde na Floresta Negra e encontra as três irmãs encantadas, prisioneiras de uma velha bruxa, que conhecia apenas das páginas de um livro, e acreditava ser apenas uma lenda. Como em um passe de mágica, as irmãs ajudam o garoto a encontrar o caminho de casa. E Otto promete libertá-las, levando o espírito das três dentro de uma inusitada gaita de boca. Ao longo dos anos, o instrumento chega à mão de novos donos: um menino que vê o sonho de se tornar músico interrompido pela ascensão do nazismo; um jovem pianista prodígio que vive num orfanato e luta para não ser separado do irmão caçula; uma filha de imigrantes mexicanos que cuidam de uma casa de japoneses enviados a um campo de concentração dentro dos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial. Personagens com dramas diferentes, mas um amor transformador pela música. Cada um à sua maneira, eles são afetados pela magia das três irmãs. Assim como os leitores do livro em todos os países em que ECOS foi lançado. Prepare-se para também ser arrebatado e enfeitiçado por essa fábula harmônica.
Autora: Pam Muñoz Ryan é uma autora norte-americana com dezenas de premiações. Ecos por exemplo tem 8 premiações nas costas. A autora escreve livros especialmente voltados para o público infanto-juvenil, mas suas histórias apaixona todas as gerações de leitores. Uma curiosidade é que a data de nascimento de Pam Muñoz Ryan é o período onde acontece a última passagem de tempo do livro Ecos, em 1951.

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