Resenha: Minha Lady Jane - Cyntia Hand, Brodi Ashton e Jodi Meadows

agosto 04, 2017 / Redação SOODA /

A Dinastia Tudor sobre um olhar único, divertido, fantasioso




A família Tudor chegou ao poder na Inglaterra antes do século XV findar-se. E por lá ficou até meados do século XVII. Esse momento foi marcado, por um dos períodos mais sangrentos, de muitos embates e por fim, um dos reinados mais justos da história inglesa.

Tudo começou com Henrique VII que chegou ao reinado depois de um embate denominado Guerra das duas Rosas. Mais tarde, seu filho e Henrique VIII assumiria o trono e faria uma das maiores mudanças desse período, o afastamento da família real ao catolicismo e a implantação do anglicanismo. Ao fim de sua vida, quem passa a governar o país é seu filho Eduardo VI, ao nove anos de idade, junto com um conselho regente. Aos dezessete ele morre acometido de tuberculose (ou não, alguns duvidam). Assim, quem assume o trono é a sua prima Jane Seymour depois de uma manobra do presidente do conselho que convence o rei anterior a casa-la com o seu filho e transferir a linha sucessória a ela.

Porém a irmã mais velha de Eduardo VI, Mary I, consegue, por meio de um golpe chegar ao trono nove dias depois, decapitando Jane. Agora o reinado chega as mãos de uma tirana que começa a sua caça aos protestantes. O que não acaba terminando nada bem para ela. Depois de alguns anos e conspirações, a sua outra irmã Elizabeth I chega ao trono, culminando assim no assassinato de Mary I. Começava então o reinado de uma das rainhas consideradas mais bondosas da história. (CONFIRA MAIS DETALHES DESSA HISTÓRIA AQUI)

Mas e se essa história fosse diferente? Se o que foi contado a você é só uma parte daquilo que não podia ser explicado. Se ao invés de perseguição aos protestantes, estivesse por trás uma caça a pessoas que se transformam em animais. Alias, se uma parte da população tivesse a capacidade de se tornar animais? como seria? As autoras Cyntia Hand, Brodi Ashton e Jodi Meadows pensaram numa forma diferente e divertida de contar essa história épica. Conheça agora Minha Lady Jane.



UMA RECONTAGEM DA HISTÓRIA DA DINASTIA TUDOR, COM PESSOAS QUE SE TRANSFORMAM EM ANIMAIS

Como vocês puderam perceber a história se passa durante a Dinastia Tudor, mas precisamente próximo a morte de Eduardo VI, o rei-menino. Nessa história paralela, algumas pessoas tinham a capacidade de virar animais, eram os Edianos. Não se sabia exatamente como eles podiam fazer isso, sabe-se apenas que podiam. O pai de Eduardo VI, Henrique VIII, por exemplo, podia se tornar um leão e acabava por devorar os seus inimigos. Algo que não era visto por uma parte da população, que acabavam por persegui-los, os verádicos.

Nessa circunstância, após a morte de Henrique VIII, o jovem Eduardo assumira o trono. Porém, sempre muito doente ele não tinha condições de administrar o reinado e a disputa entre os Edianos e Verádicos ficava cada vez mais acirrada. Conforme a doença tomava conta do jovem rei, como solução para o problema, o seu principal conselheiro John Dudley sugeriu que a prima de Eduardo, Jane Grey, se casasse com o seu filho, o Gê, que era um Ediano. Como solução os dois jovens teriam um filho que seria herdeiro do trono, visto que na linha sucessória estava a sua irmã mais velha, Mary e depois Elizabeth I. Elas eram mulheres, portanto, segundo a mentalidade daquela época incapazes de assumir o trono. Além do mais, Mary I era da ala dos Verádicos, ou seja, pretendia perseguir os Edianos de uma vez por todas para extermina-los da face da terra.

Porém, nem tudo sai como esperado, porque afinal de contas, as intrigas e traições no reino é de extrema magnitude.



JANE, UMA RAINHA ESPECIAL

Como vocês devem imaginar, para que a história não mude tanto o seu curso (tirando o fato que pessoas podem se transformar em animais), Jane se torna rainha (calma, não estamos no campo dos spoilers). A jovem, assim como na história real era muito ligada aos livros, vivendo enfurnada com a cara nessas obras. Jane acabou adquirindo um absurdo background e força para assumir o trono, mesmo sem vontade nenhuma e extrema surpresa. Porém, como a maior parte da coroa, ela era muito jovem e suas atitudes condizem com a sua idade. E a história criada acaba traçando a personalidade dela de maneira primorosa, com bastante independência intelectual, mas com forte dependência emocional, como se faltasse maturidade (e é óbvio que falta, que jovem de 15 anos está pronta a assumir o trono?).

Junto com o seu esposo, o jovem Gê, Jane tem as cenas mais divertidas do livro, desde a primeira vez que ela descobre que seu marido é um Ediano, até as piadas infames e bem colocadas de sua transformação. Alias, Jane e Gê tem um humor bem peculiar.



EDIANOS Vs VERÁDICOS, ou CATÓLICOS Vs PROTESTANTES?

Enquanto a história foi se desenvolvendo percebi alguns pontos interessantes nela, principalmente nessa disputa entre Edianos e Verádicos. Tudo sobre isso acabou me remetendo a uma metáfora sobre os católicos e protestantes o que achei bastante interessante, porque utilizou os vários pontos sobre isso. Desde o medo que a população em geral tinha sobre os Edianos, sobre as mudanças, desconhecimento, ignorância gerando a repulsa, até os grupos que batiam de frente sobre esse medo que geravam um movimento violento do outro lado.

Claro, tudo que gira em torno dessa história criada pelas autoras é bastante divertido e singelo, quase como se a gente estivesse em meio aqueles filmes como "Coração Valente", ou "Os Três Mosqueteiros" que apesar de épico, possui aquele lado pitoresco e engraçado, o que bate de frente com a história real da disputa entre católicos e protestantes que era recheado de intrigas e mortes para os dois lados, nada de engraçado. Mesmo assim, acho que isso não se perde, porque acaba gerando o interesse nas pessoas que estão lendo, assim como eu tive, de buscar a história real da Família Tudor, conseguindo assim identificar todas as referências ali escritas (Quando terminar de o livro, volte nas primeiras linhas dessa resenha e tente identificar, algumas dessas referências).

De certa forma a literatura é isso, ela te dar esse espectro criativo sobre uma história real, e apesar da preocupação dela se fechar basicamente na ficção ela provoca novos olhares sobre a realidade, sobre o que foi aquele período histórico, te dando sim um objeto de reflexão importante, não somente sobre o passado, mas também o futuro.


Minha Lady Jane (MY LADY JANE)
Volume #1, Minha Lady Jane
Autoras: Cyntia Hand, Brodi Ashton e Jodi Meadows
Editora: Editora Gutemberg
Ano: 2017
Skoob: 4,2 Estrelas/ Goodreads: 4,12 Estrelas
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4 Estrelas
Inglaterra, século XVI, dinastia Tudor. O jovem Rei Eduardo VI está à beira da morte e o destino do país é incerto. Para evitar que o poder caia em mãos erradas (leia-se: nas mãos de Maria Sangrenta), Eduardo é persuadido por seu conselheiro a nomear Lady Jane Grey, sua prima e melhor amiga, como a legítima sucessora Aos 16 anos, Jane está em um relacionamento muito sério com seus livros até ser surpreendida pela trágica notícia de que terá de se casar com um completo estranho que (ninguém lembrou de contar para ela) tem um talento muito especial: a habilidade de se transformar em cavalo. E, pior ainda, descobre que está prestes a se tornar a nova Rainha da Inglaterra! Arrastada para o centro de um conflito político, Jane suspeita de que sua coroação na verdade esconde um grande plano conspiratório para usurpar o trono. Agora, ela precisa definitivamente manter a cabeça no lugar se... bem, se não quiser literalmente perder a cabeça. Um rei relutante, uma rainha-relâmpago ainda mais relutante e um nobre (e) garanhão puro-sangue que não se conformam com o destino que lhes foi reservado; uma história apaixonante, envolvente, cativante, sedutora... e mais uma porção de sinônimos que só Lady Jane seria capaz de listar. Tudo com uma leve semelhança com os fatos históricos.
Autoras: As três autoras se encontraram durante uma turnê, e se tornaram amigas. E dessa amizade surgiu a ideia dessa trilogia que tem previsão de lançamento para 2018 e 2020. Cynthia Hand já teve lançado no Brasil O último Adeus pela Darkside Books e a série sobrenatural pela finada editora ID. Jodi Meadows já tem lançado no Brasil a trilogia Incanarte pela Editora Valentina. e Brodi Ashton ainda não teve nenhum livro lançado no Brasil além de Minha Lady Jane.

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