Resenha: Me Chame Pelo Seu Nome - André Aciman

janeiro 31, 2018 / Redação SOODA /

Uma história que entre os paradoxos do amor traz que é importante amar e viver intensamente




Eu lembro quando eu tinha 12 anos e pela primeira vez a paixão chegava em meu peito. O coração pulsava ao barulho de cada passo do meu primeiro amor. Os olhos transmitiam aquilo que palavras não eram capazes. E parece que essa sensação não passava. Mas passou... A primeira, a segunda, a terceira... E a cada vez que ela voltava, era mais i. E o meu coração me guiava por lugares que eu achava que não era capaz de suportar e numa intensidade sem fim. Mas no fim, esse rebuliço que permeava a minha vida era só uma preparação para o que vinha no futuro. Para um "EU" mais sóbrio e maduro. Para um "Eu" capaz de amar intensamente, mas viver plenamente. Sim, isso aconteceu comigo. Provavelmente aconteceu com você. E também com Elio, o jovem de 17 anos que enfrentara um amor intenso com o professor Oliver, em Me Chame Pelo Seu Nome. Uma história que me levou ao passado para entender o meu presente e viver melhor o meu futuro.

Acontecia a cada verão. O pai de Elio fornecia um quarto em sua casa para que um escritor pudesse se deliciar com a tranquilidade do interior da Itália e assim pudesse terminar o manuscrito para entregar as editoras. Em troca, o autor ajudava o senhor com correspondências e em coisas relacionadas a escrita. Para o pai, isso era bom. Para o filho, nem tanto. Ele se incomodava com cada intruso que chegava em cada verão. Até que esse homem chegou. E de forma avassaladora provocou uma mudança brusca em Elio. O professor de 24 anos que pretendia terminar um manuscrito baseado na obra de um grande escritor, causou um frisson na alma de Elio, que agora não vivia só para si, mas para essa paixão que entrou de forma tão intensa em sua vida, da qual ele não conseguia mais tirar. Restava apenas sobreviver.



Apesar de ser um Romance LGBTQ+, Me Chame Pelo Seu Nome vai bem mais fundo que apenas um romance sobre homofobia. Na verdade, é uma história de um grande amor, que ao chegar na alma, destrói e reconstrói, constantemente. Elio vive essa paixão pelo Oliver, de um modo quase inocente, do ponto de vista da alma E relativamente erótico, em relação a carne. As descrições lembram a adolescência de boa parte dos seres humanos, que colocam o amor e o tesão no mesmo patamar a ser alcançável. Ou quem sabe inalcançável.

O autor descreve a sensação de ver o amor idealizado, a potencialidade de ele se tornar real, e logo em seguida a água fria que a mente resolve jogar nessa paixão, colocando-a como impossível e sem futuro. Um paradoxo que dói, mas necessário para a gente crescer.

A narrativa é toda em texto corrido, como se fosse uma grande carta, que se divide em quatro partes. A primeira é a idealização desse amor, a segunda centra-se na possibilidade de se tornar real. E nesse momento é hora de ser inserido sobre os sentimentos do professor. Se eles são reais ou ilusões. E como cada um reage, quando as cartas são finalmente colocadas a mesa. Engraçado quando um sentimento sublime toma um banho de água fria, se torna mais palpável, porém sem deixar de existir. Quando é verdadeiro, outras dualidades começam a pairar pela mente. Principalmente, quando outras pessoas são envolvidas.



A terceira parte, os dois jovens, um chegando ao amadurecimento da fase adulta e o outro finalizando a adolescência, partem em uma viagem até a Barcelona. Cidade de amores e dores. Que são personificadas em todas as sensações que os dois tem. É algo bonito de se ver, e ao mesmo tempo, importante para refletir sobre intensidade, escolhas, desejos Seguir ou não seguir aos impulsos da alma. O que fazer para ser mais do que um amor platônico. Se tornar real? Na minha opinião é um grande up dessa história. Porque não trata o relacionamento do casal como "um amor impossível", ou "recheado de coisas boas". E sim, um amor verdadeiro cerceado de escolhas, certas ou erradas.

Essa história nada tem haver com homofobia. Alias, se você espera algum ativismo nela, pode se decepcionar. Esse está longe de ser o objetivo dessa narrativa. Na verdade, o objetivo central, é mais em compreender que a alma humana é capaz de nos levar por caminhos indecifráveis e ao mesmo tempo reais. Talvez o único traço sobre "ativismo" é que relacionamentos homoafetivos podem ser tão fortes quanto qualquer um, e não somente a promiscuidade que as vezes é pintada por muitas pessoas.

O livro tem um final feliz? É uma pergunta que não posso responder sem sugerir spoilers sobre essa história. Porém o que posso deixar como dica é que independente do caminho que foi seguido na quarta e última parte. Elio e Oliver aprenderam e com certeza, mudaram minha perspectiva sobre os meus próprios amores intensos, que por vezes incomodaram, mas que hoje entendo, que eles foram reais e importantes para que me tornassem um "Eu" capaz de amar e viver. E não somente uma das duas palavras anteriores.


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Me Chame Pelo Seu Nome (Call Me By Your Name)
Autor: André Aciman
Editora: Intrinseca
Ano: 2018
Skoob: 4.5 Estrelas / Goodreads: 4.31 Estrelas
Compre Aqui: Amazon
05 Estrelas
Livro que inspirou o filme dirigido por Luca Guadagnino, aclamado nos festivais de Berlim, Toronto, do Rio, no Sundance e um dos principais candidatos ao Oscar de 2018. A casa onde Elio passa os verões é um verdadeiro paraíso na costa italiana, parada certa de amigos, vizinhos, artistas e intelectuais de todos os lugares. Filho de um importante professor universitário, o jovem está bastante acostumado à rotina de, a cada verão, hospedar por seis semanas na villa da família um novo escritor que, em troca da boa acolhida, ajuda seu pai com correspondências e papeladas. Uma cobiçada residência literária que já atraiu muitos nomes, mas nenhum deles como Oliver. Elio imediatamente, e sem perceber, se encanta pelo americano de vinte e quatro anos, espontâneo e atraente, que aproveita a temporada para trabalhar em seu manuscrito sobre Heráclito e, sobretudo, desfrutar do verão mediterrâneo. Da antipatia impaciente que parece atravessar o convívio inicial dos dois surge uma paixão que só aumenta à medida que o instável e desconhecido terreno que os separa vai sendo vencido. Uma experiência inesquecível, que os marcará para o resto da vida. Com rara sensibilidade, André Aciman constrói uma viva e sincera elegia à paixão, em um romance no qual se reconhecem as mais delicadas e brutais emoções da juventude. Uma narrativa magnética, inquieta e profundamente tocante.
Autor: André Aciman nasceu em Alexandria, Egito. É ensaísta, romancista e pesquisador da literatura do século XVII. Seus textos foram publicados em veículos de destaque, como The New Yorker, The New York Times e The Paris Review. Doutor em literatura comparada pela Universidade Harvard, foi professor na Universidade de Princeton e atualmente leciona no The Graduate Center em Nova York, Estados Unidos, onde vive com a família.

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