Leitura Coletiva: Livro das Mil e Uma Noite - Tradução de Mamede Mustafa Jarouche (Parte 1)

fevereiro 05, 2018 / Francisco Soares Chagas Neto /

Nesse primeiro post a gente mostra detalhes dos primeiros dias de Sherazard no enclausuramento com o rei assassino, e como ela consegue subverter a maldição das rainhas que só duram uma noite




Dando inicio a Leitura Coletiva, mostraremos a partir daqui, as primeiras impressões da história, desde a Introdução, quando o tradutor da obra imerge o leitor na aura desse enredo. E depois, podemos caminhar pela primeira parte quando Sherazarde casa-se com o Califa e suas primeiras histórias.

Ao ler a Introdução de 1001 Noite percebi o quanto é difícil uma obra literária sobreviver ao tempo e espaço, sem intervenções. E talvez por isso, existem tantas diferenças quando se ouve falar nessa obra que é tão importante para a literatura mundial. Diferenças essas que tentam ser diminuídas pelo intenso trabalho de tradução feita por Mamede Mustafa Jarouche, que fez uma intensa pesquisa para montar esse verdadeiro quebra-cabeça.

No principio o tradutor que também é professor e pesquisador da USP (Universidade de São Paulo) apresenta muitas questões importantes para entender a construção dessa história. A primeira delas é que nos primeiros manuscritos, a história não continha 1001 Noites. Apesar do titulo, O Livro de Mil e Uma Noites só foi encontrado com todas as noites, a partir do século XIV no chamado Ramo Egípcio Tardio. Um mistério que tem algumas suposições, mas que de fato nunca foi desvendado.

Além disso, o autor tenta mostrar historicamente o caminho do Livro de Mil e Uma Noites, desde quando foi encontrado os primeiros vestígios dele no século IX D.C. até os dias de hoje, enfatizando essa obra como literária, ou seja ela foi escrita, transcrita e deixada em várias bibliotecas. Mais tarde essas histórias passaram fazer parte do imaginário popular, e por meio da oralidade se transportou ao longo dos povoados árabes, sendo resinificada todo o tempo. Isso influencia fortemente ao que conhecemos da obra nos dias de hoje e suas muitas diferenças.

Outro ponto explicitado na introdução é seu caráter "educativo". As histórias apresentadas, tentam mostrar ao povo parábolas de amor e ódio, que propiciam ensinamentos. E por isso mesmo, assim como os Contos de Fadas mais tarde, elas não economizam em causar pavor e medo, que mais tarde influenciaram autores, como o próprio Edgar Allan Poe.

Finalizando a introdução, o autor apresenta as cinco principais publicações de 1001 Noites no mundo arábe, inclusive como uma delas tem sérios problemas de organização. O destaque, segundo o autor, foi pela última publicada em Leiden em 1984, a qual considera bastante relevante o trabalho do filologo Mushin Mahdi, que se utilizou dos manuscritos de Galland (Um dos principais tradutores da obra para o ocidente) para escrever a obra, dando detalhes inclusive sobre os níveis de narrativas e verossimilhança.



LIVRO DE MIL E UMA NOITES - PÁG 41- 75

Ao iniciar a leitura da história de 1001 Noites, esse que vos fala teve logo de cara duas surpresas. A primeira é na linguagem simples da obra. Apesar de tocar em temas adultos, o livro possui uma linguagem simples, que só se torna perdida as vezes, propositalmente, e o tradutor explica essas motivações, tornando-a fluída novamente.

A segunda diz ao mote que leva a história, ou seja a motivação do Califa em mandar assassinar suas esposas depois da primeira noite de núpcias. Não que seja justificável a crueldade do Sultão, mas consegue-se compreender os acontecimentos. A traição de sua esposa não foi a único motivo de seus crimes. E sim os acontecimentos posteriores, visto o que ele descobre que acontecia com seu irmão e mais tarde o encontro que os dois jovens tem com a esposa de um Ifrit (Gênio do Mal). Esse conglomerado une-se a sua ira e o torna um rei maldoso nesse aspecto. Até a chegada de Sherazarde.

A VERDADEIRA HEROÍNA DESSA HISTÓRIA

Desde o inicio dessa história percebe-se que Sherazarde tem uma força surpreendente. Ela não é uma jovem em formação e sim pronta para enfrentar o Califa, com a sua perspicácia. Inicialmente, o seu pai, que por sinal é o assassino das esposas do Sultão, tenta impedi-la de sua loucura, porém, ela não está disposta a respeita-lo. Algo inconcebível naquela época. Sherazarde e sua irmã vão então ao castelo, ela casa-se com o Califa e aí começa a sua aventura para sobreviver as 1001 Noites. Porém, as Fábulas começam antes mesmo de Sherazarde entrar no castelo.



HISTÓRIAS SOBRE HISTÓRIAS, ELAS ESTÃO POR TODA PARTE

Desde as primeiras páginas, percebe-se que fábulas e outras histórias tomam conta do romance principal. Gênio e a Esposa Sequestrada é a primeira delas e acontece com o próprio Califa, onde ele se vê obrigado a dormir com a esposa de um Ifrit se não quisesse que o seu destino fosse a morte. Uma história de luta pela sobrevivência e de entender o próximo (pelo menos nas reflexões dos dias de hoje).

Em seguida o pai de Sherazarde (A gente entende porque esse amor por histórias) começa a contar para ela a história do "Burro, o Boi, o Mercador e Sua Esposa". Uma história que acabou se tornando duas em uma. Isso porque, o pai de Sherazarde iniciou contando a história de um Burro, querendo ajudar o Boi, deu dicas de como ter uma vida boa, porém a vida boa se tornou um inferno para o burro. E após a lição, no interior da mesma história, é contado como o mercador tinha um segredo e que se revelasse teria a morte como o fim, mas a sua esposa muito curiosa, não queria saber, mostrando assim outro ensinamento. Porém, como um Burro empacado, Sherazarde era teimosa. E milhões de histórias poderiam haver que ela não mudaria a sua cabeça.

Já no castelo, Sherazarde começou a contar uma história para a sua irmã, no qual o rei ouvira. A história do "Mercador e o Gênio". No qual o Gênio queria assassinar o mercador, pois antes o filho do mago havia sido morto pelo mercador (de uma forma besta, mas eu não julgo a ideia, mas o sentido, rs). Para ser salvo do Gênio, três Xeiques ao saber o que estava acontecendo resolveram contar histórias para convence-lo de manter o mercador vivo. Uma mais triste que a outra. Enquanto isso, 8 noites se passaram e Sherazarde continuava viva devido a curiosidade do Califa. Algo engraçado, visto que na história que ela contava, histórias eram contadas para manter o mercador vivo.

É possível ver a moralidade em todas as sub histórias contadas até aqui, muito relacionado aos muitos problemas que existiam na época em que elas foram criadas. Afinal de contas, os povos árabes, não eram conhecidos por serem pacíficos. Então, eles deveriam estar preparados para o que viessem. E essas histórias ajudavam a disciplinar os seus povos. Ou até mesmo, torna-los mais compreensíveis em alguns casos.

Assim como, o Califa, quero que Sherazarde continue viva para contar mais dessas histórias. E as nossas impressões serão ditas no próximo post, dia, 19/02. Até lá, vocês podem acompanhar a gente pelo Stories do Instagram (@soodablog). E quem estiver lendo com a gente, não esqueça de usar a #lendomileumanoites . Assim, vamos ver o que vocês estão achando da história e assim vamos interagindo.



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