Resenha: Submerso - Eduardo Cilto

junho 01, 2018 / Redação SOODA /

Autor é uma das vozes da geração de Youtubers que escrevem histórias para deixar o seu recado para os jovens que precisam de ajuda




Nos agradecimentos, o autor Eduardo Cilto cita que Submerso tem uma trajetória muito pessoal, pois tem uma relação muito próxima aos seus sentimentos de tristeza que imergem sobre a sua mente. "Não foram poucas as vezes em que me vi preso a um cômodo, tendo a companhia apenas a cabeça cheia de pensamentos rebuscados e um gigantesco aperto no peito" comenta. E de certa forma, essa conversa está longe de ser solitária.

De acordo com uma pesquisa do Instituto de Estudo em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), um em cada três jovens de 12 a 17 anos no Brasil, sofrem de Transtornos Mentais Comuns (TMC), um tipo de transtorno que leva jovens a sentimentos profundos de tristeza e ansiedade. Algo que pode ser pior, quando chega-se aos 17 anos, onde esse distúrbio atinge quase metade dos jovens nessa idade. Com isso, percebemos que Submerso pode ser caminho para o dialogo. É uma conversa franca de jovem para jovem.



Na história, conhecemos Dimitri, um jovem de 16 anos que após a perda de sua mãe, acaba entrando em uma tristeza profunda. Pensamentos invasivos tornam a sua cabeça confusa, até que o inesperado (ou nem tanto) acontece. O jovem corta seus pulsos e vai parar no hospital. Depois de um tratamento e situações de alto estresse em sua vida, Dimitri percebe que precisa se ajustar, se renovar. Com isso, ele pinta o cabelo de azul e decide que precisa de um tratamento em um acampamento de jovens desajustados.

Ao chegar nesse espaço, em algum lugar no interior de São Paulo, Dimitri sente uma outra vibe. Conhece novos amigos, como Henrique e Alma. A questão é que nesse acampamento começam acontecer situações estranhas. Pixações aparecem como um alerta de que aquele lugar pode não ser tão seguro assim. Mas afinal de contas, o que um lugar de "aconchego" pode guardar de tão estranho? E quem está realizando essas ações perigosas (ghost, é você)? E como tentar desvelar tudo isso com uma mente desajustada? 185 páginas depois e algumas horas investidas, temos o resultado submerso em nossas mentes.



TEMAS ATUAIS E NECESSÁRIOS

Submerso é uma história curta, mas que abordam temas bastante importante nos dias de hoje. Um deles é a questão sobre os pensamentos invasivos que tomam conta de nossa mente. A história gasta algum tempo mostrando que essas situações são cotidianas entre muitos jovens (vimos lá em cima que são muitos). As vezes tentamos tirar por menos, ou então fingir que isso não é nada demais. Porém, é difícil dimensionar a dor de outras pessoas, seja por qual motivo for.

E Eduardo Cilto consegue conversar muito bem com os jovens sobre isso. Por fazer parte dessa geração, ele que possui o mesmo problema desses jovens, consegue transpassar verdade em sua história. E aqui ele não procura ser didático, não é essa a sua intenção, ele buscar alertar que o problema acontece e está presente na vida de muita gente. Alias, acredito que o jovem youtuber consegue fazer isso com bastante responsabilidade, ciente de sua importância perante essa geração que nasceu sabendo mexer em tablets e celulares, diferente de muitos youtubers que vemos por aí (Shade á vista, hehehe).

Outro tema bastante interessante nesse livro é o desenvolvimento de um relacionamento homoafetivo. E aqui tomo liberdade para tocar num assunto importante: Lugar de Fala. Sei que a literatura é uma voz que caminha no campo da sensibilidade, e que muitos autores ao abordarem diferentes temas querem mostrar que possuem esse sentimento sobre alguns temas. E claro, isso é bastante relevante para algumas causas. Porém, quando um autor vivenciou determinada experiência, ele com certeza tem um ponto de vista mais apurado sobre determinada temática (não estou entrando no mérito de certo ou errado aqui), e sua sensibilidade explode muito mais do que aquele que não vivenciou aquela situação. E essa voz, consegue transpassar tanta verdade que empatia se faz presente sobre quem ler a sua obra.

E foi isso que percebi ao ler Cilto falando sobre a relação homoafetiva que ocorre no livro. E vou dizer mais. Dia desses, eu assisti o vídeo do jovem youtube, o qual ele "sai do armário". E gente, ao ler a relação gay se formando no livro, sentia que Cilto estava saindo do armário naquele momento, contando para todo mundo, no estilo "sou gay e quero ser feliz". Inclusive, algumas frases escritas no livro são bem semelhante ao vídeo que ele fez sobre o assunto. E acho que isso é uma das coisas bacanas de ter um autor que é youtuber. Você consegue materializar o que está sendo escrito vivenciando essa experiência, que nos torna mais próximo do escritor em algum nível. São as coisas bacanas que as tecnologias dos dias de hoje nos proporciona.



A EVOLUÇÃO DA ESCRITA DO AUTOR

Depois de ler o segundo livro de Cilto, percebi que ele tem essa ideia de mixar o suspense sobre algum assunto, com problemas dos jovens dos dias de hoje. Algo que John Green faz com bastante primazia em suas obras. E ao finalizar Submerso, é perceptível ver uma evolução na escrita do autor que consegue se sentir mais confortável para brincar com as palavras sem perder a fluidez e agilidade da obra. Agora sim, se em Traços o autor se alongou em alguns momentos, aqui o autor economizou bastante em alguns momentos, especialmente no desenvolvimento de alguns personagens. Acho que ele ainda tá tentando acertar nesse ponto, e acredito que só com a prática, isso se ajustará.

Outro detalhe sobre a obra são os easter eggs sobre alguns filmes, além das várias referências que autor vai colocando sobre a obra. Se alguém um dia duvidou do lado Hipster de Eduardo Cilto, acho que isso já está bastante esclarecido nessa segunda obra. A playlist, livros e obras cinematográficas apresentadas na história praticamente exalam o modo Hipster do autor (hehehehe).

Ler Submerso é perceber que novas vozes de autores estão surgindo e trazendo histórias que conseguem aliar uma aventura divertida, tocando em temas que são importantes para os dias de hoje. Cilto é uma dessas vozes, que usa a ficção para conversar com o seu público e deixar claro que não estamos sós, existe uma legião de pessoas que precisam de ajuda, só precisam do lugar certo para acha-la.



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Submerso
Autor: Eduardo Cilto
Editora: Planeta de Livros Brasil (Outro Planeta)
Ano: 2018
Skoob: 4.0 Estrelas / Goodreads: 3,8 Estrelas
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04 Estrelas
Aos dezessete anos, Dimitri não é mais capaz de enxergar a si mesmo quando encara o próprio reflexo no espelho. Dividindo seu tempo entre o colégio e um emprego na última locadora de filmes da cidade, ele vê sua realidade colidir quando um simples encontro com os amigos acaba sendo gatilho para uma de suas maiores crises. Lutando contra a nova vida e consigo mesmo, Dimitri é obrigado a passar o resto do ano em um acampamento para jovens desajustados que promete colocá-lo de volta aos eixos. Porém, um lugar que abriga tantos desajustados pode não ser tão perfeito quanto todos pensam, o que antes parecia ser a solução dos problemas, acaba se tornando apenas o começo de um dos maiores deles. “É no caos que minha mente se esvazia e meus pensamentos se encontram”.
Autor: Eduardo Cilto é brasileiro, jovem, apaixonado por livros como muitos de nós. Criou o canal Perdido nos Livros, um dos maiores voltados para o mundo literário. Hoje, Traços é o seu primeiro livro, que tem feito bastante sucesso no mercado literário nacional, com boas notas no Skoob e Goodreads.

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