Tem na Netflix: Alex Strangelove

junho 14, 2018 / Redação SOODA /

Colado no sucesso de 'Com Amor, Simon', o filme tenta engatar uma aula contra o preconceito, mas cai em seus próprios esterótipos




Mês de junho, é um grande período do ano em favor a lutas LGBTQ+. Então, surge-se obras nos mais diversos veículos midiáticos sobre o assunto. E a Netflix, ligada no hype do que vale a pena ou não colocar em seu catalogo, investiu em uma comédia adolescente voltada para o público LGBTQ+, e assim lançou o original "Alex Strangelove", dirigido por Craig Johnson e protagonizado Daniel Doheny (Temporada 2017 de Supernatural).

O filme tinha tudo para dar certo: Um jovem incompreendido, em busca de respostas sobre os seus sentimentos, aceitação homoafetiva, vibe de loucuras no ensino médio, uma pitada hipster. Porém, algo me incomodou bastante do inicio ao fim da história, caindo muito no conceito final: A mulher como um acessório para a sua saída do "armário".

A história do filme centra-se no Alex Truelove (Daniel Doheny), namorando a jovem Claire (Madeline Weinstein). Dois melhores amigos, que se aproximaram bastante, já que ao seu redor existiam um monte de babacas. Eles inclusive tinham um canal no youtube que relacionava a vida no Ensino Médio com a selva. Uma diversão que tinha milhões de visualizações, e quem assistiu Meninas Malvadas com certeza vai perceber a referência. Porém, após um tempo de namoro, vem aquela vontade marota da transar. Normal nessa fase adolescente. A questão é que parece que o jovem Truelove não está com a mesma vontade que Claire. Mas qual seria o motivo para isso? Para completar, aparece na vida do protagonista o jovem Elliot (Antonio Marziale - Carbono Alterado), para mexer com o seu coração. Qual o resultado de tudo isso?.



O filme consegue criar uma história que convence, trazendo assuntos leves e interessantes para discussão. Sexo na adolescência, saída do armário, uso de drogas e bebidas. Tudo leva aos adolescentes a umas boas gargalhadas. Os atores convencem em seus papéis, inclusive os coadjuvantes, como o ouriçado Dell (Daniel Zolghadri), que se tornou o alivio cômico da obra. Tudo encaminharia para um bom filme, certo? Errado.

Nos dias de hoje é muito importante o surgimento de histórias que representam a possibilidade de sair do armário, e ser feliz, sendo gay, bisexual, assexual, enfim. O escopo de sexualidade e gênero estão maiores e mais fluídos. Mas fazer isso, colocando outros personagens em situações constrangedoras, é infantil, irresponsável e um dialogo superficial com os adolescentes.

No filme isso acontece com a personagem da Claire que é muito apaixonada por Truelove. É perceptível isso a cada presença de tela dela. Porém, a todo instante os sentimentos dela são deixados de lado, como se não tivesse nenhuma importância, especialmente na primeira metade da história. Claire é um acessório para a saída do Armário de Truelove, e isso é extremamente sacal para história.

Não estou dizendo que isso não represente a realidade, porém em uma obra de ficção, existem formas de contar uma história sem que fosse necessário a reprodução desses esteriótipos. E essa situação específica gera duas ideias extremamente complexas: A primeira delas é que "provou, mas não gostou". Oi? Quem disse que é necessário "provar" a homoafetividade para saber se "gostamos ou não"? Isso não é comida, é uma condição pré-existente e que pode ocorrer a descoberta em meio a relacionamentos. Porém não deve-se ligar uma fato ao outro. A reprodução desses esteriótipos, inclusive é extremamente perigoso nesse processo da auto-aceitação.



Outro questionamento é: Até quando a mulher será utilizada como um trampolim para a vida sexual de um homem? Até mesmo um homem cis gay? Porque foi exatamente isso que foi mostrado na obra. A personagem, que tem sentimentos pelo rapaz que sexualmente não sente a mesma atração. Além disso, o tempo de tela da personagem se torna bastante inferior, mesmo a gente descobrindo situações complicadas na vida dela e que mereciam maior destaque. Nesse aspecto, acredito que o problema maior dessa história, com certeza foram as escolhas do roteiro que não cansaram de reproduzir esteriótipos. (CHATOOOOO)

Ao final, o filme ainda tenta se regenerar dos problemas ao longo da história, tipo como se alguém tivesse falado: "Eiii, esse filme está muito machista, vamos melhorar agora?". E assim termina com uma mensagem agridoce de autoaceitação.

Histórias de saída do armário são cada vez mais necessárias nos dias de hoje, mostrando para os jovens que não existe nada de errado em ser algo diferente da heterosexualidade. "Com Amor, Simon" mostrou isso da melhor maneira possível. Porém, é importante ter cuidado para não ser aquele tio chato que "quer lacrar, mas não sabe como", porque no final, o tiro pode sair pela culatra. Foi o caso de "Alex Strangelove", que precisa comer muito arroz com feijão para ser comparado a "Com Amor, Simon".



ALEX STRANGELOVE
LANÇAMENTO: 8 de Junho de 2018
DURAÇÃO: 1h e 40min
PAÍS: USA
Comédia, LGBTQ+
02 ESTRELAS
O adolescente Alex Truelove (Daniel Doheny) tem a vida perfeita - notas boas, namorada (Madeline Weinstein) e uma turma maluca e divertida. Tudo corre bem até o dia em que ele decide perder a virgindade - e conhece Elliott (Antonio Marziale), um garoto gay gentil e seguro de si mesmo que não tem medo de demonstrar seu interesse por Alex... que talvez sinta a mesma atração. Arremessado em uma incrível jornada de autodescoberta pessoal e sexual, Alex percebe que a vida e o amor podem ser complicados. E que tudo bem.

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