Especial: FLIPOP quer trazer os jovens brasileiros para a leitura

julho 02, 2018 / Redação SOODA /

Evento aposta nos escritores nacionais para aproximar os jovens do universo literário




Mais um capitulo da literatura YA foi escrito e cravado na história da literatura nacional. Mais de 600 Leitores, editoras, autores e produtores de conteúdos estiveram presentes na FLIPOP - Festival da Literatura Pop, que esse ano aconteceu nos dias 29, 30 de junho e 01 de julho, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo.

Organizado pela Editora Seguinte, o evento não poupou os jovens ao tocar em temas polêmicos e importantes, como a representatividade negra, LGBTQ+, mulheres fortes, a presença de autores fora do eixo Sul-Sudeste na literatura. Foram várias alfinetadas aos tradicionalistas da literatura que insistem na máxima de colocar a literatura YA, como apenas "de entretenimento". "A Flipop é uma ocupação, porque tem a FLIP (Feira Literária de Paraty), formada majoritariamente por pessoas mais velhas, e aí vem a Flipop e 'pá' na tua cara, jovem ler" disse a jornalista e professora de Literatura Tatiany Leite em uma das mesas redondas do evento.

O evento acontecia em duas salas do centro de convenções, o que deixava muitas pessoas numa indecisão de que temática acompanhar. No primeiro dia, foi possível ouvir discussões sobre a importância do Watpad para a literatura, e a prática de escrever para os autores. Uma das mesas que mais chamou atenção nesse dia, foi "As várias vozes do Brasil", que trouxe as autoras Roberta Spindler, Socorro Aciolli e Jarid Arraes para o protagonismo, falando da importância do lugar de fala e de superação de esteriotipos sobre a literatura escrita nas várias partes do Brasil. Jarid, que é autora cearense, emocionou a todos ao contar a sua história e luta para escrever aquilo que tem vontade, e não o que as pessoas esperam de uma autora nordestina. "Eu não mendigo espaço, se você não me dá, eu vou lá e construo outro espaço", afirmou categoricamente.



Mas não só de temas relevantes socialmente vive a FLIPOP, um dos momentos onde os músculos do rosto ficaram tesos de tantas gargalhadas, foi a discussão sobre clichês e modas literárias, que teve a presença das autoras Tati Machado, Bruna Fontes, Luiza Trigo, Paola Aleksandra e mediação de Frini Georgakopoulos. os gatinhos que brigam pela jovem, o adolescente que consegue mudar os rumos de uma nação, os jovens que vivem uma aventura sem supervisão dos pais, a menina que quebra todas as regras de uma sociedade patriarcal, a lista é imensa.Apesar, de clichê ser um tema batido, as autoras alertam da responsabilidade que deve haver ao usa-los. "Não tem problema de ter clichê, desde que ele não seja estereotipado" explicou Frini.

O primeiro dia finalizou, abordando a importância das personagens fortes na literatura e o "Humor é coisa séria", falando da nuances de escrever para as pessoas rirem. É claro que não podia faltar piadas e tiradas entre os participantes da mesa. "Vitor, só de te olhar, já começo a rir" Fernanda Nia enquanto zoava o Vitor Martins.



AUTORES INTERNACIONAIS APORTARAM NA FLIPOP : Além das dezenas de autores brasileiros, a Flipop sempre tem trazido autores gringos para o evento. Esse ano, o autor norte-americano Jeff Zentner (Dias de Despedida) e a canadense Morgan Rhodes (Série Queda dos Reinos) estiveram presentes. Somado a sessão de autógrafos (eu tenho o meu), os autores participaram de bate-papo respondendo a perguntas dos mediadores e participantes do evento.

Jeff Zentner, que já foi músico, agora trabalha escrevendo para jovens, e no Brasil, Dias de Despedida foi a sua primeira obra a chegar. Além de curiosidades sobre escrita, e seu tempo morando em Belém do Pará (Olhaaaa aíííí), o autor falou sobre como é escrever sobre luto, tema presente nos dois primeiros livros dele."Eu escrevo no meu Iphone, no ônibus, e às vezes eu choro quando to numa cena triste, então tenho que descer do ônibus, chorar que nem uma criancinha e depois volto". A editora também confirmou o lançamento de "The Serpent King" (titulo em inglês) para setembro desse ano.



Morghan Rhodes, que teve sua saga encerrada recentemente no Brasil, falou no bate papo sobre como foi se despedir da série de seis livros, e que já tem encaminhado uma história de ficção cientifica que será lançada em breve nos estados unidos.



REPRESENTATIVIDADE NEGRA E LGBTQ+: Temas presentes no dia-a-dia de muitos brasileiros não poderia ficar de fora desse evento de literatura jovem. E nesse sentido, houveram várias discussões sobre o tema. O primeiro deles foi "A Escrita da Identificação", com a presença dos autores Lavínia Rocha, Olívia Pilar e Samuel Gomes e mediação de Jarid Arraes, que mostraram a importância de se sentir representados em histórias.

Mais tarde, a Hoo Editora organizou uma mesa para falar sobre a Libertaura LGBT+, alem do G, mostrando que outros grupos minoritários merecem destaque no movimento, que saiam do esteriótipo conhecido. E sobre isso a historiadora Larissa Moreira afirma que "é preciso entender que estamos em um movimento de duas chaves. O aumento da resistência dos grupos LGBT´s e o retorno de ideias atrasadas".

No dia seguinte, Eduardo Cilto, Vitor Martins e Samuel Gomes participaram da mesa "Garotos que amam Garotos". Nela, muitas pessoas se emocionaram com o depoimento de Vitor Martins, ao falar das dificuldades de sua família que é muita religiosa, em aceitar a sua homoafetividade e da importância da união da comunidade para que pessoas que passam por situações semelhantes, consigam suportar.



INTERAÇÃO ROLOU SOLTA: Em um evento de literatura jovem, a interação é fundamental e foi o que não faltou no evento. No hall do Centro de Convenções, algumas editoras e empresas montaram mesas com jogos, distribuição de brindes, tatuagens com base d´água, e até mesmo uma cabine para que os jovens saíssem com fotinhos exclusivas. No espaço, também foram montados mesas, onde os autores se encontraram com leitores, e além de autógrafos, conversaram e tiravam fotos r laços de amizades foram construídos.

Por falar em amizade, o clima intimista do evento propiciou que os jovens se integrassem entre si, e conhecessem uns aos outros. Leitores, autores e blogueiros, conversaram bastante entre si nos momentos de intervalos e até mesmo nas palestras, possibilitando que nossos laços fraternos fossem formados. Mesmo para aqueles que vieram sozinhos, era dificil sair dali sem nenhum bate papo, sobre sua obra e/ou autor favorito.O livro tem dessas de unir as pessoas. E o evento contribuiu bastante para isso.



Além dessa interação no Hall, houve também bastante momentos de integração nos auditórios. O interlúdio, foi um desses momentos. As youtubers Bruna Miranda, May Sigwalt, Melina Souza e Tatiany Leite foram responsáveis por jogos, valendo livros, sendo um grande momento de relaxamento entre os momentos. (Só a May que não, a competitividade não deixou ela relaxar, heuheueheuhe). Outro momento divertido foi o "Livro ao Vivo" comandado, pelos autores AJ Oliveira e Jana Bianchi, que a cada dia tiveram convidados que ajudaram a compor o roteiro de um livro. Uma Bufala chamada Muçarela, e um assassinato em uma faculdade, que tem como uma das protagonistas a garota da xerox, foi algumas da ideias surgidas durante os encontros.

Quem não teve a oportunidade de ir para a Flipop esse ano, anotem na agenda. Em 2019 vai ter mais uma edição. E a Seguinte promete lutar para que seja maior e com a presença de mais editoras, afinal de contas, a união faz a força. E no caso dos livros. Mais do que nunca precisamos de mais apoio para tornar o Brasil um país de leitura.

A nossa presença no evento teve o apoio da Agência Página 7, que nos ajudou a estar presente no evento, e oportunizou que trouxéssemos essas informações para vocês fãs de livros, que temos certezas que adorariam estar lá presente. Vamos nos planejar para 2019?

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