Resenha: Graça e Fúria - Tracy Banghart

julho 08, 2018 / Redação SOODA /

Uma história fantástica sobre opressão e luta pela igualdade de mulheres e homens




Denomina-se Harém, o grupo de mulheres que eram casadas com os Sheiks. Esses grupos existem até hoje em muitos países árabes conservadores. Mas não chega nem perto dos Haréns turcos, na época do Império Otomano, que poderiam ser formados por mais de 1000 mulheres. Mas ao contrário do que se pensa, esse grupo era muito organizado para que se evitassem conflitos. Mesmo assim, não deixa de ser cruel imaginar, mulheres que não tinham vida, a não ser, servir aos Sheiks. Essa ideia é o mote central do reino de Viridia, da história de Graça e Fúria, livro escrito por Tracy Banghart.

“Não é uma escolha quando você não tem liberdade de dizer não. Um 'sim' não tem nenhum valor quando é a única resposta que você pode dar!”. (pg. 35);


Em Viridia, encontra-se um reino dominado por homens, mulheres não podem nadar, mulheres não podem ler, mulheres não podem viver, o único objetivo delas de vida é servir. Elas podem ser criadas, ou aias, como elas são chamadas. Porém, existem grupo de mulheres que tem uma função maior. Elas podem ser escolhidas pelo superior (equivalente a rei), para se tornarem Graças, mulheres que servem ao senhor sempre que ele quiser.

Para isso, a cada três anos, mulheres que são treinadas em suas comunidades, são mandadas para o castelo para que o superior escolha três delas para fazer parte do seu "exercito" de Graças. A primeira delas, o qual o superior vai para a cama, acaba se tornando a "Graça Superior" e além de servir ao rei, ela se torna responsável por gerenciar todas as outras para que se mantenham na linha.

Essa forma de governo tem uma explicação, que tem muito haver com medo, e claro, poder.



Acompanha-se essa história sob o olhar de duas irmãs. Serina e Nomi. Elas sempre foram muito unidas, junto com Renzo, vivendo altas aventuras na juventude. Contudo, Nomi era avessa a esse mundo de opressão, e com ajuda de Renzo, ela fazia aquilo que era impossível para mulheres, aprender a ler. Serina, pelo contrário, queria se sujeitar a vida de Graça, porque sabia que assim, poderia oferecer um conforto a sua família de alguma maneira. Com isso ela se preparou a vida inteira para esse destino, e foram assim que as duas pararam no castelo do superior, na cidade de Bellaqua, centro desse reino.

Porém, o destino nunca é aquilo que a gente quer, e sim o que ele deseja pra gente, e assim inverteu a vida das duas jovens.

Nomi, encontra-se com o herdeiro antes da sua escolha, como desafiadora que ela sempre foi, acaba dando uma resposta atravessada para o futuro superior (Oh bixaa!!). Com isso, ele resolve escolhe-la como sua graça, e Serina torna-se a sua Aia, não por muito tempo.

Nomi, rouba um livro da biblioteca do castelo e leva-o para o seu quarto. Inicialmente, Serina fica assustada, mas toca-o (já que ela não sabe ler) e lembra das histórias que Nomi contava para ela na infância. Porém, a atual Graça-Superior entra e ao ver aquela situação, leva-a para o Superior, que decide manda-la para uma prisão feminina em Monte Ruína, agora a sua doçura de Graça, talvez não seja o suficiente para deixa-la viva.



Monte Ruína é um vulcão prestes a entrar em erupção, metaforicamente e literalmente. Isso porque a ilha já foi um lugar bem prospero, local onde a riqueza transpirava. Porém, um vulcão entrou em erupção e tudo foi por água abaixo, ou melhor, por larva abaixo. Agora esse local é utilizado como uma prisão feminina de mulheres que não cumprem seu dever social. Só que nada é tão fácil nesse lugar. A comida é escassa e para sobreviver, os guardas criaram um rodizio, porém para ter acesso a comida, é necessário entrar num rinque para lutar. Quatro mulheres de quatro bandos, e somente uma sai viva. Para mulheres é a luta pela sua sobrevivência, para os homens, diversão no estilo Pão e Circo. E a doce Serina tinha que se adaptar a isso.

MUITAS REFLEXÕES: Tracy Banghart criou uma fantasia para que a gente pudesse entender a importância de se rebelar contras as injustiças. A todo o momento ela coloca em seu subtexto, ou na boca das protagonistas frases que mostram a importância de lutar pela opressão, de mudar esse status quo de uma sociedade machista que insiste em persistir, dia após dia. E todos os papéis possíveis e necessários para essa mudança.

A autora mostrou que força é importante e essencial, além da união das mulheres que a todo o tempo são incentivadas a serem rivais. E porque?

Tracy trouxe na história, a importância de usar a inteligência na hora certa, e às vezes é necessário criar estratégias para não deixar que o enredo injusto se repita constantemente. E tudo isso, inspirando jovens garotas, com uma linguagem simples, porém não menos profunda de que uma obra mais adulta sobre o tema.

Por esse motivo, eu apelidei a obra de "Conto da Aia" para jovens, pois apesar de ter enredos diferentes, as duas obras se assemelham no recado de luta e resistência, de uma sociedade onde homens insistem em dominar as mulheres, algo que já deveria ter sido extinto a muito tempo, para que todos vivessem com respeito e igualdade. Coisas que o feminismo prega a muito tempo. E sim, viva a luta contra a opressão, luta pela liberdade, e as vezes é necessário uma revolução para que o mundo deixe de lado seus antigos hábitos de dominação.

“A opressão não é um estado final. É um peso que se carrega até que não se possa mais. E então ele é removido. Não sem esforço, não sem dor (...) a opressão, sempre, sempre seria combatida e superada”. (pg. 248);




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Graça e Fúria (Grace and Fury)
Autora: Tracy Banghart
Editora: Seguinte (Companhia das Letras)
Ano: 2018
Skoob: 5,0 Estrelas / Goodreads: 4,1 Estrelas
Compre Aqui: Amazon 05 Estrelas
Em Viridia, as mulheres não têm direitos. Em vez de rainhas, os governantes escolhem periodicamente três graças — jovens que viveriam ao seu dispor. Serina Tessaro treinou a vida inteira para se tornar uma graça, mas é Nomi, sua irmã mais nova, quem acaba sendo escolhida pelo herdeiro.
Nomi nunca aceitou as regras que lhe eram impostas e aprendeu a ler, apesar de a leitura ser proibida para as mulheres. Seu fascínio por livros a levou a roubar um exemplar da biblioteca real — mas é Serina quem acaba sendo pega com ele nas mãos. Como punição, a garota é enviada a uma ilha que serve de prisão para mulheres rebeldes.
Agora, Serina e Nomi estão presas a destinos que nunca desejaram — e farão de tudo para se reencontrar.
Autora: Tracy Banghart cresceu em Maryland e passou os verões em uma ilha remota no norte de Ontário. Todo aquele isolamento e linda paisagem lhe davam tempo para ler vorazmente e a inspiração para escrever suas próprias histórias. Sempre um pouco nômade, Tracy agora viaja pelo mundo estilo esposa do exército com seu marido, filho, gato e doce camarada.

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